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Mato Grosso do Sul é referência mundial em biotecnologia agropecuária

Mato Grosso do Sul é um Estado pioneiro em pesquisa voltada a biotecnologia agropecuária.

15 Set 2019 - 07h44Por Portal do MS

Campo Grande (MS) – Mato Grosso do Sul é um Estado pioneiro em pesquisa voltada a biotecnologia agropecuária. A informação é do pesquisador Dr. Octávio Luiz Franco, responsável pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) “Bioinspiration Bioinspir — Bioinspired molecules applied to increase the production and quality of animal protein” instalado no campus da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB).

Segundo ele, apenas países como Holanda e Estados Unidos possuem centros de pesquisa nessa linha, envolvendo pessoas de múltiplas disciplinas atuando numa única direção, no caso de Mato Grosso do Sul, com foco na agropecuária. O centro possui equipamentos de baixa, média e alta tecnologia, e envolve pesquisadores das áreas de computação, física, bioquímica e biologia que atuam com foco no desenvolvimento de medicamentos “inspirados” em moléculas capazes de aumentar a produção e a qualidade da proteína animal.

“A ideia é Bioinspiração, é se inspirar na natureza para criar coisas novas”, Dr. Octávio Luiz Franco

“A ideia é Bioinspiração, é se inspirar na natureza para criar coisas novas. Todo mundo vem buscando novas estratégias para controle de bactérias, e tem gente que usa produtos naturais que seria o bio. Só que a gente tem visto nos últimos anos, que tudo que é biológico, funciona, mas não funciona tão bem que possa se tornar um produto. Então o que a gente pensou, talvez pegar esse conhecimento da natureza, e aplicar algoritmos de computador, que possam aumentar o potencial desses compostos para um determinado alvo”, pontua o pesquisador.

O Instituto possui um banco de dados de peptídeos, que são pequenas moléculas que contém informações sobre plantas, animais e microrganismos. Desse material serão analisadas características de informação para identificar quais as melhores contra bactérias causadoras de doenças como mormo e mastite. “O que nós fazemos? Descobrimos moléculas novas no serrado, no pantanal, pegamos a informação que a natureza levou milhões de anos para fazer e depois tentamos melhorar com uma equipe de bioinformática. Essas variáveis, a gente começa a aplicar para testar os produtos nos animais”, simplifica Octávio.

Bolsas

Os investimentos para implantação do INCT Bioinspiration Bioinspir totalizam R$ 7 milhões, sendo R$ 3,5 milhões de contrapartida do Governo do Estado por meio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect). O valor será repassado por etapas, e R$ 880 mil já foram liberados no início do mês de agosto pela gestão estadual. 

De acordo com o responsável pelo centro de pesquisa, cerca de 30% a 40% desse total, é destinado ao pagamento de bolsistas. “Temos bolsas de pós-doutorado, de doutorado, de mestrado, iniciação cientifica, iniciação científica júnior. E tem o treinamento de crianças que vão desde o 2° grau, 8° série, até pesquisadores sêniores super renomados que a gente tem recurso para trazer”, destaca.

Para ele que já morou em países como Inglaterra, Austrália, Cuba e Israel, trabalhando com pesquisas, o retorno ao Brasil foi para retribuir tudo que o país investiu na sua carreira. E a escolha por Mato Grosso do Sul foi devido aos investimentos na área apesar da crise.  “Enquanto todo mundo está quebrando, desesperado, nós estamos operando. Hoje já somos uma referência mundial, nosso grupo, dentro do país, está entre os 5 que mais publicam em nível mundial. A ciência e a educação são a base para superar qualquer crise. Se você tem boas cabeças você vai ter bons produtos, bom desenvolvimento, e assim por diante”, destaca.

Os países envolvidos no grupo de pesquisa da INCT Bioinspir são: Estados Unidos, Canadá, México, Colômbia, Cuba, França, Itália, Inglaterra, Holanda, Alemanha, Israel, China, Índia, Cingapura, Camarões, Gana, Austrália, Irã, Portugal, Espanha e Suécia. As parcerias no Estado acontecem entre estudantes da UCDB, a Fundect e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e Uniderp.

Salto de qualidade

Para o diretor presidente da Fundect, Márcio de Araújo Pereira, as pesquisas desenvolvidas no INCT, representam um avanço no padrão alimentar de qualidade da carne. “Graças a ciência e tecnologia, o Estado vai dar um salto na produção agroalimentar. Da pecuária, da agricultura, será um novo momento. Teremos melhores alimentos, com uso consciente dos defensivos, manejo integrado de pragas, com investimentos em moléculas bioinspiradas para controle de zoonoses, controle de trazer novos medicamentos, e por isso melhorar a produção animal, e também influenciar a produção genética do rebanho. Tudo está interconectado”, elencou.

Sobre os investimentos, que já totalizam R$ 75 milhões nos últimos 4 anos e 8 meses, ele é enfático ao afirmar que a base de todos os países que chegaram a algum lugar no quesito desenvolvimento, está ligada ao ensino, ciência e tecnologia. “No caso Mato Grosso do Sul que entende que isso é fundamental e estratégico, tanto que não deixou de investir em nenhum momento. Apesar de todos os problemas que tem acontecido em nível federal, a gente ainda conseguiu manter ainda uma estabilidade dentro do sistema de ciência. Cortar bolsas é perder talentos”, frisou.

Mireli Obando, Subsecretaria de Comunicação de Mato Grosso do Sul

Foto: Saul Schramm

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