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Artigo da semana: 'Não desista do bem', por Luciano Gazola

Artigo da semana: 'Não desista do bem', por Luciano Gazola

15 Abr 2019 - 18h01Por LUCIANO GAZOLA
ARTIGO DA SEMANA -
 
POR LUCIANO GAZOLA
 
Eu estava na quinta série do 1• grau, hoje quinta do fundamental. Meus pais resolveram trocar Ijui por Santo Ângelo, voltaria pra cidade onde eu nasci e sai com um pouco mais de um ano.
48 Km não era uma distância significativa ou assustadora. Mas o fato é que eu estaria trocando a rua Waldomiro Cortez em um bairro do sistema COHAB pela Avenida Venâncio Aires no centro de Santo Ângelo em frente à um dos dois exércitos da cidade. 
Significava que deixaria uma rua com quase duas dezenas de crianças da minha idade com as quais eu cresci, aprendi a falar e estava descobrindo a vida. 
Significava também que trocaria de escola, o que pra mim era um tremendo pesadelo. Mais tarde descobriria que existem pesadelos maiores, mas para aqueles dias bastava esse.
Rua nova. Cidade nova. Escola nova. Turma nova. Teria que fazer uma malabarismo social pra recuperar tudo que estava perdendo.
Entrar em uma escola nova no meio de um ano letivo é um grande desafio pra um adolescente. Eu encarei, a Escola era legal, era bem menor que Escola Estadual onde eu estudava antes, aliás ela ia só até a quinta série e depois éramos transferidos para uma escola gigante onde conclui meus estudos. 
Até hoje não sei dizer se aquela turma da quinta serie da Escola Cidade Santo Ângelo era tão “medonha” mesmo ou os padrões da escola onde um monte de filhos de militares estudavam é que eram elevados de mais.
Enfim, tivemos uma reunião com todos os pais presentes e professores. 
Todos podiam falar, chegou a minha vês e eu automaticamente comecei a me incriminar, disse que erra “bagunceira” que por vezes não respeitava professores e colegas. Minha mãe do meu lado escutava desconfiada. 
Uma professora tomou a palavra e começou a me desmentir na frente de todo mundo, dizendo que eu não fazia parte da “galera do mal”. 
Me senti um lixo. 
Nem pra isso eu servia. 
Não me importava se eles eram do mal, eu queria ser aceito, fazer parte. 
Ser bom não era legal. Ser bom não era bom.
Hoje com 40 anos não sinto mais vontade de ser aceito ao custo de deixar de ser eu mesmo. 
Mas chegamos em tempo tão estranho que as pessoas estão desistindo de fazer o bem. Aquele velha verdade de que o mal não compensa está absurdamente questionada nos nossos dias pela desconfiança de que muita gente má tem se dado bem.
Honestidade virou raridade.
A gente se espanta quando alguém faz o bem.
Nos dias do achado não é roubado sobreviver honestamente é um exercício diário. 
“Ah mas todo mundo faz”.
“Se eu não pegar alguém pega”.
“Eu não sou santo mesmo”.
Ficou difícil acreditar nas pessoas, e a arte de se relacionar vai dando espaço para o individualismo. 
Você contrata um funcionário com medo de que ele vá te prejudicar.
Você compra um produto com medo de ser enganado.
Você se relaciona com desconfiança.
Por isso que nos dias em que o certo virou flexível as pessoas de bem precisam insistir na bondade.
Tem muita gente desistindo da bondade.
Resistir é o caminho.
Que resisti sobrevive e deixa sementes.
 
*Luciano Gazola, teólogo, comerciante e chefe de cozinha.

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