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Agricultores de Fátima do Sul é alvo de estudos de profissionais da UFMS

18 Jan 2011 - 08h45Por Ribeiro Junior / Fátima News

A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), há mais de uma década faz estudos nos municípios da Gran-Dourados e do Vale do Ivinhema (que compreende o município de Fátima do Sul) sobre os estados depressivos e os níveis da enzima.

 

 

Em 2004 e 2005 a Universidade levantou dos 261 agricultores expostos aos agrotóxicos, 149 tiveram alguns sintomas de depressão, 30 apresentaram distúrbios psiquiátricos menores e três tentaram o suicídio. Até 2002, Mato Grosso do Sul ocupava o quarto lugar em suicídios de homens e o segundo de mulheres no Brasil. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, de 1992 a 2002, a macrorregião de Dourados e Vale do Ivinhema (que compreende o município de Fátima do Sul) houve 203 tentativas de suicídio e 63 mortes por envenenamento.

 

 

Já em 2010 o numero de pessoas que tentaram suicídio na região cresceu relativamente. Em agosto de 2010, um velório foi interrompido em Ivinhema pela Polícia Civil, Ailton Pereira de Sousa, de 52 anos, morreu depois de tomar um copo de glifosato, um herbicida sistêmico não seletivo (mata qualquer tipo de planta).

 

 

Durante o velório, os policiais tiveram que retirar o corpo do agricultor para realizar exame necroscópico. Já em dezembro de 2010 em Fátima do Sul, Maria da Glória Ribeiro de Oliveira de 42 anos morreu depois de ingerir uma quantidade de “chumbinho”, tipo de veneno utilizado como agrotóxico e também para matar ratos.

 

Falta de proteção

 

Fátima do Sul, cidade de 18 mil habitantes, foi criada em 1943 no governo Getúlio Vargas como polo agrícola. Predominam os sítios de três a dez hectares de imigrantes nordestinos. Ali, fala-se dos nomes de agrotóxicos com intimidade: Barrage, Folidol, Azodrin, Tamaron, 2,4D e 3,10. A maioria desses produtos pertence à família dos inseticidas organofosforados, derivados do ácido fosfórico, e são usados para combater pragas em culturas diversas. O contato com eles alterou o conceito de saúde dos agricultores. Quase todos se referem a dor de cabeça, náusea e coceiras, além do cheiro inconfundível.

 

Fora os casos de intoxicação aguda em que os sintomas mais graves surgem logo após a exposição. Muitos lavradores não têm, não usam ou não sabem usar corretamente os equipamentos de proteção, como máscaras e macacão, nem têm orientação sobre como armazená-lo ou se desinfetar após aplicar o veneno. 

 

Depressão 

 

Assim como as náuseas, sintomas de depressão tomam conta das conversas nos sítios. Antônia lembra que o filho começou a ficar “esquisito” antes de morrer. Para Dario Xavier Pires, químico e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) que há uma década estuda os casos de suicídio no município, os sintomas são evidentes no contato com produtores e nas conversas informais com profissionais da saúde locais.

 

A psiquiatra paulista Jussinalva Aguiar explica que “normalmente os casos de suicídio estão ligados a quadros depressivos” que passam despercebidos na rotina do trabalhador rural. Segundo Jussinalva, o tipo de agrotóxico usado no algodão inibe a enzima acetil-colinesterase, causando acúmulo do neurotransmissor acetilcolina e a conseqüente superestimulação das terminações nervosas. “A intoxicação por agrotóxico causa variações qualitativas e quantitativas nas sinapses, que agem na alteração do humor. Pode causar tanto sintomas depressivos como manias e agitação.”

 

Ranking

 

Em números absolutos, Mato Grosso do Sul ocupava, em 2002 (último ano disponível), o quarto lugar em suicídios de homens e o segundo de mulheres no Brasil.

 

O segundo lugar é de Fátima do Sul. Depois de Mauro, outros dois filhos de Antônia, Jonas e Luiz, também se mataram em um ano. Uma terceira, Cecília, tentou. Levantamento da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) para a consultoria alemã Kleffman Group aponta o Brasil como o país que mais consome agrotóxicos.

 

Em 2008, foram gastos U$ 7,1 bilhões, ante US$ 6,6 bilhões dos EUA, em segundo.

 

O Serviço de Informações Tóxico-Farmacológicas do Ministério da Saúde registrou, em 2007, 112,4 mil casos de into

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