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Brasil

Agricultores armazenam soja à espera de melhor preço

26 Mar 2010 - 09h48Por Diário MS
Boa parte dos grãos de soja colhidos na região da Grande Dourados está estocada nos armazéns. A maioria dos produtores aguarda uma melhora no preço para vender o produto. O valor da saca teve uma diminuição de até R$ 13 em relação ao mesmo período do ano passado.
Cautelosos, os agricultores estão preferindo lotar os armazéns à espera de uma melhora nos preços. Atualmente, a saca de 60 quilos da soja está sendo comercializada entre R$ 28,50 e R$ 30,00 em Mato Grosso do Sul.
Conforme Gelce de Vargas, diretora de uma empresa de armazenamento de grãos em Dourados, devido à queda nos preços, os produtores da região resolveram segurar a soja nos armazéns na esperança de uma recuperação no preço do produto. “Os armazéns estão lotados. Os produtores estão segurando ao máximo. Ninguém está negociando nada. Nosso armazém está lotado. A colheita ainda está em andamento, no entanto, não temos mais espaço para armazenagem de grãos devido à cautela de boa parte dos produtores”, comentou. Segundo Gelce, atualmente, o armazém está estocando aproximadamente 400 mil sacas de soja.

CRISE

O economista Leonardo Mussury alerta que, caso não haja uma mudança no cenário atual, esta retração pode gerar problemas quanto a colheita e estocagem do milho safrinha, que começa a ser colhido na região em junho. Com os armazéns lotados de soja, pode faltar espaço para o milho. “Os armazéns da região estão abarrotados de soja, já que o produtor resolveu não vender para esperar uma recuperação nos preços. No entanto, as notícias vindas do mercado internacional não são muito animadoras e não indicam uma recuperação no preço da soja. Na verdade, o tiro pode sair pela culatra. Quem resolveu armazenar a soja para esperar uma alta nos preços pode sair prejudicado, pois o mercado pode piorar. Além disso, essa estratégia pode acarretar uma crise para o armazenamento do milho safrinha, já que os armazéns da região estão todos lotados. Esse tipo de situação poderá provocar uma nova queda nos preços. Isso seria prejudicial aos produtores que fizeram compromissos no início da safra e tão pagando juros enquanto esperam para vender a soja”, analisou o economista.

LUCRO

Apesar da queda no preço da soja, o cenário atual ainda é favorável aos agricultores no que se refere à rentabilidade. Segundo Mussury, na região da Grande Dourados, o custo médio de produção ficou na casa de R$ 1,1 mil por hectare. A produtividade tem sido superior a 50 sacas por hectare, o que corresponde a um gasto máximo de R$ 22 por saca. “A cotação da saca da soja está na casa dos R$ 28. Ou seja, o produtor está tendo um lucro de pelo menos R$ 6 por saca. Isso significa que ele ainda está tendo uma rentabilidade de 27%. Para aquele produtor que não quer se sujeitar a risco, os preços que estão sendo praticados não são tão desastrosos”, relatou o economista.

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