Fátima do Sul, 21 de Maio de 2013
11 de Julho de 2012 - 18:00

Avenida 9 de Julho de Fátima do Sul, por ela passa nossa história, por Wagner Cordeiro

Wagner Cordeiro Chagas

Wagner Cordeiro Chagas*

A Avenida 9 de julho da cidade de Fátima do Sul, principal via de tráfego e onde se concentra a maior parte do comércio, recebe esse nome em homenagem ao dia 9 de julho de 1954, data em que os colonos de Vila Brasil (segundo nome da cidade) atravessaram o rio Dourados, das imediações da atual Vila Nossa Senhora dos Navegantes, com destino às terras situadas do outro lado com intuito de ocupar aquela porção territorial tão desejada naquela época.

Durante o início do povoamento, os aventureiros exploradores dessa parte da colônia federal derrubaram inúmeras espécies de árvores para dar lugar às ruas e também para a construção das primeiras casas de moradia e de comércio. Dessa forma nasceu a avenida.

De meus tempos de infância guardo na memória diversas recordações dessa via pública, das quais seis delas foram marcantes para mim. A primeira foi a de um cortejo fúnebre, onde o caixão de uma jovem que fora brutalmente assassinada seguia no caminhão do Corpo de Bombeiros Militar. Lembro-me que a cidade parou naquele dia para acompanhar toda aquela tristeza.

 O segundo caso foi a construção do canteiro central, obra da terceira gestão do prefeito Samir Chafic Garib (1989-1992). Como meu pai tinha um bar em frente à Praça Getúlio Vargas eu ficava ali só observando o vai e vem de máquinas. Quando ficou pronto, foram plantadas diversas mudas plantas que eram regadas ao cair de tarde pelo chevolezão azul da administração municipal.

 Em terceiro lugar, vem a recordação da carreata realizada com os caminhões da prefeitura que haviam sido recuperados pela polícia após serem roubados da garagem municipal. No ano de 1997 participei como estudante da Escola Estadual Vicente Pallotti de uma grande marcha organizada pelas escolas e também pela Corporação dos Patrulheiros e Bandeirantes Mirins exigindo o fim dos assassinatos que assustavam a população. O evento ficou conhecido como "Fátima do Sul quer paz".

 Em quinto lugar, vem a recordação dos meus tempos de vendedor de picolé e salgados. Como era bom, além de ganhar alguns trocados para ajudar em casa, diverti-me muito e fiz amizades que até hoje são cultivadas. Não me esqueço do dia em que dois amigos e eu fizemos uma algazarra com as barulhentas buzinas dos carrinhos de picolé e poucos minutos depois meu patrão passou pelas imediações onde fazíamos a farra. Depois disso nunca mais me arrisquei a ir pelas ideias malucas dos outros.

Por último, vem a participação do desfile de 9 de julho de 2000, cujo tema do evento era a comemoração dos 500 anos do "descobrimento" do Brasil. Desfilei pela 8ª série da saudosa Escola Estadual Izabel Mesquita, representando soldados do Império do Brasil, vestido numa farda da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. Para mim foi o máximo, pois naquele momento ainda alimentava o sonho infantil de ser policial.

No entanto, ultimamente nem tudo têm sido flores na 9 de julho. A atual situação desta via vem me preocupando, trata-se da falta do antigo canteiro central -  aquele construído na gestão Samir Chafic, por meio do suado dinheiro público - o que coloca em risco a vida de todos os habitantes e visitantes desta maravilhosa e hospitaleira cidade que vem se tornando referência no turismo sul-mato-grossense, graças ao empenho de seu povo batalhador, principal agente da história da cidade, da gestão Ilda Machado e das parcerias feitas com o governo estadual e federal.

 Assim, como cidadão brasileiro no exercício de seu direito constitucional a livre expressão de pensamento, peço que a prefeitura, principal responsável pela organização do trânsito na cidade, conforme o artigo 24, parágrafo II do Código de Trânsito Brasileiro, tome alguma providência o mais rápido possível para evitar alguma tragédia.  Peço também aos responsáveis pelo comando da PM local que fiscalizem com mais freqüência o tráfego por ali para que os aloprados ao volante tenham mais respeito aos seres humanos que usam aquela via.

A TODOS OS (AS) FATIMASSULENSES QUE TÊM SUA HISTÓRIA LIGADA A AVENIDA 9 DE JULHO, MEUS PARABÉNS PELOS 49 ANOS DE CONSTRUÇÃO DESSA QUERIDA CIDADE.

*Mestrando em História pela UFGD e professor. E-mail: wc-chagas@hotmail.com