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Brasil

“Zé Bugão” vira lenda e crime de Daiane completa 1 ano em Culturama

15 Out 2010 - 08h00Por Da Redação - Fátima News

Há um ano e 16 dias do assassinato e estupro da menina Daiane de Jesus, 13 anos, e do atentado contra a mãe dela, Maria Lúcia, ocorrido na Vila Planalto, no distrito de Culturama, município de Fátima do Sul, a polícia ainda procura o suspeito da barbárie: o tio (irmão de Maria Lúcia), José Alves dos Santos, o “Zé Bulgão”.

 

O acusado esfaqueou a irmã, que desmaiou, e matou a facada a sobrinha, manteve relações sexuais com a menina já sem vida e fugiu, segundo os indícios da perícia e relato de Maria Lúcia, que sobreviveu.

 

A repercussão do crime causou comoção social entre a população da região.

 

Desequilíbrio

 

A família sabia do ciúme que o tio sentia pela sobrinha e pensava que fosse somente excesso de cuidado.

 

Nervoso, Santos agredia as mulheres que sustentavam a família, a empregada doméstica Maria Lúcia e a idosa, aposentada mãe deles.

 

Apenas o irmão de Daiane, Jonatan, 18, e a menina não sofriam o ataque do tio. Pelo menos até o dia 29 de setembro, quando a fúria de Santos teria de forma perversa extrapolada a linha da sobriedade.

 

Relacionamento com a família

 

Um dia antes da manhã do crime, a família vivenciou mais uma briga, que teria sido a gota dágua. Maria Lúcia contou à polícia que nos dois dias que antecederam o crime ocorreram desentendimentos domésticos que podem ter desencadeado a ira do irmão.

 

Na noite antes do atentado, ela e a filha assistiam novela sem dar atenção para Santos que resmungava em pé na porta, como de costume.

 

Ela se lembrou também de que nesse mesmo dia na hora do almoço, o irmão tinha comprado pão com mortadela e lhe ofereceu, mas a Maria Lúcia não aceitou. “Ele achou que ela tinha desfeito dele”, diz o delegado.

 

Mas, Daiane e Jonatan comeram o pão.

 

Santos havia comprado o alimento como forma de provocação pelo fato de que no almoço do dia anterior ter brigado com a irmã porque não ficou satisfeito com a comida que ela tinha preparado. “Ele chegou a jogar a panela”, conta o delegado.

 

Crime

 

As pequenas discussões da família alcançaram o descontrole.

 

Após assistirem à novela, mãe e filha foram dormir.

 

Pela manhã do dia 29 de setembro de 2009, a avó não estava em casa nem o irmão de Daiane, Jonatan. Eles saíram e deixaram à menina, a mãe e o tio.

 

Ao acordar e ver que era o “mais forte” em casa, Santos pegou a faca, atacou a irmã, que desmaiou. Ele partiu para cima da menina que estava sentada na beira da cama. Santos tirou a vida dela com golpes de faca no pescoço e na cabeça.

 

Já sem vida, o corpo da menina teria sido disposto de bruços e abusado sexualmente. Depois, o assassino recompôs as roupas da menina e fugiu. José Alves não levou nem roupas, sequer a carteira com os documentos.

 

Foi Jonatan, irmão de Daiane e filho de Maria Lúcia, quem encontrou a mãe agonizando na cozinha da casa e tratou de chamar por socorro. Ele havia saído por volta das 6h para ordenhar vacas em um curral nas redondezas e retornou às 7h para tomar o café da manhã. Jonatan assegura que deixou o tio, a mãe e a irmã dormindo quando saiu.

 

O principal suspeito fugiu sem deixar vestígios. Policiais não conseguiram identificar as impressões digitais do suspeito no local e nem foi encontrado resquício de esperma no corpo da vítima. Para a polícia, a falta de prova científica é um entrave, mas o testemunho da mãe, sobrevivente, é uma das peças para o esclarecimento do caso. 

 

Risco

 

Há 11 anos, Santos estuprou a filha de 9 anos de idade na cidade de Glória de Dourados. Ele fugiu, reapareceu nas redondezas e acabou preso. Mas, pelo crime, foi constatado que ele sofria de esquizofrenia e como doente mental, foi condenado a três anos de internação ambulatorial, mas a maior parte desse tempo cumpriu em liberdade, só com o compromisso de comparecer ao fórum de Glória de Dourados de tempos em tempos.

 

Sem tratamento, ele foi morar com a mãe, a irmã e os sobrinhos. Santos fazia pequenos serviços e os rompantes de violência aconteciam sempre contra a mãe e a irmã quando o sobrinho de 18 anos estava fora.

 

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