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AGÊNCIA BONITO THIAGO
ADVENTISTAS MS

Vida em comunidade muda a forma de compartilhar o evangelho no interior do MS

A ideologia da vida em comunidade aumenta ao passo em que as pessoas passam pela experiência da convivência real, desfrutam de uma amizade genuína e entendem que a essência desse modelo de vida é partilhar o amor de Deus

28 Jun 2019 - 07h15Por Redação Fatima News

Qual é a essência da vida em comunidade? A pergunta feita para um grupo de pessoas de diversas faixas etárias da cidade de Naviraí (distante 360 quilômetros da capital, Campo Grande), teve resposta unânime: o amor.

Sim. O amor. Esse mesmo que tanto ouvimos em sermões, histórias bíblicas e canções. Mas, no dia a dia, requer certo esforço para ser notado. Nessa pequena cidade de pouco mais de 45 mil habitantes, entretanto, a história é outra. A Igreja Adventista nessa região está há quase um ano vivendo em pequenos grupos de pessoas – além das reuniões tradicionais no templo da igreja -, durante a semana, reúnem-se nas casas uns dos outros e experimentam o modelo de vida em comunidade, solidificando relacionamentos através da amizade, do amor ao próximo e da comunhão. Passos que já apresentam resultados e mudanças de perspectiva, como é o caso da dona de casa Natalia Orrutia. “Eu e meu marido tínhamos uma ideia negativa dos cristãos. Hoje, sou grata à comunidade por causa do amor e acolhimento que tiveram comigo e com a minha família. O pequeno grupo é a minha segunda família, minha segunda casa”, conta.

Alex Miranda, membro da IASD em Naviraí, vive em comunidade e mesmo morando distante da cidade, semanalmente reúne-se com seu grupo e está pronto a oferecer apoio a quem quer que necessite

Questionada sobre a vivência prática do amor de Deus e Seus ensinamentos, Natalia dá nome a quem a inspira na busca por Cristo. “O Alex e sua fé são uma inspiração. Ele demonstra o amor de Deus às pessoas de uma forma pura e rara de se ver, pois não mora aqui em Naviraí, mas é o líder da nossa comunidade e, mesmo vivendo em um sítio a 25 quilômetros de distância, faça chuva ou faça sol, ele pega sua moto e vem à cidade para estar conosco. Isso me fortalece”, emociona-se.

Alex Miranda, líder do grupo que Natalia participa semanalmente, explica porque esse modelo de vida em comunidade tem dado certo em sua região. “A partir do momento em que a gente partilha o pão, tanto o espiritual como o físico, ora junto, conversa, procura entender como foi o dia, saber das pessoas, das dificuldades, das alegrias, isso nos torna próximos de verdade e é aí que conseguimos entender o amor de Deus por nós. Vai ter desafio, vai ser difícil, mas toda essa vivência é um passo a mais em direção ao céu e é assim que eu cresço espiritualmente”, pontua.

E foi exatamente esse tipo de acolhimento que alcançou a vida da jovem Tamires Almeida. Dessa vez, em uma comunidade composta por adolescentes. “O pequeno grupo foi muito importante quando eu estava passando por um período difícil em minha vida. Foi a maneira como eu fui acolhida e a forma com que me trataram que fez a diferença para que eu continuasse a frequentar a comunidade e, a partir disso, conhecer de perto o amor e cuidado de Deus”, conta a jovem, que decidiu batizar-se na Igreja Adventista depois de conviver em uma comunidade (pequeno grupo), onde sentiu-se parte de algo maior. “Depois de frequentar o PG, comecei os estudos bíblicos e, mesmo ainda não sendo batizada, o grupo continuou me incluindo em todas as atividades da igreja e acredito que isso foi determinante para que eu estivesse aqui hoje”, lembra Tamires.

Tamires Almeida, jovem de 18 anos. Depois de enfrentar um momento difícil, entendeu o amor de Deus por ela, através do amor e cuidado de outras pessoas.

Para a líder desse grupo especial, Érika de Oliveira, a proposta é clara: quanto mais ação envolvendo os jovens, mais eles entenderão que podem contar com a igreja. “Quando a Tamires chegou no grupo nós a tratamos exatamente como uma adolescente. Ou seja, mesmo papo, mesma conversa e, logo em seguida, os outros adolescentes a envolveram e os colocamos para fazerem coisas juntos. Esse é o âmago da nossa comunidade. Ela não é uma reunião semanal. Ela tem uma reunião, mas a base é estarem juntos, bolando ideias na igreja, fora da igreja, visitando alguém que está precisando, saindo para fazer um pôr do sol, dando estudo bíblico, enfim, envolvê-los em tudo o que a igreja propõe, mas sempre de acordo com o que a faixa etária deles estimula, que é a criatividade, a ação e a disposição em fazer mais”, acredita Érika de Oliveira.

Para Renato Napolitano, contador da Prefeitura Municipal de Naviraí e líder de uma dessas comunidades da Igreja Adventista na cidade, a ideia pode transformar a vivência da igreja, mas é necessário entender que a essência desse estilo de vida é o amor de Deus na prática sendo compartilhado através de pessoas que se disponibilizam para essa missão especial.

Membros da Igreja Adventista de Naviraí que vivem em comunidades de pessoas (pequenos grupos), onde se apoiam, se solidarizam com as dificuldades dos outros, dividem alegrias, estudam a Bíblia e vivenciam, na prática, o amor de Cristo

“Vale a pena quando você se depara com o que Jesus tem feito, ou seja, nos usado como instrumentos Seus, através da vida em comunidade. Temos visto o amor de Deus alcançando a sociedade de uma maneira geral. Vemos pessoas que estavam em outro caminho e não conheciam o amor de Deus dessa forma simples, dessa maneira prática e amável, que no final de tudo, é simplesmente gente cuidando de gente”, enfatiza.

De acordo com o líder da Igreja Adventista em Naviraí, pastor Orlando de Oliveira, a ideologia da vida em comunidade aumenta ao passo em que as pessoas passam pela experiência da convivência real, desfrutam de uma amizade genuína – talvez como nunca antes na vida – e entendem que a essência desse modelo de vida é partilhar o amor de Deus. “Eu acredito que no DNA de uma comunidade (pequeno grupo) tem multiplicação. Porque à medida que a gente vai se conhecendo, se amando, a gente começa a ter vontade de vivenciar esse mesmo processo com outras pessoas e é aí que começa a multiplicação dessa maneira de viver o evangelho prático”, conclui. (Por Rebeca Silvestrin)

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