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Terror em baile funk deixa pelo menos 40 feridos mo RJ

29 Nov 2004 - 09h19
Pelo menos 40 pessoas que participavam de um baile funk numa quadra no Morro da Chatuba, na zona norte, ficaram feridas ao serem atacadas por um grupo de traficantes. Os criminosos atiraram a esmo e chegaram a lançar uma granada. O ataque ocorreu momentos depois de o traficante identificado como Andrezinho Moral, ligado ao Comando Vermelho, ter sido morto num confronto com policiais militares do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae), a poucos quarteirões da quadra em que ocorria o baile.

A polícia tem três versões para o ataque, ocorrido entre 1h30 e 2 horas deste domingo. A primeira hipótese (a mais viável) é de que os traficantes teriam ordenado o fim do baile em respeito à morte de Andrezinho e fizeram os disparos depois de serem desobedecidos. De acordo com a segunda linha de investigação, os criminosos teriam desconfiado de que um dos participantes do baile havia delatado aos policiais onde Andrezinho estava. O comandante do Gpae, coronel Ubiratan Cândido, disse ainda que há a possibilidade de uma quadrilha rival ter liderado o ataque ao saber da morte do traficante.

Andrezinho Moral passava pela Rua do Cajá numa moto e levava um homem na garupa, armado com um fuzil. No sentido contrário, dois carros do Gpae, com 10 policiais, fazia a ronda de rotina. Quando eles se encontraram, houve o confronto. Andrezinho ficou ferido e foi levado para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, próximo dali, onde morreu. É possível que ele estivesse liderando um "bonde" (comboio de traficantes), já que uma moto e um escorte amassado e perfurado por balas foram abandonados no local da troca de tiros. O comandante do Gepae não confirmou.

Minutos depois de o traficante morrer no Getúlio Vargas, começaram a chegar as vítimas do ataque ao baile funk, socorridas por vizinhos em kombis e carros. Um homem que acompanhava a mãe no hospital contou que o Setor de Emergência "parecia um front de batalha". "Havia sangue para tudo o que é lado. Os acompanhantes das vítimas brigavam com os médicos para que seus parentes fossem atendidos primeiro. Não tinha médico para todo mundo. Alguns feridos foram atendidos na rua", contou.

Trinta e nove pessoas foram atendidas no Getúlio Vargas - 21 homens e 18 mulheres - e a maioria tinha entre 15 e 26 anos. Dezessete foram baleadas. As demais tinham ferimentos por estilhaços de granada. Quatro estavam em estado grave e foram operadas - Rogério Martins Amaral, de 19 anos, atingido na coluna cervical, Josenildo Pinto Barros, que recebeu vários tiros, Fábio Alves Marques, de 22 anos, baleado na perna, e Luiz Carlos da Silva, de 42 anos, atingido no abdômen. Um homem não identificado, que a polícia acredita ser traficante, morreu. Ele pode ser o carona da moto de Andrezinho.

Outras quatro vítimas foram transferidas para Hospital Carlos Chagas e um homem foi atendido no Hospital Geral de Bonsucesso. De acordo com o coronel Ubiratan Cândido, dois feridos foram buscar socorro no Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias. "Eles tinham o que esconder", disse.

Operação - Somente 12 horas depois do ataque ao baile funk a polícia foi à Favela da Chatuba. Pela manhã, o comandante do 16.º Batalhão, tenente-coronel Celso Nogueira, disse que não havia necessidade de ocupar o morro. "Foi uma briga entre eles, não há necessidade de ocupação. A situação está muito perigosa". Por volta de 14 horas, foi montada uma megaoperação para que a Polícia Civil pudesse periciar o local do ataque. Cerca de 150 homens do 16.º BPM, do Gpae, do Choque, do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil, com apoio de um helicóptero e do Caveirão (carro blindado do Bope), ocuparam a Chatuba. Houve troca de tiros em diversos pontos da favela. Não houve informação sobre feridos. Terminada a perícia, os policiais deixaram o morro.

 

Estadão 

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