MEGA_OKA_CARROS_
FatimaNews - Notícias de Fátima do Sul e região
Fátima do Sul, 12 de Dezembro de 2017
DELPHOS_FULL
8 de Novembro de 2004 17h58

Valores atuais não cobrem custos de produção do algodão

Para o produtor e gerente comercial das Sementes Girassol, de Rondonópolis (210 quilômetros ao Sul de Cuiabá, no Mato Grosso), Bruno Goellner, os valores da arroba do algodão para 2005, estão abaixo do ponto de equilíbrio, entre despesa e receita. Segundo ele, as contas variam de produtor para produtor, mas em geral a realidade é a mesma. "O preço atual não cobre custos, se não tivesse comercializado de forma antecipada 50% da minha produção, não valeria à pena plantar", exclama o produtor. Cerca de 5 mil toneladas de sua produção estão vendidas.

Goellner explica os seus custos de produção estão orçados em US$ 1,5 mil, isso levando em consideração uma produtividade de 250 arrobas de algodão em caroço.

O analista de mercado da Lucra Corretora, de Cuiabá, Daniel Melo, destaca que os produtores que firmaram contratos para entrega em 2005 conseguiram travar bons preços. "Enquanto a Bolsa de Nova York Cotton Exchange (NYCE) estabelece cerca de US$ 0,44 libra-peso (l/p), ou R$ 1,24 l/p, os preços travados ficaram entre US$ 0,57 l/p (RS 1,61 l/p) e US$ 0,64 (R$ 1,81 l/p), valores bem superiores aos pago atualmente tanto no mercado físico, quanto no futuro", explica.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores (Ampa), João Luiz Ribas Pessa, avalia que com custos de produção elevados e preços em queda, é necessário hoje uma cotação de US$ 0,55 l/p para cobrir custos e de US$ 0,60 l/p para garantir lucro. "As projeções de mercado mostram que a cotação deverá ficar em US$ 0,45 l/p nos próximos cinco anos, ao contrário da média de US$ 0,55 l/p de 1999 a 2004", alerta.

O presidente destaca que a majoração do custeio da safra 04/05 ficou em 30% para fertilizantes e 15% para agroquímicos e que nesta ano se pagava R$ 1,60 l/p e que atualmente não passa de R$ 1,30 l/p.

O Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (IMEA) da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), realizou um estudo para checagem do custo de produção da cultura em sistema de plantio convencional. Entre custos fixos (remuneração da terra) e custos variáveis (insumos, operações, assistência técnica, juros e tributos), o plantio de cada há está orçado em R$ 3,9 mil, ou, US$ 1,3 mil, considerando um dólar de R$ 3. Entre maio e abril deste ano, as projeções apontavam um custo de R$ 3,1 mil.

O primeiro tesoureiro da Ampa, Álvaro Salles, relata que o setor atravessa um período crítico, "são problemas de toda ordem, com dificuldades em todos os lados. Um exemplo disso é a majoração das máquinas nos últimos três anos que foram se acomodando com um dólar a R$ 3,50, enquanto que hoje ele não passa de R$ 2,80, e os insumos não recuaram como o cambio", desabafa.

LONGO PRAZO - As cotações levam em consideração alguns fatores que estão influenciando o mercado a introdução da biotecnologia "que está reduzindo custos e diminuindo os riscos de perdas, um outro agravante é que em 1960 o algodão representava 60% do consumo de fibras e atualmente é 39%, o consumo cresce 1,3% ao ano e a população 1,7% ao ano", aponta Pessa.

Melo frisa ainda que os grandes produtores mundiais da fibra, Índia, Estados Unidos e Paquistão, por exemplo, tiveram super-produções, "impacto imediato na queda dos preços". Segundo o último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), de 12 de outubro, há um excedente mundial de 1,393 milhões/t. O mundo vai produzir 23,3 milhões/t e o consumo de 21,957 milhões/t.

 
 
Diário de Cuiabá
Comentários
Veja Também
ÓTICA_DOURADOS
LOJA_02
MBO_SEGURANÇA_300
Últimas Notícias
  
LOJA_02
Eventos
dothCom © Copyright FatimaNews - Todos os Direitos Reservados.