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Brasil

Um jovem é executado a cada 66 horas em Cuiabá

6 Set 2004 - 14h22
Os números da violência em Cuiabá e Várzea Grande impressionam. A cada 66 horas, um jovem até 24 anos foi enterrado num cemitério dessas duas cidades entre janeiro e agosto deste ano, período em que a polícia registrou 91 assassinatos de pessoas nessa faixa etária. O número representa quase metade do total de execuções nos oito primeiros meses do ano – no total, foram registrados 186 assassinatos.

O número de pessoas assassinadas proporcionalmente é alto e coloca a Grande Cuiabá como uma das regiões mais violentas do país, perdendo para São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e Recife.

Os jovens são vítimas de execuções ocorridas em bairros periféricos em fins de semanas e, na maior parte das vezes, os crimes estão relacionados com o tráfico de drogas. Esses números fazem parte de um levantamento feito pela reportagem na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da capital.

São jovens de famílias de baixo poder aquisitivo. Em alguns casos, a família encontra dificuldades até para conseguir um caixão para fazer o sepultamento tendo que apelar para o Serviço Funerário Municipal das duas cidades.

Nestes oito meses, o número de adolescentes assassinados também impressiona. Foram 16, numa média de dois por mês, executados de forma e motivação idêntica aos jovens: tiros, facadas ou espancados até a morte.

O delegado João Bosco de Barros, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), diz que é nessa faixa etária que os jovens estão mais vulneráveis. Ele lembra que, sem oportunidade para trabalhar, o jovem se envereda para o mundo das drogas, trilhando para o caminho do crime. “Como conseqüência, acaba sendo assassinado”, observou.

Barros acrescentou que, ao contrário de mortes por acidentes de trânsito - que mata mais jovens de classe média -, o homicídio é um crime que não há como evitar. “Se a pessoa quer matar a outra, usa pedra, pedaço de pau, garrafa...”, completou.

Para Naldson Ramos, doutor em sociologia e criador e coordenador do Núcleo Interinstitucional do Estudo da Violência e Cidadania (NIEVCI) de Mato Grosso, os números de jovens assassinados aponta para quase um extermínio – são raras as vítimas de classe média executadas por traficantes, embora é de conhecimento público que a droga chega a todas as classes sociais.

“(Da classe média) quem usa droga tem como pagar e não se envolve com o tráfico e sim com traficantes porque é usuário. Quando falta dinheiro arruma, pega algum objeto em casa, mas paga o traficante”, assinalou.
 
 
As informações são do Diário de Cuiabá

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