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PROJETO ESPERANÇA

#CG120: Desempregado, mas com coração voluntário, ele reforma bicicletas com peças do lixo

Conseguir legalizar o projeto e encontrar mais voluntários para dar continuidade junto com ele é sonho que ele espera realizar em breve

9 Ago 2019 - 08h50Por Midiamax

A casa verde na rua Milton Insuela Pereira, no bairro Jardim das Virtudes, em Campo Grande, abriga os sonhos de Valdemir Dias, 41 anos. Há 7 anos, o vendedor, atualmente desempregado deu início a um projeto que veio do coração e até hoje não tem apoio financeiro: a ASPE (A Semente: Projeto Esperança).

Com o portão da casa já aberto, ele recebe a equipe do Jornal Midiamax com um sorriso tímido no rosto e pronto para mostrar aquilo que lhe dá brilho aos olhos, as bicicletas recicladas. Logo no quintal da frente é possível ver as carcaças, que para alguns é lixo, mas para Valdemir representa o sonho de ajudar quem precisa.

Mesmo com a grafia errada na placa, Valdemir se orgulha de poder ajudar quem precisa. (Leonardo de França, Midiamax)

Há quadros, rodas, parafusos, entre outras coisas espalhadas pela pequena varanda. Nada bagunçado, organizado na medida do possível, mas ali a vista de quem chega. Como se auto intitula, o Colecionador de Lixos, esbanja felicidade em contar sua história. Rapidamente ele vai para dentro da casa e busca algumas pastas com vários papéis.

Rapidamente é possível notar um certo embargo na voz de Valdemir quando pedimos para contar sua história. Ele pega um caderno azul, daqueles que crianças usam ainda nos primeiros anos da educação, e lê o relato do dia 29 de julho de 2012, quando ele ainda vendedor de uma loja de móveis e eletrodomésticos encontra com alguns andarilhos e decide querer ajudar pessoas.

Valdemir, lendo a anotação feita ainda em 2012. (Leonardo de França, Midiamax)

“Eu saí do trabalho aquele dia com a minha moto, e avistei um grupo de mais ou menos 8 pessoas naquele dia. Deus tocou no meu coração, então parei e perguntei se podia comprar um refrigerante e conversar um pouco. Eles ficaram ressabiados, e pediram uma pinga também, mas não comprei. Comprei dois refrigerantes e sentamos para conversar. Ali eu decidi que queria fazer algo a mais pelas pessoas”, relata Valdemir saudoso com o momento.

Há 26 anos, ele veio do Mato Grosso para Campo Grande em busca de emprego. Ainda criança, ele sonhava em ter uma bicicleta BMX – um modelo de fazer manobras. “Minha mãe trabalhava na roça e não tínhamos muitas condições. Com 12 anos eu consegui minha primeira bicicleta. Uma Caloi 10, comprei por 10 cruzeiros, lembro. Ela era branca e tinha marcha, na época era novidade. Comecei a mexer nela, aí tirei a marcha e só com o jogo de marcha eu troquei por outra bicicleta”, contou.

Aos 15 anos, Valdemir veio para a Capital sul-mato-grossense deixando para a mãe, em Mirassol d’Oeste no Mato Grosso, uma bicicleta que à época custava R$ 40. Entre tropeços e obstáculos, em 2016 ele começou a consolidar o sonho de reciclar as bicicletas.

“Bicicleta é minha paixão e eu me inspirava no passeio ciclístico do dia 1º de maio que acontece aqui em Campo Grande. E então eu estabeleci como meta doar 10 bicicletas em um passeio realizado no mesmo dia naquele ano. Eu estava ajudando um pessoal já, e eu sempre passava por uma bicicletaria ali no bairro Jardim Aeroporto e em fevereiro resolvi pedir umas carcaças que ele tinha lá. Tinha umas 30 lá, e ele disse que era só arrumar uma condução para buscar. Enfim buscamos”, relata.

“Comecei a reformar essas carcaças, com o objetivo de doar as 10 bicicletas no dia primeiro de maio. Mas eu começava a formar uma bicicleta, vinha alguém pedir, e nisso foram cinco bicicletas doadas para alguém da comunidade, aí eu ficava desfalcado porque nunca tinha as 10, mas foi boa. Foi mais ou menos uns 45 dias, e eu consegui montar 12 bicicletas, além das cinco que eu já tinha dado. Eu finalizei o ano doando 23 bicicletas. ”, lembra Valdemir.

No ano seguinte, ele se mudou após separar da mulher e foi morar em barraco em outra região. Orgulhoso ele mostra fotos de algumas crianças atendidas na época. “Já no ano de 2017, eu me divorciei e fui morar no Indubrasil, construí um barraquinho lá e reformava bicicletas”, relata. Ele tinha a meta de doar 50 bicicletas e alcançou as 75 doações.

(Leonardo de França, Midiamax)

“Eu fui ousado, se eu consegui fazer 17 bicicletas em 45 dias em 2016, eu podia fazer 50 em 2017. Em um mês fiz 20, depois mais 12 e quando vi já tinha montado 75. Mas funcionava assim, as pessoas chegavam lá precisando de bicicleta eu ensinava a montar e íamos trabalhando junto”, explica.

Nessa época Valdemir ressalta que contou com a ajuda de mais dois amigos, que foram essenciais para atingir a meta.

Em 2018, o salto foi maior do que ele imaginava, nessa estrutura de ‘monte junto’, ele chegou a doar 183 bicicletas. “Em janeiro de 2018 a gente já tinha doado 32 bicicletas, fechamos o ano com 183. Nessa época a gente teve um patrocínio também e ganhamos R$ 1 mil em peças de um amigo. Mas não é usual receber doações desse tamanho, por isso tudo que acho na rua, cada parafuso jogado no lixo, cada ruela que encontro são importantes. O que não serve para uma, serve para outra. Tem gente que chega aqui sem nada e tem gente que chega com alguma parte da bicicleta, mas ninguém sai sem”, conta.

Legalização

De volta ao Jardim das Virtudes, na casa onde tudo começou, ele desabafa que para 2019 não estabeleceu metas. Hoje casado novamente com a companheira de sonho Ana Claudia Nantes, 41 anos, ele está um pouco cansado e precisa de um emprego formal, mas não vai parar com o projeto.

“Eu tô cansado, a gente cansa. É muito trabalhoso, a gente precisa de recurso, e agora minha esposa está grávida de dois meses. O trabalho voluntário vai continuar, mas eu também preciso de uma fonte de renda para minha família”, reflete.

Valdemir mostrando o almoxarifado improvisado nos fundos da casa. (Leonardo de França, Midiamax)

“Para esse ano gostaria muito de conseguir a legalização do projeto, nós fizemos uma ação no dia 29 de julho para comemorar os sete anos. Doamos três bicicletas reformadas, cobertores, fizemos uma ação social. Foram várias crianças atendidas, foi bem legal. Mas meu projeto precisa ser legalizado para que eu consiga manter ele, construir um local, ter voluntários. Tudo isso vai fazer ele crescer. Que é o meu sonho”, explica.

Para que Valdemir consiga realizar o sonho da legalização e ampliação do projeto, que segundo ele, contará com aulas de música, esportes e atendimento psicológico, além do ensino da mecânica de bicicleta, são necessários R$ 5 mil e mais voluntários para trabalhar.

(Leonardo de França, Midiamax)

“Eu tenho minha esposa companheira e alguns amigos que me ajudam quando podem, mas hoje eu preciso de pelo menos R$ 5 mil e umas sete pessoas para nos ajudar. Não é fácil, é pesado. Eu amo ajudar as pessoas, eu gosto de dar novo sentido para o que encontro no lixo. Gosto de reciclar e fazer coisas para a comunidade, mas sozinho e sem recurso é pesado às vezes”, conta.

‘A Semente: Projeto Esperança’ atende qualquer pessoa que deseja, basta ter interesse. “Aqui o nosso critério é a vontade de ajudar e de aprender, é diferente quando você participa do processo de montagem da bicicleta. Tem criança que chega aqui e nunca teve uma bicicleta, e tem a oportunidade de fazer a própria bicicleta, o sentimento é outro. Nós aceitamos doações, aceitamos ajuda voluntária. Estamos abertos. Nosso desejo aqui é fazer a diferença”, conclui sorrindo Valdemir.

Se você quiser ajudar Valdemir, entre em contato com ele no 67 991051290

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