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Venezuela alia-se à Bolívia e ataca atuação do Brasil na OMC

20 Jun 2007 - 17h30
Liderados pela Venezuela, países em desenvolvimento como Bolívia, Cuba e economias em desenvolvimento da África e Ásia assinarão nesta quinta-feira, 21, uma declaração conjunta atacando o processo negociador da Organização Mundial do Comércio (OMC) e alertam que não aceitarão um acordo que venha preparado de Potsdam pelos quatro principais atores das negociações - Brasil, Estados Unidos, Europa e Índia - conhecidos como G-4.
Na Alemanha, os ministros ordenaram um "silencio total" em relação ao que ocorria dentro das salas de reunião. Para diplomatas, a iniciativa é um ataque ao comportamento do Brasil e Índia, que se colocam como representantes dos países emergentes, mas acabam negociando em sigilo. Em sua edição desta quarta, o Estado antecipou com exclusividade que o governo de Hugo Chavez preparava uma "surpresa" ao G-4.
Nesta quinta, Caracas e outros governos darão uma conferência de imprensa na sede da OMC para declarar sua insatisfação. "Vamos pedir transparência", afirmou o embaixador da Venezuela na OMC, Oscar Carvallo.
A escolha da OMC para o evento ainda é simbólica e serve para mostrar ao G-4 que as negociações devem ocorrer em Genebra, e não nas demais cidades européias, como vem ocorrendo nos últimos meses entre Brasil, Índia, Estados Unidos e Europa. "Um acordo deve ser feito em Genebra e deve envolver a todos, e não atender aos interesses apenas de um pequeno grupo de países", afirmou Carvallo.

Ataque ao Brasil
A iniciativa é ainda um ataque em parte ao papel do Brasil que se colocou como um dos líderes dos países emergentes e tentou negociar com os americanos e europeus praticamente em nome dos demais países emergentes. Em várias oportunidades nos últimos meses, o Brasil se apresentou como líder dos países emergentes, chefiando e convocando reuniões.

Junto com os cães
A falta de informações em Genebra obrigava embaixadores de vários países a ligar várias vezes por dia aos jornalistas que se deslocaram até Potsdam para tentar obter informações. Mas o G-4 decidiu adotar uma política de silêncio total diante do vazamento de informações ocorrido no dia anterior. Peter Mandelson, comissário de Comércio da Europa, chegou a dizer ao Estado que o lugar de jornalistas era "fora" do edifício onde ocorrem as negociações, "junto com os cães".
Quem também pressiona por transparência são as organizações não-governamentais brasileiras que tentaram entregar uma carta ao chanceler Celso Amorim questionando a falta de transparência no processo de negociação.
Um dos representante da Rede Brasileira pela Integração dos Povos, Germano Batista, chegou a ir até Postdam hoje tentar falar com Amorim. Mas o chanceler afirmou que não teria tempo para atender ao diante do volume de reuniões e pediu que os diplomatas do Itamaraty lidassem com a queixa. Amorim negou que o governo não estivesse sendo transparente. Mas Batista alegou que a sociedade civil foi consultada apenas em "momentos isolados". Apesar de viajar até a Alemanha, o representante da ONG apenas conseguiu um contato telefônico com a delegação brasileira.

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