Uma pesquisa inédita revelou que a visão do brasileiro e do paranaense não anda lá essas coisas. Cerca de um quarto dos brasileiros (24%) sente dificuldade visual ao ler um livro, por exemplo. Menos da metade dos entrevistados (46%) avaliou sua visão como satisfatória e 27% sinalizaram que sua visão está fraca ou muito fraca. Esses números, que são bastante preocupantes, não são diferentes no Estado do Paraná, segundo o doutor Luiz Geraldo Simões de Assis, que é diretor clínico do Instituto de Oftalmologia de Curitiba.
"Esta estatística também acompanha uma realidade que visualizamos entre os nossos pacientes, não sendo diferente no Paraná do restante do Brasil. Quando se afirma que um quarto dos brasileiros sente dificuldade para ler, sabemos que isso é bastante claro na realidade brasileira e que muitos fatores também podem influenciar esta estatística. Um deles, por exemplo, é a impossibilidade de acesso médico pela população, ou o acesso médico com a impossibilidade da aquisição de lentes corretivas", afirma Simões de Assis.
A pesquisa, que foi realizada também em outros países como Alemanha, Itália, China e EUA encomendada pela empresa Zeiss, de lentes de precisão, e realizada pelo instituto inglês YouGov, também revela que 40% dos entrevistados não fazem consultas nem testes visuais a cada ano, como recomendado pelos oftalmologistas.
Esse dado, segundo o diretor clínico do Instituto de Oftalmologia de Curitiba, é bastante presente no dia a dia dos consultórios. "Geralmente os pacientes procuram o atendimento apenas quando percebem que a visão não esta satisfatória. Muitas vezes, é necessário que as pessoas sejam reprovadas num teste de avaliação da acuidade visual no Departamento de Trânsito para perceberem que estão deficitários".
De fato, os números do estudo retratam o dado apontado pelo oftalmologista e a falta de segurança a que ficam expostos. Segundo a pesquisa, dos brasileiros ouvidos, 24% confirmam sentir dificuldades quando estão dirigindo. O índice aumenta para 26% quando dirigem à noite. De acordo com Assis, isso é mais comum do que se imagina. "É fato que os pacientes podem ter a visão gradativamente diminuída e não se darem conta por falta de uma consulta periódica", explica ele.
Outro dado que o levantamento indica é que 89% da população brasileira fariam exames oftalmológicos com mais frequência, se sentissem necessidade médica, enquanto outros 86%, se soubessem que sua visão poderia ser melhorada. Segundo Simões de Assis, não é necessário ter necessidade médica para freqüentar o oftalmologista. "É imprescindível consultar seu oftalmologista periodicamente. Após a juventude, uma boa periodicidade é consultar a cada dois anos. Outro cuidado fundamental é não usar remédios ou colírios sem prescrição médica", alerta ele.