Fátima do Sul, 23 de Maio de 2013
13 de Junho de 2012 - 17:35

Dólar sobe pelo terceiro dia seguido em pregão morno

Folha

O câmbio local teve um pregão morno nesta quarta-feira. Os dados sobre o fluxo cambial e a fala de membros do governo não foram determinantes na formação de preço, bem como os sinais vindos do mercado externo. O dólar comercial fechou a quarta-feira com valorização de 0,34%, para R$ 2,072, após fazer mínima a R$ 2,053 (queda de 0,58%).

Na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros), o dólar para julho passou o dia rondando a estabilidade e subia 0,14% a R$ 2,0785, antes do ajuste final.

O Banco Central (BC) seguiu fora do mercado de câmbio hoje. E para alguns operadores essa ausência ajuda a explicar parte desse descolamento.

DECLARAÇÕES

O mercado não reagiu à fala de dois membros do governo sobre câmbio. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, abordaram o tema e tom foi bem mais ameno do que o observado em ocasiões anteriores.

Em entrevista ao "O Globo", Mantega mudou completamente o tom e disse que algumas medidas de restrição ao capital externo poderão ser revistas no seu devido tempo. E que na primeira da fila para ser revogada seria o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 6% sobre captações externas inferiores a cinco anos. Essa barreira foi levantada em 12 de março.

Augustin, por sua vez, disse que o governo está trabalhando para evitar volatilidade excessiva no mercado. Ao ser questionado sobre o atual patamar do câmbio, ele afirmou que essas conversas sobre nível da moeda precisam ser vistas com cuidado. O câmbio é flutuante. O importante é não sair de certos parâmetros, disse, sem entrar em detalhes.

Para um tesoureiro, Mantega deu um recado claro: o governo está incomodado com essa pressão de compra do dólar.

Outra interpretação de analistas para essa postura menos beligerante com relação ao câmbio é que o real valorizado deixou de ser a prioridade do governo. Todos os esforços estão voltados, agora, em evitar um PIB ainda menor que os 2,7% de 2011.

A guerra cambial parece ter virado a guerra por crescimento. As declarações e as repetidas atuações do BC deixam claro que existe uma satisfação com o dólar ao redor dos R$ 2.

Fica a dúvida se essa postura muda novamente caso a taxa escorregue de volta para baixo dessa linha.

FLUXO CAMBIAL

Com ajuda da conta financeira, o fluxo cambial nos primeiros cinco dias úteis de junho está positivo em US$ 843 milhões. As entradas financeiras somaram US$ 1,127 bilhão, após uma saída de US$ 6,327 bilhões em maio, a maior desde novembro de 2008, auge da crise financeira, quando a saída foi de US$ 10,298 bilhões.

Já a conta comercial inverteu o sinal neste começo de mês e mostrou saída de US$ 284 milhões. Segundo o diretor da Pioneer Corretora, João Medeiros, esses números de junho mostram uma reversão do quadro mostrado no fim de maio, quando o fluxo foi negativo em US$ 2,691 bilhões.

No câmbio externo, o euro mostrou recuperação, apesar da situação para Espanha e Itália continuar mostrando piora. À tarde a agência de classificação de risco Egan-Jones cortou a nota da Espanha de B para CCC+.

A moeda europeia subiu 0,55%, para US$ 1,257. Na mão oposta, o Dollar Index, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, caiu 0,28%, a 82,16 pontos.