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FATIMA DO SUL - HISTÓRIA

O Nordestino na formação de Fátima do Sul

Fátima do Sul nasceu por meio da Colônia Agrícola Nacional de Dourados, a CAND, criada, em 1943, pelo presidente Getúlio Vargas (na época um ditador).

10 Ago 2018 - 08h15Por Redação Fatima News

Lembro-me com muita saudade de minha avó materna, Josefa Ferreira da Silva, nascida em 1938 na cidade de Bom Conselho, estado de Pernambuco, e falecida em 2013, em Fátima do Sul. De seu sotaque diferente, da pronuncia de palavras como “espia”, “derradeiro”. No entanto, ela chegou quando a cidade de Fátima do Sul já estava emancipada e caminhava com suas próprias pernas, no início dos anos de 1970, diferente do que aconteceu com aqueles primeiros, que aqui desembarcaram com suas malas, seus vários filhos e com muita coragem, o que já é característico dos habitantes daquela região do Brasil, para fundar este município.

Fátima do Sul nasceu por meio da Colônia Agrícola Nacional de Dourados, a CAND, criada, em 1943, pelo presidente Getúlio Vargas (na época um ditador). As terras distribuídas de forma gratuita atraíram pessoas de muitas partes do Brasil, principalmente da região Nordeste. A pesquisadora e professora Claudia Capilé mostrou isso em seu livro História de Fátima do Sul ao relatar que: “até a década de 1970, 60% da população do município era composta por nordestinos: 12% pernambucanos, 9% paraibanos e cearenses; 8% de alagoanos, sergipanos e baianos e 7% piauienses” (CAPILÉ, 1999, p. 46)

Dos nordestinos que ajudaram a fundar Fátima do Sul, muitos deles estão eternizados na memória da cidade, como nomes de ruas. Farei aqui uma breve apresentação de alguns deles, e para não correr o risco de ser injusto com os demais cidadãos e cidadãs que ajudaram a construir a história de nosso município, representarei alguns bairros da cidade que tenha uma rua com nome de pessoa oriunda do Nordeste.

No Jardim Brasilândia, o primeiro bairro da entrada da cidade, para quem vem de Dourados, todas as ruas homenageiam morados locais, uma delas faz homenagem a João Camilo Ramos, cidadão nascido em Sertãozinho, Alagoas, e que antes de vir para as terras da CAND, morou por um tempo no estado de São Paulo, como foi o caso de boa parte dos nordestinos que para este município vieram. Foi agricultor e também atuou como carroceiro transportando mudanças e guavira. Faleceu em 1979, deixando filhos e netos, sendo que uma de suas herdeiras, senhora Zilda Ramos, mulher de luta que ainda reside no bairro.

No Jardim Katira e também no Jardim O Pioneiro, encontra-se a rua Hegezipo Pedro de Menezes, sergipano da cidade de Boquim, que por aqui chegou em 1960. Mais conhecido na cidade como Zé Careca, foi proprietário de uma cerealista. Faleceu em 1996, tendo como uma de suas herdeiras a coordenadora escolar aposentada Rita Menezes.

O Residencial Ubatuba e o Jardim Tatiane possuem a rua Celcio Joaquim de Barros, em homenagem a um cidadão nascido em Bodocó, Pernambuco, em 1912. Também morou no estado de São Paulo, e no ano de 1952 veio com amigos, num caminhão, conhecer as tão comentadas terras da Colônia Agrícola Nacional de Dourados. Celcio também foi comerciante do ramo de cerealista. Faleceu em 1982. Sua filha ainda reside nesta cidade, a professora aposentada Neide Pereira.

O maior bairro da cidade Favo de Mel, Centro Educacional, tem a rua Daniel André de Souza, personagem baiano da cidade de Glória. Chegou aqui em 1952 e trabalhou como topógrafo, o único autorizado pelo IBRA (Instituto Brasileiro de Reforma Agrária), atual INCRA, a fazer esse trabalho naquela época. Uma de suas filhas é Cristina André, esposa do Rubens, ambos proprietários da Cuca Sorvetes.

Astrogildo Cézar Leal é nome de rua no Jardim Cavalcante. Cearense de Sabueiro, aqui chegou no ano de 1950 e em 1955 se casou, tendo 11 filhos. Foi um dos primeiros a abrir “picadas” no município e possuiu propriedade rural na linha do Guassu. Faleceu em 2012. Seus filhos ainda residem na cidade Favo de Mel, entre eles Aparecido Leal,

Para encerrar, destaca-se aqui um morador do Jardim Brasilândia, que tem orgulho da origem nordestina e praticamente todos os dias utiliza um acessório típico daquela região: o chapéu de vaqueiro. Trata-se de Zacarias Antônio Firmino, nascido em Mauriti, estado do Ceará, e que passou a residir na região em 1961. Zacarias de dona Terezinha, também cearense, tiveram 12 filhos, dos quais boa parte reside em Fátima do Sul. Habitante do pacato Jardim Brasilândia, desde 1992, ele é conhecido por toda comunidade como um autêntico nordestino que ajuda a construir a história de nossa gente.

Por fim, é preciso ressaltar que cidadãos de outras regiões do Brasil, como Sul e Sudeste, também contribuíram e ainda contribuem para o processo histórico do município de Fátima do Sul. No entanto, o trabalho inicial feito pelas mãos de muitos nordestinos e nordestinas merecerão sempre nossos aplausos.

 

VIVA FÁTIMA DO SUL PELOS SEUS 64 ANOS DE FUNDAÇÃO E 55 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA.

Wagner Cordeiro Chagas[1]

 


[1] Mestre em História pela UFGD e professor em Fátima do Sul. Filho e neto de NORDESTINOS com muito orgulho.

 

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