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Cidade passa de 12 mil casos de dengue

Nessa terça (16), mais uma leva de novos 2.154 registros foi divulgada pela Secretaria Municipal de Saúde; doença segue em avanço por todo o País

17 Abr 2019 - 07h36Por JCNET

A cada semana, a epidemia de dengue soma números mais alarmantes em Bauru. Uma nova leva de 2.154 casos foi divulgada ontem pela Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Departamento de Saúde Coletiva. Com isso, a cidade contabiliza 12.361 registros confirmados da doença só neste ano, sendo 12.348 autóctones e 13 importados.

Os novos registros divulgados nesta terça-feira, ainda segundo a pasta, tiveram início de sintomas entre 1 de janeiro a 16 de março.

Antes desta epidemia, o ano com maior quantidade de casos da doença era 2015, quando, de acordo com os dados da Secretaria Municipal de Saúde, foram registradas 8.482 ocorrências. Ou seja, ainda em meados de abril, 2019 já conta com 3.879 registros a mais do que o ano recorde da doença.

A letalidade também bateu uma marca trágica. O balanço divulgado nessa terça-feira (16) não alterou o número de mortes. Assim, 2019 segue com 12 vítimas fatais confirmadas e oito que estão aguardando laudo laboratorial pelo Instituto Adolfo Lutz - São Paulo.

Para se ter uma ideia, mesmo sem contar os casos que ainda seguem investigados, o ano já têm o dobro de vítimas fatais dos períodos que, até então, haviam registrado o recorde de letalidade na cidade. Anteriormente a 2019, os anos mais trágicos da dengue em Bauru haviam sido 2011 e 2015, quando, em cada um, seis pessoas perderam a vida.

TERRENOS SUJOS

A Prefeitura de Bauru tem ressaltado o esforço do município, que realiza ações na tentativa de combater o mosquito Aedes aegypti. No fim de janeiro, o prefeito Clodoaldo Gazzetta decretou estado de emergência. Assim, a cidade passou a, além de multar terrenos públicos sujos, limpá-los e mandar a conta aos proprietários.

Mesmo com tais ações, o poder público segue destacando que a participação da população dentro de casa é fundamental no combate ao mosquito. Inclusive, uma das campanhas é a "10 minutos contra o Aedes".

Desenvolvida pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), baseia-se em uma ronda semanal de 10 minutos observando vários pontos. É possível baixar a lista da ronda pelo link http://www.ioc.fiocruz.br/dengue/textos/10minutos.html.

DOENÇA NO PAÍS

E não é só em Bauru que a dengue preocupa. Em todo o País, a doença já soma ao menos 322 mil casos, de acordo com novo balanço do Ministério da Saúde. Já a incidência atual de dengue, parâmetro que considera o volume de casos pela população, é de 154,5 casos por 100 mil habitantes, tida como moderada.

Os dados nacionais, que contabilizam atendimentos até 30 de março, representam um aumento de 40% no total de registros em duas semanas. Para comparação, em 16 de março, eram 229 mil casos.

Já em relação ao mesmo período do último ano, o crescimento é de impressionantes 303%. Isso indica que, após quase três anos com casos em queda, há uma retomada de um crescimento na transmissão da doença em diferentes regiões do País.

Atualmente, a região com maior número de casos da dengue é o Sudeste, com 213 mil registros ou 66% do total; seguido do Centro-Oeste, com 56 mil casos.

Em São Paulo, foram registrados até agora ao menos 115 mil casos de dengue, com incidência de 254 registros a cada 100 mil habitantes, de acordo com o Ministério. No mesmo período de 2018, foram 4.647 casos.

"Temos uma faixa importante que vai de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e São Paulo como a principal região de transmissão de dengue", afirmou, nesta segunda, o coordenador do Programa de Dengue do Ministério, Rodrigo Said, em evento para atualização do manejo clínico da doença.

Teste com Aedes contaminado segue

Em meio ao aumento de casos, o Ministério da Saúde anunciou a ampliação dos testes com mosquitos Aedes aegypti contaminados pela bactéria Wolbachia. O projeto é conduzido pela Fiocruz, em parceria com a pasta.

Trata-se de um microrganismo presente em cerca de 60% dos insetos na natureza, mas ausente no Aedes. Inserida artificialmente em ovos do mosquito, ela acaba por reduzir a capacidade do Aedes de transmitir o vírus da dengue, zika e chikungunya.

Soltos na natureza, os mosquitos com a Wolbachia se reproduzem e geram Aedes com as mesmas características, o que traz a tendência de que essa população de mosquitos seja predominante e que as epidemias de doenças como a dengue sejam menos frequentes.

Agora, os testes passarão agora a serem realizados em outras três cidades: Belo Horizonte (MG), Petrolina (PE) e Campo Grande (MS). Segundo o ministério, essa é a última etapa de testes antes da incorporação do método no SUS. O valor a ser investido é de R$ 22 milhões. A nova fase terá início no segundo semestre e terá duração de três anos.

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