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Fátima do Sul, 25 de Outubro de 2014
21 de Março de 2012 11h45

Leia o conceito sobre “Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem”, por Luciane Zanchi

Conceito sobre “Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem”

A literatura a respeito do diagnóstico e tratamento de distúrbios, transtornos, dificuldades ou problemas de aprendizagem é vasta e fundamentada em concepções muitas vezes, divergentes entre si.

Devido o grande número de obras relacionadas ao assunto, torna-se inviável contemplar todas as possíveis definições e abordagens sobre esses conceitos.

De acordo com o CID – 10os Transtornos Específicos do Desenvolvimento das

Habilidades Escolares são compostos por grupos de transtornos manifestados por comprometimentos específicos e significativos no aprendizado de habilidades escolares.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM - IV)estima

que a prevalência dos Transtornos de Aprendizagem seja na faixa de 2 a 10% da população, dependendo da natureza da averiguação e das definições explicadas.

As alterações apresentadas por esse contingente maior de alunos poderiam ser designadas como “dificuldades de aprendizagem”. Participariam dessa conceituação os atrasos no desempenho escolar por falta de interesse, perturbação emocional, inadequação metodológica ou mudança no padrão de exigência da escola, ou seja, alterações evolutivas normais que foram consideradas no passado como alterações patológicas.

Conforme pode ser observado na definição acima, podemos considerar que há dois grandes grupos de Dificuldades de Aprendizagem:

(1) Dificuldades Escolares (DE)que podem ter como causas, as falhas no processo de alfabetização, inadequação do método pedagógico aos estilos e características de aprendizagem do aluno, excesso de mudanças de escolas, problemas escolares diversos (na dinâmica escolar), além de poderem ser resultantes de condições neurológicas diversas (epilepsia, paralisia cerebral e outros quadros neurológicos), deficiências em geral (física, mental, auditiva, visual, múltipla) e psicossociais (problemas na dinâmica familiar, estimulação inadequada e outros problemas sociais). É evidente que tais condições não são determinantes para que uma criança apresente uma dificuldade de aprendizagem, no entanto, irão influenciar o processo de aprendizagem.

(2) Distúrbios de Aprendizagem (DA)caracterizados por uma disfunção no Sistema Nervoso Central e decorrentes de uma falha no processamento das informações. Desse modo, a criança recebe adequadamente as informações do meio externo (visuais, auditivas e cinestésicas), porém há uma falha na integração, processamento e armazenamento dessas informações resultando em problemas na "saída" das informações sejam pela escrita, leitura ou cálculo.

O diagnóstico dos Distúrbios de Aprendizagem deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar formada por profissionais das áreas: Psicologia/Neuropsicologia, Fonoaudiologia, Psicopedagogia, Neurologia e Psiquiatria, uma vez que o quadro pode ser acompanhado por alterações em funções diversas que comprometem a aprendizagem da criança ou jovem.

  Dentre os Distúrbios de Aprendizagem, atualmente o que mais tem sido discutido e         abordado é a Dislexia, Disgrafia, Discalculia e TDAH.

As dificuldades de aprendizagem constituem o principal desafio para os           educadores. O fracasso escolar atinge as crianças em desenvolvimento, derrubam sua auto-estima, promovem dificuldades de relacionamento, distúrbios de comportamento e a marginalização daqueles que não se adaptam a regras sociais que não o reconhecem como sujeito em processo de aprendizagem.

Do enorme contingente de crianças com fracasso escolar, apenas uma minúscula fração consegue ser encaminhada a um recurso que permita compreender suas dificuldades, para obter algum atendimento a respeito da dificuldade que apresenta.

O diagnóstico precoce do distúrbio de aprendizagem é fundamental para a superação desta dificuldade. Desta forma se verifica a área mais comprometida e se encaminha para a abordagem terapêutica mais adequada.

Sabemos que existem vários fatores que afetam a cognição, como por exemplo: Fatores Emocionais que invadem os processos de pensamento (ansiedade, insegurança...); Orgânicos ( baixa visão/ audição...);  Neurológicos ( lesão cerebral, PC...); Comportamentais ( TDAH, Asperger...); Sindrômicos e muitos outros, os quais dificultam o diagnóstico, impedindo assim, que se faça uma intervenção precisa e eficaz. Por este motivo, é importante que se faça um trabalho em equipe, onde médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, Especialistas em Educação Especial, cada um em sua área, lançam mão de suas técnicas e conhecimentos específicos, a fim de oferecer um diagnóstico preciso, para que se faça uma intervenção apropriada para cada caso.

Em nosso trabalhonoCENAIPP , especialistas como Psicopedagogas, Psicólogas e Educadoras, observamos a preocupação dos pais com seus filhos que apresentavam dificuldades na escola, e que apesar de seu desempenho, dos professores e da própria criança, víamos a frustração e desânimo dos mesmos quando as metas de aprendizagem não eram alcançadas, o que levava essas crianças a um rebaixamento da autoestima e sentimentos de “não ser capaz”.

Por isso, quanto mais cedo qualquer distúrbio e/ou Dificuldade de Aprendizagem for percebida, maior a chance de iniciar o tratamento e alcançar êxito satisfatório no processo cognitivo e consequentemente, na aprendizagem,

As queixas relatadas pelos professores com maior incidência sobre o aluno que não aprende são:

  • Falta de atenção;
  •  Esquecimento;
  •  Dificuldade na leitura e na escrita;
  •  Dificuldade na matemática;
  •  Dificuldade nos processos de pensamento;
  •  Dificuldade nas atitudes de trabalho;
  • Problemas de comportamento e de motivação pelas atividades escolares;
  •  Frustração e fraca auto-estima;
  •  Problemas de estudo e de organização; 

A identificação precoce das Dificuldades de Aprendizagem no ensino pré-primário, ou mesmo antes, constitui, portanto, uma das estratégias profiláticas e preventivas mais importantes para a redução e minimização dos seus efeitos, pois, neste período crítico de desenvolvimento, a plasticidade neuronal é maior, o que quer dizer que os efeitos de uma intervenção compensatória e em tempo útil podem ter conseqüências muito positivas nas aprendizagens posteriores.

Para se desenvolverem estratégias preventivas temos que considerar para além dos educadores e dos professores, os próprios pais, pois como conhecem muito bem os seus filhos, podem notar neles padrões de desenvolvimento diferentes, mesmo no seio da mesma família.

Os pais, por exemplo: podem notar que um dos seus filhos tem mais dificuldades em dominar o alfabeto que outro, ou que tem mais relutância para aprender a ler ou é mais distraído e descoordenado. As preocupações dos pais respeitantes a estas questões devem ser seriamente consideradas, pois, na sua observação diária e na sua reflexão não profissional, podem evocar sinais muito importantes para organizar uma avaliação dinâmica do potencial de aprendizagem dos seus filhos.

Em suma, cabe aos professores e profissionais da escola, além, é claro, dos familiares, acompanharem o crescimento e o desenvolvimento de suas crianças e jovens, ao menor sinal de problema de aprendizagem, procurar verificar as causas e consultar um profissional. 

Luciane Zanchi Sperafico

Psicopedagoga, Especialista em Educação Especial,

Aperfeiçoamento em Neurociências da Aprendizagem e TDAH

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