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11 de Novembro de 2017 08h27

O tubarão 'pré-histórico' com 300 dentes capturado por acidente

Espécie, que habita as profundezas do oceano, está na Terra antes dos homens, mas muitas incógnitas ainda cercam sua existência.

G1
Dentes do tubarão-enguia chamam atenção (Foto: Marian Torres)Dentes do tubarão-enguia chamam atenção (Foto: Marian Torres)

Quando os biólogos marinhos se depararam com ele na rede de pesca, viram de cara que não se tratava de um animal comum.

Não se parecia com nada que haviam visto antes. Tinha uma cabeça redonda e uma longa fileira de 300 dentes finos e afiados, típicos de um predador.

Em pouco tempo, constataram que estavam diante do Chlamydoselachus anguineus, chamado popularmente de tubarão-enguia, uma espécie pré-histórica pouco conhecida.

O animal foi capturado em agosto próximo a Algarve, no sul de Portugal.

 

'Fóssil vivo'

 

Embora seja considerado um "fóssil vivo", o tubarão-enguia é uma espécie que se encontra bem distribuída geograficamente. Está presente de Angola ao Chile, da Guiana à Nova Zelândia, da Espanha ao Japão.

Mas pouco se sabe sobre os seus hábitos e o tamanho de sua população. Eles costumam viver a muitos metros de profundidade, o que torna difícil encontrá-los e monitorá-los.

No caso do tubarão capturado em Portugal, o animal foi apanhado por uma rede lançada a 700 metros de profundidade.

Mas o que o torna tão especial?

 

Sobrevivente

 

"Esse tubarão pertence à única espécie sobrevivente de uma família de tubarões em que todos os outros foram extintos", disse à BBC Margarida Castro, professora e pesquisadora do Centro de Ciências Marinhas da Universidade de Algarve.

"Alguns acreditam que essa espécie remonta ao período Jurássico tardio. Pode ser um pouco mais recente, mas, de qualquer jeito, estamos falando de dezenas de milhares de anos. Por isso, é muito antigo em termos evolutivos. Está na Terra certamente antes do homem", acrescenta.

Castro faz parte do projeto MINOUW, uma iniciativa para minimizar o desperdício de animais que são descartados nos navios de pesca europeus, o que explica a presença de pesquisadores em um barco de pesca comercial.

 

Predador

 

Embora a maioria dos tubarões tenha uma cabeça chata, e a do tubarão-enguia seja redonda, as barbatanas e a toda parte inferior do corpo não deixam dúvidas de que se trata de um tubarão, e não de uma espécie de enguia.

Mas, segundo a pesquisadora, o que é realmente único neste animal são os dentes.

 
Tubarão-enguia capturado. Diferentemente da maioria dos tubarões, esta espécie tem a cabeça redonda, e não achatada  (Foto: Marian Torres)Tubarão-enguia capturado. Diferentemente da maioria dos tubarões, esta espécie tem a cabeça redonda, e não achatada  (Foto: Marian Torres)

Tubarão-enguia capturado. Diferentemente da maioria dos tubarões, esta espécie tem a cabeça redonda, e não achatada (Foto: Marian Torres)

"Ele tem uma grande fileira de dentes perpendiculares à mandíbula. São muito afiados, finos e apontam para dentro. Isso permite a ele pegar presas grandes e não deixá-las escapar, os dentes as impedem de sair", explica Castro.

"Claramente se trata de um predador muito agressivo", completa.

A espécie capturada em Portugal era um macho adulto de 1,5 metro de comprimento. Quando o animal foi retirado do mar, já estava morto.

"A partir dessa profundidade, a maioria dos peixes chega morta. A rede sobe muito rápido, e eles não sobrevivem à súbita mudança de pressão", esclarece.

 

Risco de extinção?

 

A escassez de informação sobre a espécie dificulta saber, inclusive, se ela corre risco de extinção.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN, na sigla em inglês) classifica o tubarão-enguia como uma espécie "quase ameaçada", devido ao receio de que a expansão da pesca em águas profundas aumente os casos de captura acidental.

Para Castro, no entanto, ainda é muito difícil responder se é realmente uma espécie ameaçada.

"Não sabemos qual é a proporção de captura. Se a taxa de pesca é proporcional ao quão rara é sua presença no oceano, então estamos diante de uma espécie ameaçada de extinção, mas não temos essa informação neste momento", aponta.

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