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Águas deve ser lido para vestibular da Uems 2005

16 Out 2004 - 07h45
A íntegra do poema Águas, de Manoel de Barros, incluído pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems) na lista de obras literárias que devem ser lidas para o Vestibular 2005, encontra-se disponível no final desta matéria.

Editado pela Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) o poema aborda a água como elemento que inicia a vida – das plantas, dos peixes, dos caranguejos, dos pássaros e de todos o seres. Além de retratar a forte interação que existe entre as águas e o homem do Pantanal.

As inscrições para o vestibular 2005 da Uems vão até a próxima segunda-feira, 18 de outubro. Além de Águas, devem ser lidas as seguintes obras: A hora e a vez de Augusto Matraga, Guimarães Rosa; Dom Casmurro, Machado de Assis; Laços de Família, Clarice Lispector; Senhora, José de Alencar; e Triste fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto.


Águas
(Manoel de Barros)

“Desde o começo dos tempos águas e chão se amam.
Eles se entram amorosamente
E se fecundam.
Nascem formas rudimentares de seres e de plantas
Filhos dessa fecundação.
Nascem peixes para habitar os rios
E nascem pássaros para habitar as árvores.
Águas ainda ajudam na formação das conchas e dos
caranguejos.
As águas são a epifania da Natureza.
Agora penso nas águas do Pantanal
Nos nossos rios infantis
Que ainda procuram declives para correr.
Porque as águas deste lugar ainda são espraiadas
para o alvoroço dos pássaros.
Prezo os espraiados destas águas com as suas
beijadas garças.
Nossos rios precisam de idade ainda para formar
os seus barrancos
Para pousar em seus leitos.
Penso com humildade que fui convidado para o
banquete destas águas.
Porque sou de bugre.
Porque sou de brejo.
Acho que as águas iniciam os pássaros
Acho que as águas iniciam as árvores e os peixes
E acho que as águas iniciam os homens.
Nos iniciam.
E nos alimentam e nos dessedentam.
Louvo esta fonte de todos os seres, de todas as
plantas, de todas as pedras.
Louvo as natências do homem do Pantanal.
Todos somos devedores destas águas.
Somos todos começos de brejos e de rãs.
E a fala dos nossos vaqueiros carrega murmúrios
destas águas.
Parece que a fala de nossos vaqueiros tem consoantes
líquidas
E carrega de umidez as suas palavras.
Penso que os homens deste lugar
são a continuação destas águas.”

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