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Fátima do Sul, 9 de Dezembro de 2016
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5 de Novembro de 2016 07h50

Anticoncepcional injetável para homens é promissor, mas há riscos

Injetar dois homônios diferentes em homens a cada oito semanas suprimiu a produção de esperma de forma suficiente para o método ter efeito contraceptivo, de acordo com um estudo publicado na semana passada.


Porém a pesquisa teve de ser interropida devido a preocupação com a segurança dos participantes.


Um comitê de segurança independente concluiu que efeitos colaterais, que incluíram depressão e outros distúrbios do humor, superaram os potenciais benefícios das injeções.


"Pesquisadores estão tentando identificar um contraceptivo hormonal masculino que seja efetivo, reversível, seguro, aceitável, de preço acessível e disponível", afirmou a equipe técnica do estudo em e-mail para a Reuters.


Os pesquisadores, liderados por Hermann Behre, da Universidade Martin Luther de Halle Wittenberg, na Alemanha, recrutou 320 homens saudáveis com idades entre 18 e 45 anos de vários países. Todos estavam em relacionamentos monogâmicos por ao menos um ano com mulheres com idade entre 18 e 38 anos. Os casais não queriam ter filhos nos dois anos seguintes.


A cada 8 semanas, os homens receberam injeções de testosterona e progestina. "Dar testosterona em doses altas suprime a produção de esperma no órgão reprodutor masculino por várias semanas", segundo os pesquisadores.


Acrescentar outro hormônio, "geralmente a progestina, ajuda a aumentar a supressão da produção de esperma a níveis mais baixos em um maior número de homens", ainda segundo os autores do estudo. "Isso também ajuda a sustentar essa supressão, para que as injeções possam ser dadas com frequência menor."


Em 274 homens, ou 86%, a contagem de esperma caiu para menos de 1 milhão por ml de sêmen depois de 24 semanas. A contagem normal de esperma varia entre 40 e 300 milhões por ml, de acordo com a Associação Nacional de Infertilidade dos EUA.


Quatro gestações ocorreram entre os 266 casais no período de 56 semanas do estudo, segundo relatam os pesquisadores em artigo publicado na revista especializada "Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism".


A taxa de falhas dessa forma de anticoncepcional foi de 7,5%. Segundo os Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA (CDC), a taxa de falha de camisinhas masculinas é de 12%. Em mulheres, pílulas anticoncepcionais, adesivos e aneis vaginais têm uma taxa de falha de cerca de 9%. As taxas de falha entre implantes e dispositivos intrauterinos ficam abaixo de 1%.


Efeitos colaterais


Cerca de 1.500 eventos adversos foram reportados durante o estudo. Cerca de 39% não estavam relacionados às injeções.


Dos efeitos colaterais possivelmente relacionados às injeções, cerca de 46% dos homens reportaram acne, cerca de 23% reportaram dor no local da injeção, cerca de 38% reportaram um aumento na libido e muitos reportaram distúrbios de humor, incluindo problemas emocionais, hostilidade, depressão e agressão.


Além de preocupações sobre a segurança, especialistas que não participaram do estudo também levantam outra questão: não está claro se a estratégia pode afetar a fertilidade dos homens depois que eles pararem de tomar as injeções. Nos homens estudados, a contagem de espermas voltou ao normal, porém eles eram homens saudãveis. A dúvida é o que ocorreria com homens que já têm contagem baixa de esperma.

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