Narciso chegou para ser treinador do sub-20 do Corinthians há cerca de um ano e já conquistou a diretoria do clube. Venceu a Copa São Paulo deste ano e lapidou diversos jogadores que tem um futuro promissor, como o zagueiro Marquinhos, aproveitado no profissional.
O prestígio é tanto que, em entrevista exclusiva ao R7, o ex-atleta revelou que conversa com o clube para assumir o profissional quando estiver com quarenta anos. Isso será em 2014.
"Já tive proposta [para treinar outros times], mas no momento não é o que eu penso. Eu tenho uma conversa com o Corinthians de poder assumir o time profissional quando eu tiver 40 anos. Então, até os meus 40 anos, a não ser que o Corinthians me mande embora, eu continuo aqui".
Enquanto espera a data chegar, o ex-volante do Santos ganha experiência na base. Apesar de toda a estrutura oferecida pelo Corinthians, no entanto, Narciso é implacável ao reclamar da falta de atenção de Tite e da comissão técnica do time profissional.
Segundo ele, é preciso olhar mais para as crias da casa. Para ilustrar, ele usou como comparativo seu ex-clube, famoso por formar grandes atletas, como Neymar e Robinho.
"A diferença é que o Santos acredita mais nos atletas da base. Eles colocam para jogar no profissional. O Corinthians tem mais dificuldade nessa transição da base para o profissional. O Corinthians ficas com receio de apostar no jogador. Acho que já teve um tempo em que apostava mais e o Corinthians precisa resgatar isso, acreditar na base. Só assim vai ter novamente um ídolo nascido na sua casa".
Para Narciso, o que falta é uma aproximação entre profissional e base. Ele se ressente da inexistência de coletivos entre as duas equipes. Conversas com Tite também são raras.
Falta um canal de comunicação mais fácil e prático para que os garotos possam ter mais contato com o time principal e assim habituar-se ao ritmo diferenciado.
"Não tenho acesso nenhuma ao Tite. Tive acesso a ele, ao profissional, quando fomos disputar a final da Copa São Paulo. O Andrés pediu para a gente treinar no CT do profissional. Estou há um ano no profissional do Corinthians e só teve um coletivo com eles. Isso é pouco. Os clubes gastam de seis a sete milhões no ano na base. Não é possível que um time como o Corinthians não tenha nem um atleta para se colocar por ano".