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Secretária é intimada a depor sobre morte em hospital sem médico em Dourados

MP investiga como homicídio morte de motociclista ferido em acidente em 21 de julho. O hospital estava sem médico naquele dia

23 Ago 2019 - 07h20Por Campo Grande News

A secretária municipal de Saúde de Dourados, Berenice de Oliveira Machado de Souza, foi intimada para prestar depoimento sobre a falta de médico plantonista no Hospital da Vida nos dias 19, 20 e 21 de julho deste ano. Além de atual gestora da Saúde, Berenice é interventora da Fundação de Serviços de Saúde (Funsaud), que administra o Hospital da Vida e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

O depoimento, marcado para 9h do dia 27 deste mês, na sede do Ministério Público Estadual (MPE-MS), em Dourados, faz parte do procedimento instaurado pelo promotor Etéocles Brito Mendonça Dias Júnior para investigar “eventual irregularidade no atendimento por falhas na composição da escala de médico, bem como apurar as causas que levaram à falta de assistência” ao motociclista Roberto Gonçalves Braga, 34.

Vítima de acidente de trânsito na avenida Marcelino Pires na noite de 21 de julho, Roberto morreu depois de três paradas cardiorrespiratórias dentro do hospital. Quando ele foi levado para hospital pelo Serviço Móvel de Urgência (Samu), não havia médico plantonista na unidade. A falta de médico foi anotada no prontuário da equipe de socorro.

O Hospital da Vida é único a fazer atendimento de urgência, emergência e traumatológico através do Sistema Único de Saúde (SUS) para 33 municípios da região onde moram pelo menos 800 mil pessoas.

No procedimento instaurado no dia 14 deste mês, o promotor afirma ser “inadmissível” a Funsaud admitir a morte do paciente durante a troca de médicos plantonistas. “O médico plantonista do Samu que atendeu o caso em questão afirmou que naquela ocasião foram informados pela equipe da área vermelha do Hospital da Vida de que não havia nenhum médico plantonista naquele momento”, cita Etéocles Dias Junior.

Segundo o promotor, quatro médicos que estariam envolvidos na troca do plantão do dia 21 de julho de 2019 no Hospital da Vida relataram “sucessão de erros administrativos de grossa monta” que contribuíram para a morte do paciente, vítima de acidente de trânsito na avenida Marcelino Pires.

DEPOIMENTO

Na manhã de hoje, o MP ouviu as declarações do atual coordenador do Samu, Renato Vidigal. Ele contou que no dia anterior à morte (20 de julho) estava de plantão no Samu e havia testemunhado situação semelhante.

Segundo Vidigal, que foi secretário municipal de Saúde até o ano passado, no sábado, dia 20 de julho, vítima de acidente foi levada para o hospital, mas não recebeu atendimento por falta de médico plantonista e por isso ele teve de ficar do lado do paciente até a chegada de alguém.

Vidigal afirmou que a situação se repetiu no domingo, 21 de julho, quando o médico do Samu ficou por mais de uma hora no hospital tentando reanimar o motociclista acidentado “e não apareceu nenhum médico do Hospital da Vida para ajudá-lo”.

O CASO

No dia 19 de julho, o Campo Grande News publicou reportagem informando que o hospital ficaria sem médico naquele fim de semana, conforme atestava Comunicação Interna enviada pelo gerente do hospital Thiago Shindi Silva Tanaka à coordenada da intervenção Maria Izabel de Aguiar, ao diretor-técnico da Funsaud Rodrigo Aparecido Bezerra da Silva e aos diretores técnico e médico do hospital, Majid Ghadie e Raul Espinosa.

Tanaka relatou falta de médico plantonista para trabalhar naquele fim de semana, mas o problema foi negado pela secretária Berenice Machado.

Indagada pela reportagem sobre a CI do gerente, Berenice disse que a informação não era procedente e que a Comunicação Interna tinha sido foi enviada sem seu conhecimento. “Estamos com nova equipe de plantonistas”, garantiu.

Entretanto, a falta de médicos plantonistas foi comprovada pelo intervencionista do Samu Thaigor Rezek Varela, que participou do socorro ao motociclista Roberto Gonçalves Braga. “Na chegado ao Hospital da Vida o mesmo estava sem médico na área vermelha e verde”, anotou o médico, no prontuário.

“Alfa [equipe do Samu] permaneceu por volta de 1 hora e 20 minutos no Hospital da Vida devido o mesmo estar sem médico. Entramos em contato com o diretor clínico e com o diretor técnico. Ambos não atenderam a ligação”, citou o médico.

O problema também foi relatado pelo chefe da equipe de enfermagem Edimilson Maciel de Souza: “Paciente vítima de acidente moto x carro. TCE grave, fraturas múltiplas. Transportado até a área vermelha do HV, paciente veio a entrar em PCR [parada cardiorrespiratória], sendo realizado RCP [reanimação cardiopulmonar], sem sucesso: OBS: HV sem médico na área vermelha”.

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