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Acadêmico da UEMS de Ivinhema processa professor

14 Set 2004 - 14h15
O acadêmico cotista Carlos Lopes dos Santos do curso de biologia da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), unidade de Ivinhema, está entrando com um processo civil contra o professor de física Adriano Manoel dos Santos por usar de piadas racista em sala de aula.

O estudante é negro e se sentiu ofendido ao ouvir piadas de cunho racista, no mesmo dia procurou o gerente da unidade e coordenador do curso de biologia para notificar o caso, pediu que o coordenador solicitasse ao professor que se retratasse do que fez. O professor ao tomar conhecimento da denuncia verbal, disse que a piada foi apenas uma brincadeira e, portanto não iria se retratar com o acadêmico.

No dia 09 de julho do corrente ano o estudante registrou a ocorrência na delegacia de policia de Ivinhema. É a primeira vez que um aluno que tenha entrado pelo processo de cotas na Universidade processa um professor por discriminação racial em sala de aula. O fato já é comentado em âmbito nacional.

O DCE está acompanhado o caso, esteve na unidade fazendo um seminário de Reforma Universitária e Cotas. A discussão se tornou bastante interessante quando o fato ocorrido se tornou pauta de discussão. Uma estudante, também cotista, disse que não se sentia negra, portanto as piadas de negro não a ofendia, porém quando as piadas eram de gordas ela se sentia ofendida. Ao final sugerimos que o Centro Acadêmico e os estudantes daquele curso promovessem espaços de discussões e conscientização com a sociedade externa e o Movimento Negro. O DCE estará tratando do assunto juntamente com os CAs de todas as unidades no dia 18/09 e juntos deliberarão sobre os procedimentos que o Movimento Estudantil ira tomar diante do fato ocorrido.

A Universidade não tomou nenhuma providencia, tendo em vista que a denuncia foi feita na delegacia de polícia ela não pode se envolver, pois se trata de um processo civil e não acadêmico.

No ano passado chegamos a parar todas as unidades no dia 13 de maio para discutir as cotas. A UEMS foi reconhecida nacionalmente por reconhecer as injustiças sociais cometidas pala sociedade brasileira desde a colonização do país. Implantou cotas pra negros e foi a primeira no Brasil a adotar cotas para índios. Os critérios adotados pela ela é criticado por uns e modelo referencial para outras universidades que ainda discute a implantação de cotas. Diferente de vários vestibulares com reserva de cotas, a UEMS não registrou nenhum processo civil na inscrição e/ou seleção. No entanto é a primeira a vivenciar um caso onde o aluno entra com processo contra o professor por usar piadas de cunho racista.

No depoimento o professor diz que “como o conteúdo de física é um conteúdo que não foi abordado por alguns alunos utiliza-se de recurso para chamar a atenção dos alunos”. No entanto outros estudantes da mesma sala de aula deram depoimento e todos confirmaram que o professor conta piadas de gays, loiras, gordos e negros.

No Brasil os negros historicamente foram motivos de piadinhas discriminatórias, assim também acontece com os gays, lésbicas, mulheres, loiras, portuguesas, pobres, gordos, etc. É necessário que se aproveite este caso para fazer reflexões sobre as diferenças e desigualdades sociais existentes num país que tem leis garantindo igualdades para todos, porém parece que “uns são mais iguais que outros”.

É preciso acreditar que um dia a justiça irá se fazer realmente igual para todos e as pessoas serão respeitadas pelo que são independente de cor, etnia, opção sexual, sexo, peso, naturalidade, classe social e tantos outros motivos que a sociedade opressora encontra para desrespeitar o próximo. Mas para que este dia chegue as pessoas precisarão se manifestar, mostrar suas indignações e provocar impactos sociais, os quais serão objetos de reflexões e conscientizações.

 

 

 

 




Colaborou Gleice Jane Barbosa
Douradosnews

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