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ARTIGO - MS 40 ANOS: 'O Governo Harry Amorim Costa (Arena-1979)' - Por Wagner Cordeiro

MS 40 ANOS: 'O Governo Harry Amorim Costa (Arena-1979)' - Por Wagner Cordeiro

8 Mai 2017 - 07h24Por Por Wagner Cordeiro

MS 40 ANOS: O GOVERNO HARRY AMORIM COSTA (Arena-1979)

Wagner Cordeiro Chagas[1]

Ao continuar a série de artigos a respeito de alguns aspectos da história política do estado de Mato Grosso do Sul, fruto de 10 anos de pesquisa em diversas fontes e bibliografias, apresento aqui um breve histórico da primeira gestão do estado, a de Harry Amorim Costa, que administrou por 5 meses, entre 1º de janeiro e 12 de junho de 1979.

Nomeado governador, em março de 1978, Harry Amorim acompanhou naquele ano a eleição dos primeiros deputados estaduais, federais e de 1 senador (Pedro Pedrossian/Arena) da nova unidade federativa. Até a data da posse, segundo o historiador Ciro José Toaldo, Harry Amorim viajou por todos os 55 municípios existentes na época para conhecer as realidades de cada local.

Nascido no município de Cruz Alta, Rio Grande do Sul, em 1927, o engenheiro civil Harry Amorim conhecia algumas partes do estado, pois havia trabalhado por aqui quando ocupou a chefia do Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS). Técnico e não político, Harry Amorim implantou no estado um governo com as características de uma administração empresarial. As secretarias de Estado eram poucas e ocupadas por técnicos e não por lideranças políticas. Isto é considerado pelo escritor e ex-secretário de Planejamento daquela gestão, Jardel Barcellos, algo inédito no Brasil daquela época.

Umas das primeiras medidas daquele breve governo foram os decretos-leis que instituíram a bandeira, o hino e o brasão do estado. Coube ao governador, por meio de resolução, segundo o jornal Diário da Serra, escolher qual gentílico seria usado pelos moradores de Mato Grosso do Sul. Sul-mato-grossense, mato-grossense do sul, matogrossules, matogrossul ou matogrosses eram os termos discutidos. No entanto, a escolha foi rápida e, conforme o mesmo jornal, a primeira edição do Diário Oficial do Estado, datada de 6 de janeiro de 1979, já utilizava o gentílico sul-mato-grossense.

No quesito obras públicas, o governo Harry Amorim conseguiu realizar algumas, como a pavimentação da rodovia entre Campo Grande e Sidrolândia; execução da primeira obra de abastecimento de água da SANESUL, no município de Rio Negro; reforma de algumas escolas estaduais.

Na área da Educação, o governo concedeu abono salarial aos professores do Estado, o primeiro reajuste da história da categoria, e iniciou o processo de elaboração do Estatuto do Magistério e o Plano Salarial. Na segurança pública foi possível algumas realizações, como a transformação do pelotão de Trânsito da Polícia Militar em Polícia Militar Rodoviária Estadual (PRE).

Foi responsabilidade do governo Harry Amorim tomar as primeiras medidas para enfrentar a grave enchente do Rio Paraguai que afetou, principalmente, a cidade de Porto Murtinho, a partir de maio de 1979. Conforme escreveu a historiadora Ilsyane Kmitta, em junho daquele ano o nível da água do rio chegou à altura de 9,14 metros.

No entanto, sem sombra de dúvidas, a prova mais difícil deste governo foi política. Como escreveu a historiadora Marisa Bittar, o governador, que havia sido nomeado num conturbado processo de disputas, desagradava boa parte das lideranças políticas ao implantar o estilo técnico de administração, não privilegiando as tradicionais negociações políticas, como era costume no velho Mato Grosso. Além disso, sua gestão era criticada, pela oposição, pelas mordomias concedidas aos secretários, que tiveram, por exemplo, diversos automóveis Opalas da cor preta adquiridos para lhes servir. Os Opalas foram apelidados de “besourões da mordomia”.

Nesse mesmo tempo, o então senador Pedro Pedrossian, juntamente com os senadores Antônio Mendes Canale e Rachid Saldanha Derzi, articulava-se junto ao presidente general João Figueiredo para derrubar Harry e assumir o governo sul-mato-grossense. Apesar do apoio dos prefeitos do estado à continuidade da administração Harry Amorim, na chamada Carta de Maracaju, ele foi demitido, após reunião em Brasília, com o ministro Petrônio Portela, na tarde do dia 12 de junho de 1979. O governador não teve sequer a oportunidade de participar da solenidade de promulgação da Constituição Estadual, que ocorreu no dia seguinte. Mesmo demitido, Harry continuou no estado, filiou-se ao PMDB e elegeu-se deputado federal nas eleições de 1982. No ano de 1987 assumiu a secretaria de Meio Ambiente do governo Marcelo Miranda (PMDB). Faleceu no dia 19 de agosto de 1988, vítima de acidente automobilístico.

Pedro Pedrossian não conseguiu, naquele momento, realizar o sonho de assumir o governo e com isso indicou o nome de seu afilhado político para a função, o então prefeito de Campo Grande, Marcelo Miranda Soares (Arena). Enquanto o nome de Marcelo Miranda era apresentado para ser aprovado no Senado, Mato Grosso do Sul ficou sob administração interina do presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Londres Machado (Arena).

 

[1] Mestre em História pela UFGD, professor em Fátima do Sul e autor do livro As eleições de 1982 em MS (Life Editora) (wc-chagas@hotmail.com

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