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Brasil

Vaiado, Lula abre mão de discurso na abertura do Pan

14 Jul 2007 - 08h10

Após o início dos torneios femininos de futebol e handebol, o Rio de Janeiro viu nesta sexta-feira a cerimônia de abertura oficial da 15ª edição dos Jogos Pan-Americanos, realizada no estádio do Maracanã. A festa, que tinha início programado para 17h, começou com cerca de uma hora de atraso e ficou marcada pela rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Jamil Bittar/Reuters

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Presidente foi vaiado pelo público presente

O presidente foi diversas vezes vaiado pelo público e não fez o discurso de abertura dos Jogos, que custaram cerca de R$ 1,8 bilhão aos cofres do governo federal. Lula foi substituído pelo presidente do COB e do Co-Rio, Carlos Arthur Nuzman.

Em seu discurso, Nuzman exaltou o Pan-Americano como prova de que o Brasil tem condições de realizar grandes eventos esportivos, deixando clara a sua pretensão de levar os Jogos Olímpicos-2016 ao Rio de Janeiro.

Leia cobertura completa do Pan-2007

Quem falou na seqüência foi Mario Vásquez Raña, presidente da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana), que divertiu o público. A cada momento que o dirigente iniciava uma frase com referência ao dia de hoje,"hoy" [hoje] em espanhol, a arquibancada ironizava com um som de resposta em 'oi', como se retornasse um cumprimento.

Eduardo Knapp/Folha Imagem
Cerimônia contou com o aval da Disney

O Planalto considerou o fato de Lula não abrir os Jogos apenas um desencontro de cerimoniais.

O prefeito do Rio, César Maia (DEM), disse que as vaias deixaram o presidente constrangido e que Lula deveria ter explicado a confusão de protocolo. "O presidente [Lula] não se sentiu bem, levantou-se durante o desfile dos países, não devia ter feito, é postura de elegância."

"Houve uma confusão e assessoria do presidente pediu para Lula não fazer a declaração, mas esqueceu de informar ao presidente da Odepa", disse o prefeito.

Na saída, Lula e o vice-presidente, José Alencar, evitaram falar com a imprensa. O ministro do Esporte, Orlando Silva, afirmou que as vaias podem ter sido "orquestradas".

Desfiles

Ao contrário do que era esperado pelo governo brasileiro, o evento não contou com a presença das principais lideranças do continente. Segundo o Palácio, compareceram representantes de apenas seis países, entre chefes de Estado e chefes de governo: Panamá, Honduras, Canadá, Antígua e Barbuda, Aruba e Antilhas Holandesas.

A cerimônia começou com a execução do hino nacional, por Elza Soares. Na seqüência, Ana Costa cantou a música-tema da competição, um "samba exaltação" criado pelos paulistas Arnaldo Antunes e Liminha, que foi criticada por alguns sambistas do Rio, como Neguinho da Beija-Flor.

Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem
Joaquim Cruz acende pira pan-americana

As 42 delegações iniciaram o desfile ao som de chorinhos brasileiros, e a pista do Maracanã tinha cara de sambódromo, já que havia o som de 1.500 percussionistas que formavam um círculo.

A Argentina abriu o desfile. O Brasil foi o último a entrar no estádio, com um saltitante maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, medalha de ouro nas duas últimas edições do Pan, como porta-bandeira.

As maiores vaias ficaram por conta da delegação dos Estados Unidos, que só ouviu coro menor do que o presidente Lula quando este aparecia no telão. Outra delegação a receber considerável vaia foi a da Venezuela, uma das últimas a entrar no Maracanã. Dentre os países preferidos do público estiveram Cuba, que entrou com as cores verde e branco, Haiti e México, além do Brasil.

Após a entrada das equipes, a cerimônia passou para a sua fase mais musical. Alternando canções como "Águas de Março" e "Wave" com movimentos de balé, o Rio viu o espetáculo intitulado 'Viva Essa Energia', que demorou dois anos e meio para ser produzido pela equipe liderada por Scott Givens, vice-presidente de entretenimento da Disney.

Após passar por 51 cidades brasileiras em 38 dias de viagem, a tocha pan-americana entrou no Maracanã nas mãos do velejador Torben Grael, dono de duas medalhas de ouro em Olimpíadas. Depois, passou por diversos outros nomes importantes da história recente do esporte nacional até chegar a Joaquim Cruz, ouro em Los Angeles-1984 no atletismo, que acendeu a pira.

A festa foi encerrada com um show da cantora baiana Daniela Mercury.

 

 

Folha Online

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