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Pais de ginasta que morreu aos 17 anos acusam Pinheiros e Prefeitura de SP de descaso com a filha

Pais de ginasta que morreu aos 17 anos acusam Pinheiros e Prefeitura de SP de descaso com a filha

7 Mai 2019 - 14h44Por MSN

Quanto vale uma vida inteira dedicada ao esporte de alto rendimento, ainda mais quando se trata de uma adolescente?. “Vida de Atleta” é uma reportagem especial que apresenta detalhes do triste final da carreira de uma promissora atleta brasileira. Esta é a história de Jackelyne Soares da Silva, 17 anos, mais conhecida no mundo da ginástica artística como Jackie Silva.

Ela começou há 10 anos, quando, ainda criança, se encantou com os saltos e a magia de Daiane dos Santos em Mundiais e Jogos Olímpicos. A mãe de Jackie, Graciele, recorda o que a filha lhe disse, então com apenas 6 anos, após assistir à apresentação de Daiane nos Jogos de Pequim-2008, na China. Fique por dentro do mundo dos esportes com Sportingbet bônus de boas-vindas, conheça as vantagens e descubra o melhor bônus do momento.

O início de carreira da pequena Jackelyne foi difícil e gratificante. Ela tinha de sair do extremo leste da capital paulista para participar dos primeiros treinos e das primeiras peneiras no Esporte Clube Pinheiros, na Zona Sul de São Paulo.

A concretização do sonho se deu quando a candidata à ginasta entrou no clube para a primeira sessão de testes. Graciele lembra que a primeira atleta que ela encontrou foi justament Daiane, sua referência. Ali, não só Jackie, como toda a família, tiveram certeza que o caminho da menina pobre, nascida em uma Cohab em Itaquera, brilharia e venceria como atleta da ginástica artística.

Por nove anos, Jackie Silva representou o Pinheiros, conquistando muitas medalhas e troféus em competições nacionais e internacionais até chegar às categorias de base da seleção brasileira.

Demissão por Whatsapp e contrato que os pais não assinaram

Portaria da 32ª D.P.© Reprodução Portaria da 32ª D.P.

No dia 15, um dia antes de sua morte, já bastante debilitada e com muitas dores, a atleta foi levada pelo pai ao Hospital Paulista, no mesmo bairro da Zona Leste de São Paulo, por onde já havia sido atendida também no dia 12 de janeiro de 2019.

Os pais lembram com emoção e revolta a última vez que levaram a filha para ser atendida, sem sucesso e sem eficiência no Hospital Municipal Professor Waldomiro de Paula, também conhecido como Hospital Planalto, próximo à Arena do Corinthians.

Os pais só concordaram em nos conceder essa entrevista depois que o laudo da necropsia saiu. Na conclusão dos médicos legistas, Jackelyne morreu em decorrência de uma "infecção pulmonar que se espalhou para rins e coração".

Segundo Marcos e Graciele, havia muita desconfiança e fofocas sobre a causa da morte da filha. Chegaram até ouvir e ler barbaridades sobre o falecimento de Jackie. “Disseram que a minha filha faleceu porque tomava remédios tarja preta, para a depressão. Já outros diziam que foi por doping. Sou manobrista, mas sou formado em Educação Física, portanto não sou leigo. Jackie não tomava remédio algum por conta dos exames antidoping, tinha medo desse tipo de coisa, e eu jamais deixaria entrar na minha casa qualquer remédio que pudesse trazer prejuízo à saúde da minha filha e da minha família”, afirmou Marcos.

Na entrevista exclusiva concedida à ESPN, tanto o pai Marcos, quanto a mãe Graciele suspeitam de que houve negligência nas várias passagens da filha pelos hospitais públicos. “Toda vez que levamos a Jackie à UPA ou ao hospital era a mesma coisa. Demorava horas e horas para atender e quando atendiam, receitavam um analgésico para a dor. No início, ela reclamava de fortes dores lombares. A verdade é que nunca pediram um exame de sangue, urina ou um raio-x torácico para ela. Se tivessem feito isso, com certeza ela não teria morrido”, desabafa o pai.

Durante a entrevista com a mãe Graciele, o pai não parou de chorar um só minuto. Marcos também afirmou que ele e os outros quatro filhos escondem os remédios de casa para que a esposa não tente o suicídio. Em um momento da entrevista, ele lembrou dos últimos momentos com a filha ginasta.

“Um dia antes da morte, eu a levei para o hospital. Lá, sentada em uma cadeira velha e no meio do corredor, Jackie pediu que eu a abraçasse forte. Ela estava com muita dor e eu não entendi que aquilo era um gesto de despedida. Os médicos, como em todas as vezes, a liberaram para que voltasse para a nossa casa. No dia seguinte, me ligaram no estacionamento que eu trabalho pedindo para que eu fosse urgentemente para o hospital. Chegando lá, minha filha já estava morta. Até hoje, passados mais de três meses, ainda não tive coragem de perguntar a minha esposa o que aconteceu em casa, quando ela teve uma parada cardíaca. É uma ferida que ainda está muito aberta e a gente não tem coragem de tocar no assunto. Para você ter uma ideia, a minha filha mais velha, que estuda Enfermagem, se sente culpada por não ter conseguido salvar a vida da irmã”, afirmou o pai.

No depoimento de Graciele, a mãe disse que Jackie sofreu uma parada cardíaca em casa e que um vizinho a ajudou para levá-la ao hospital. Contou ainda que lá ela teve outras três ou quatro paradas cardíacas e que, segundo os médicos, se ela tivesse sobrevivido teria sérias sequelas. “Jackie foi muito forte. Lutou para ficar viva. Coloquei no peito dela a medalha mais importante que ela conquistou na carreira. O ouro de Cochabamba, na Bolívia, quando ela levou o Brasil ao lugar mais alto do pódio. O sonho dela era representar o nosso país nas Olimpíadas, ela achava que tinha chances de ir para os Jogos de Tóquio em 2020”, complementa a mãe.

Jackelyne da Silva era uma promessa do esporte olímpico brasileiro e dedicou sua vida toda à ginástica artística© Fornecido por ESPN do Brasil Eventos Esportivos LTDA Jackelyne da Silva era uma promessa do esporte olímpico brasileiro e dedicou sua vida toda à ginástica artística

Investigação e descaso

Jackie morreu no dia 16 de janeiro de 2019 às 14h e foi enterrada no cemitério da Vila Formosa. Ainda segundo os pais, o Pinheiros não ajudou e não esteve presente, nem com auxílio financeiro ou ajuda psicológica, já que, segundo eles, Jackie ainda era atleta do clube.

“Quando eu estava recolhendo um dinheiro para a realização do funeral da minha filha, um atleta, muito amigo de Jackie, me disse que eles (atletas) tinham um seguro de vida e que esse seguro custearia as despesas. Com relação ao Pinheiros, a verdade é que até hoje ninguém nos procurou. Eles só mandaram uma mensagem de pêsames para a família uns dez dias após o falecimento. Alguns falaram que eles pagariam tudo e que ofereceriam psicólogo para a minha esposa, que está enfrentando uma depressão profunda. Eles não nos chamaram nem para assinar o contrato de demissão da minha filha que, lembrando, era menor de idade”, continuou Marcos.

Sem dinheiro para pagar um advogado, a família de Jackie tem o apoio jurídico do criminalista Jonas Marzagão, que já está trabalhando no caso.

Segundo ele, foi aberto o inquérito policial nº 025/2019, instaurado no 32º Distrito Policial de Itaquera, sob os cuidados da delegada Áurea Albanez. As investigações já estão sendo realizadas a fim de esclarecer a razão da morte da Jackie: se houve negligência médica nas quatro passagens da paciente pela UPA ou se houve erro médico no atendimento da atleta na véspera da morte.

Para Marzagão, o importante é levantar todas as informações, inclusive em relação ao contrato da atleta com o Pinheiros, além dos depoimentos de outros atletas para saber se houve assédio moral ou não. Depois disso, decide-se se uma ação será movida na Justiça. A vida de Jackie, por outro lado, a família jamais terá como recuperar.

“No caso do Pinheiros, a gente vai entrar com um pedido para que possamos ter em mãos o contrato da atleta. Com relação a demissão por WhatsApp, não tem como comprovar que houve uma ilegalidade jurídica, mesmo sabendo que ocorreu um erro moral. Quanto à suposta negligência médica, temos de aguardar as investigações, já que a própria Secretaria Municipal de Saúde encontrou muitos entraves para acessar os prontuários, muito por conta do sigilo médico. Por isso, eles encaminharam o caso para o Cremesp, Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, para ver se eles conseguem investigar e esclarecer os motivos que levaram Jackelyne à morte”, disse o advogado.

O outro lado

Diante dos depoimentos gravados com os pais de Jackelyne, a reportagem procurou o Esporte Clube Pinheiros para ouvir a versão da instituição.

Por telefone, o diretor de Esportes Olímpicos e de Formação, Arnaldo Queiroz, prontamente aceitou o pedido para conceder uma entrevista.

No entanto, um dia após a conversa, a reportagem recebeu o telefonema do supervisor de comunicação do clube, Clemilton de Alcântara, o Miltinho. Na ligação, ele nos informou que a direção avaliaria se receberia a ESPN para a entrevista. Pediu também para que enviássemos, por e-mail, as perguntas que iríamos fazer durante a entrevista. “Precisamos avaliar suas dúvidas, que podem envolver diferentes áreas do clube”, afirmou.

Dois dias depois, sem receber a equipe de reportagem para a gravação da entrevista prometida, o Pinheiros respondeu algumas das questões, por e-mail. Veja abaixo:

ESPN - Quando, por que e de que forma o Esporte Cllube Pinheiros (ECP) decidiu demitir a atleta Jackeline da Silva?

Pinheiros - No fim de setembro de 2018, a atleta teve uma conversa com o técnico de ginástica artística, como é feito periodicamente com todos os atletas, para balanço e avaliação. A queda rendimento foi detectada de forma gradual nas temporadas 2017 e 2018 pelo conjunto de avaliações do CIAA (Centro Integrado de Apoio ao Atleta), e pelo desempenho em treinamentos de rotina e competições. Ao término daquela conversa, ela foi liberada dos treinos em razão da ausência de plenas condições técnicas para participar das competições de alto rendimento. O Clube manteve contato constante com a atleta, que inclusive foi convidada a participar do evento de encerramento das atividades de Ginástica Artística, no dia 10 de dezembro de 2018. Ainda no mês de dezembro, como não houve retorno da atleta com relação à sua carreira na Ginástica, o técnico enviou uma mensagem de Whatsapp confirmando a decisão de não seguir com a atleta na equipe. Formalmente, não foi feito o distrato do contrato, o que seria efetivado em janeiro. Infelizmente aconteceu essa tragédia que ficamos sabendo através dos colegas de treino, pois além de não frequentar mais o clube, a família não procurou o clube quando Jackelyne começou a ter problemas de saúde, e optou por levá-la por diversas vezes na UPA próximo a sua residência. O Clube ainda aguarda a divulgação da causa mortis da jovem Jackelyne para tentar entender o que efetivamente ocorreu nessa tragédia. Enfim quando ocorreu o seu falecimento, o contrato ainda estava vigente e os pagamentos de dezembro e janeiro estavam previstos, e só não foram realizados em razão da falta de assinatura do recibo, no mês de dezembro, e pelo encerramento a conta da atleta por sua família, em janeiro.

ESPN - Houve algum caso de bullying ou retaliação com atletas do ECP?

Pinheiros - Não. O Esporte Clube Pinheiros repudia veementemente qualquer prática de bullying e jamais retaliou seus atletas ou funcionários. Jackelyne, que fazia parte da equipe Pinheirense desde 2010, contou com acompanhamento constante para que pudesse atingir seus melhores resultados. Sua morte precoce foi recebida com imensa tristeza. O Pinheiros prestou todo o suporte possível e sempre esteve à disposição da família da ginasta.

A reportagem da ESPN também entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo para averiguar se houve erro ou negligência médica nas várias vezes em que Jackelyne foi atendida e a mandaram voltar para casa. Segue a nota da Secretaria: “Ao tomar conhecimento do caso, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo determinou a imediata apuração do atendimento prestado à Jackelyne Soares da Silva. A Autarquia Hospitalar Municipal (AHM) levantou todas as passagens dela por unidades de Saúde, analisou registros e ouviu depoimentos, mas encontrou dificuldades para obter informações conclusivas por conta de alegações de sigilo médico. Com isso, a Secretaria Municipal da Saúde aguardou a divulgação do laudo da necrópsia para encaminhar todas as informações obtidas à análise do Conselho Regional de Medicina. A SMS acredita que o Cremesp terá todas as condições de realizar uma investigação mais aprofundada e com a legitimidade de um órgão externo.”

Texto da demissão de Jackie via WhatsApp

O comunicado foi escrito pelo técnico Blanco sem edição por parte da reportagem: “Boa tarde Jackie, queria te comunicar que teu compromisso com o ECP termina 31 de dezembro de 2018 e não vejo nenhuma possibilidade de continuação. Estou sabendo que a Pitchi, te escreveu pedindo para você passar pelo clube para a assinatura dos contratos e recibos para que você possa receber os valores referentes a fins de 2018. Mais você não apareceu. Bom espero esteja tudo bem com você.Espero que tua passagem pelo ECP tenha te ajudado em parte de tua vida e desejo boa sorte nos novos desafios.Abraço Blanco.” 

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