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AGÊNCIA BONITO THIAGO
Brasil

VCP inova no projeto de fábrica em Mato Grosso do Sul

19 Jul 2007 - 05h19

A Votorantim Celulose e Papel (VCP) adotou um modelo financeiro inédito para a construção da maior linha de produção de celulose do mundo: a competição bancária. Se tudo der certo, a fabricante poderá transformar US$ 1,15 bilhão em US$ 1,5 bilhão em pouco mais de dois anos.

Numa operação de troca de ativos, concluída em fevereiro, a fabricante controlada pela família Ermírio de Moraes recebeu US$ 1,15 bilhão da americana International Paper (IP) para implantar uma unidade fabril em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. O dinheiro foi recebido em troca de uma fábrica de papel que pertencia à Votorantim. 

Para Três Lagoas, a idéia original do projeto era erguer uma fábrica de 1,1 milhão de toneladas de produção de celulose por ano. No entanto, a VCP decidiu refazer as contas para erguer a maior unidade do planeta, com 1,3 milhão de toneladas por ano. Para a construção da fábrica, a Votorantim contratou a empresa de engenharia Pöyry, responsável pela gestão do projeto. 

Com a nova dimensão da capacidade, a VCP quis esticar o valor recebido pela IP e decidiu fazer um rateio igualitário da verba entre quatro instituições financeiras: o Banco Votorantim (do próprio grupo), o francês BNP Paribas, o espanhol Santander e o holandês ABN Amro. 

"Promovemos a competição entre os bancos porque se trata de um volume de dinheiro muito considerável", afirma o diretor financeiro da VCP, Valdir Roque, idealizador deste desenho. Segundo Roque, cada banco será responsável pela administração financeira de um quarto do dinheiro. 

Cada instituição terá também de atingir metas fixadas pela empresa. "Queremos alavancar o caixa", disse Roque. Os bancos terão de garantir um retorno de 2% acima da evolução do CDI. "É algo que consideramos bem razoável", justificou o diretor financeiro da empresa. 

O desafio, segundo Roque, é fazer com que o investimento para a conclusão da fábrica, que deve começar a operar em maio de 2009, chegue o mais próximo do US$ 1,5 bilhão. "Queremos maximizar a aplicação. Sabemos que é difícil porque existe uma diferença muito grande, mas acreditamos que o desembolso adicional, no fim, não será muito relevante." 

A empresa justificou a mudança em relação ao projeto original a uma questão de custos. "Com o redimensionamento, o custo por tonelada para produção de celulose é reduzido", afirmou o executivo. A fábrica deve atingir sua plena capacidade de produção no fim de 2010 e início de 2011. 

A VCP espera que a fábrica seja, além da maior do mundo, uma das mais competitivas. O destaque são as florestas de eucalipto, que devem atingir uma área total de cerca de 225 mil hectares, incluindo áreas próprias e arrendadas. O raio médio entre a florestas e a unidade em construção é estimado em 57 quilômetros, um dos mais baixos do mundo.

 

 

 

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