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O FALSO PADRE

Homem que fingia ser padre prometeu cura espiritual para leucemia que vítima não tinha

5 Dez 2019 - 12h11Por G1 MS

O falso padre  Luiz França de Lima, de 25 anos, além de ter conseguido dinheiro de uma família de Seropédica, na Baixada, prometendo a anulação de um casamento, também solicitou uma quantia para conseguir a cura de uma das vítimas. Luiz inventou que a jovem estava com leucemia e afirmou que precisava ir a um médico espiritual no Rio Grande do Sul. Ele chegou a fazer a viagem e trouxe um líquido para a vítima beber. Ela, no entanto, nunca teve a doença.

A informação foi dada à polícia informalmente por uma das testemunhas do caso. A jovem vítima é a mesma cujo casamento seria invalidado. Luiz afirmou à Polícia Civil, na terça-feira, que sempre teve o sonho de ser sacerdote. Ele também alegou ter distúrbios mentais e traumas de infância, como a morte violenta do pai. O falso padre é acusado pelas vítimas de aplicar um golpe de mais de R$ 100 mil.

Em depoimento, a jovem relatou ter cedido um quarto de sua residência porque Luiz contou haver passado num concurso para dar aulas na Universidade Rural do Rio, em Seropédica, e no período de um ano e meio conseguiria uma residência funcional para morar.

Em seu depoimento à polícia, Luiz admitiu ter cursado apenas até a 5ª série do ensino fundamental e afirma que recebeu R$ 50 mil para anular o casamento, mas “não fez nada”. Ele afirmou que gastou o dinheiro com as viagens que fez e na compra de terrenos na cidade de Santa Cruz, Pernambuco.

No período em que Lima morou na casa da família, a jovem relatou que, por ser muito católica, em alguns momentos percebeu que o rapaz “deixava a desejar” em vários ritos religiosos e cometia “diversos equívocos inaceitáveis para alguém com bastante experiência”. Para manter a farsa, o falso padre celebrava missas diariamente na casa da família.

Por causa do tempo que demorou o processo de anulação do casamento, a família passou a desconfiar de Lima. A jovem resolveu fazer contato com a Universidade Rural e descobriu que Lima não era professor da instituição. Além disso, teve informação de que ele não havia feito Doutorado em Filosofia na Pontifícia Universidade Católica do Rio, como havia alegado.

As vítimas acusam Luiz de ter furtado ainda um celular na casa e acreditam que ele tenha instalado câmeras na residência. O rapaz, apesar de se apresentar como padre, admitiu à polícia que tem um relacionamento homossexual.

Após prestar depoimento nesta terça-feira, Luiz França de Lima foi liberado. Ele será indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de estelionato, furto qualificado e falsidade ideológica.

 

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