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Fátima do Sul, 24 de Setembro de 2017
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3 de Julho de 2017 10h57

Polícia Federal cumpre 8 mandados de prisão em nova etapa da Lava Jato no Rio

Operação Ponto Final rastreou R$ 260 milhões em propina envolvendo a cúpula do setor de transporte do RJ. Presidente da Federação dos Transportes e ex-presidente do Departamento de Transportes foram presos.

G1
Polícia Federal entrou no prédio de Lélis Teixeira, na Lagoa, por volta das 6h30 (Foto: Cristina Boeckel/G1)Polícia Federal entrou no prédio de Lélis Teixeira, na Lagoa, por volta das 6h30 (Foto: Cristina Boeckel/G1)

A Polícia Federal (PF) realiza na manhã desta segunda-feira (3) mais uma etapa da operação Lava Jato no Rio de Janeiro. Desta vez, o foco da ação é a cúpula do transporte rodoviário do estado. Os agentes estão nas ruas para cumprir oito mandados de prisão, dos nove que foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal.


Duas prisões foram confirmadas: de Lélis Teixeira, presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), e de Rogério Onofre, ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Rio (Detro).


Na noite de domingo (2), a força-tarefa da Lava Jato antecipou parte da operação e cumpriu o outro mandado de prisão, contra Jacob Barata Filho, um dos maiores empresários do ramo de ônibus do Rio. Ele foi preso no Aeroporto Internacional Tom Jobim, ao tentar embarcar para Lisboa, Portugal.
A polícia suspeita que ele ficou sabendo da operação e tentava fugir – a defesa nega. Investigações do Ministério Público Federal e da PF encontraram indícios de que o empresário teria pagado milhões em propina para políticos do Rio.


Presos confirmados:
Jacob Barata Filho, empresário do setor de transportes
Rogério Onofre, ex-presidente do Detro
Lélis Teixeira, presidente da Fetranspor


De acordo com as investigações da Operação Ponto Final, foram rastreados R$ 260 milhões em propina pagos pelos investigados a políticos do estado. Não foram divulgados detalhes de como esses valores eram distribuídos.


Aproximadamente 80 policiais federais cumpriram 9 mandados de prisão preventiva, 3 de prisão temporária e 30 mandados de busca e apreensão. A operação busca desarticular uma organização criminosa que atuava no setor de transportes urbanos do Estado do Rio de janeiro.


Os agentes também fazem buscas nas cidades de São Gonçalo e Paraíba do Sul, no estado do Rio de Janeiro, e nos estados do Paraná e Santa Catarina.


Por volta das 6h30, agentes da PF entraram no apartamento de Lélis Marcos Teixeira, presidente da Fetranspor, que engobla 10 sindicatos do estado, e da Rio Ônibus (sindicato do município do Rio), na Lagoa, Zona Sul do Rio.


Lélis já havia sido levado em condição coercitiva em outra operação da Lava Jato e desta vez tem um mandado de prisão contra ele. Já preso, ele ficou até as 9h40 em sua casa com policiais que buscavam documentos e outras provas. Foram apreendidos relógios, anéis, colares e discos rígidos de computador, além de obras de arte, US$ 5,5 mil e mais uma quantia em reais.


Levado em um carro descaracterizado da polícia, Lélis chegou na sede da Superintendência da PF pouco antes das 10h, sem falar com jornalistas.


Prisão em Florianópolis
Rogério Onofre, ex-presidente do Detro, foi preso em Florianópolis, segundo informações da TV Globo. Agentes da PF também cumprem mandados de busca e apreensão na capital de Santa Catarina e no Leblon, na Zona Sul do Rio, em imóveis ligados a Onofre.


Segundo investigações, pelas mãos de Onofre passaram pelo menos R$ 40 milhões em propina. Ele é advogado, ex-prefeito de Paraíba do Sul – com dois mandatos – e foi indicado em 2007 pelo então governador Sérgio Cabral, também preso na Lava Jato, para a presidência do Detro, órgão que fiscaliza o transporte intermunicipal no Rio. Em um perfil no Facebook sobre sua gestão, Onofre diz que recebeu autonomia total para combater o crime.


Policiais federais também foram a um condomínio na orla da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, para cumprir mandado de prisão contra José Carlos Lavoura, integrante do conselho da Fetranspor. Os investigadores, no entanto, receberam a informação de que ele está em Portugal. A PF vai acionar a Interpol para encontrar Lavoura.


Marcelo Traça Gonçalves, presidente do Sindicato de Empresas de Transporte Rodoviário do Rio de Janeiro, também teve a prisão decretada, assim como outras quatro pessoas que não tiveram os nomes divulgados.


A operação desta segunda-feira foi baseada nas delações premiadas do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado Jonas Lopes e do doleiro Álvaro Novis.


O que dizem os citados?


Em nota, a defesa disse que o empresário Jacob Barata Filho estava com passagem de volta de Portugal marcada para 12 de julho, "ao contrário do que foi veiculado na imprensa". "Ele estava realizando viagem de rotina a Portugal, onde possui negócios há décadas e para onde faz viagens mensais. A defesa do empresário irá se pronunciar assim que tiver acesso aos autos do processo", explica a assessoria de imprensa.


O G1 entrou em contato com a assessoria da Fetranspor, mas até a última atualização desta reportagem não obteve resposta. A reportagem ainda não conseguiu contato com os outros citados.

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