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Adesivo anticoncepcional tem menos efeitos colaterais

18 Out 2004 - 15h19
Médicos do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina, campus de Botucatu, realizaram um estudo que atesta a eficiência do primeiro anticoncepcional em forma de adesivo.

Produzida pelo laboratório americano Jansen-Cilag Farmacêutica, a novidade já teve sua venda aprovada pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) em fevereiro de 2003.

Menos efeitos colaterais

Embora a eficácia do produto, de 99,4%, seja semelhante às outras formas de aplicação, segundo o coordenador da pesquisa, o ginecologista Rogério Dias, entre as principais vantagens do contraceptivo estão a facilidade de uso e a redução de efeitos colaterais que geralmente são provocados pelas pílulas tradicionais.

A explicação para o menor número de complicações do adesivo anticoncepcional, segundo o docente da Universidade Estadual Paulista (Unesp), estaria no fato da absorção dos hormônios que atuam na contracepção ser pela pele. Eles caem, portanto, diretamente na corrente sanguínea, ou seja, não passam pelo estômago e fígado, como na forma de drágeas.

Concentração

Com isto, a concentração do medicamento é constante no corpo, diferentemente das pílulas. “Os efeitos colaterais, responsáveis muitas vezes pelo abandono do método pelas usuárias, estão associados à quantidade de hormônios em cada produto e da combinação adequada do estrogênio com o progestôgeno para bloquear a concepção”, acentua Dias.

Com tamanho de 20 cm², o adesivo de cor bege deve ser aplicado uma vez por semana, preferencialmente na nádega, braço, dorso e abdômen. Não é recomendado o uso nas mamas e em áreas de atrito ou irritação, já que há risco de descolamento ou de absorção transdérmica inadequada dos hormônios.

Sua utilização não é indicada para mulheres com peso acima de 90 kg, já que a sua eficácia, nesses casos, é menor.

Satisfação

Após acompanhar 35 pacientes que utilizaram o produto, Dias constatou um índice de satisfação de 97%. Duas delas abandonaram o uso do adesivo em virtude de sangramento no meio do ciclo. Não houve reclamações de efeitos colaterais, como náusea, dor de cabeça e nas mamas.

“A maior vantagem deste produto é a sua praticidade”, observa o médico. “Ele é direcionado, principalmente, para aquelas pacientes que esquecem de tomar a pílula, geralmente, mulheres que tem muitas atividades diárias e que tomam outros medicamentos”, acrescenta.

Ainda é caro

Para Dias, embora o preço do produto esteja cerca de 30% maior que o das pílulas, a tendência é que, com o tempo, ele seja reduzido. “É um medicamento que ajuda no planejamento familiar da população mais carente”, afirma.

Participaram também do estudo os docentes da disciplina de Ginecologia Jorge Nahas e Eliana Nahas.

 

Estadão

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