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Técnicos da UFMS cruzam os braços na Capital

28 Mai 2007 - 16h34

Os técnicos-administrativos da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) do campus de Campo Grande entraram em greve na manhã desta segunda-feira por tempo indeterminado. Eles concentraram-se nesta manhã em frente à reitoria da instituição, onde realizaram um café da manhã para discutir as propostas e reivindicações da categoria.

Os servidores também discutiram sobre a participação em uma reunião agendada para o dia 6 em Brasília (DF) com representantes do Ministério do Planejamento e organizam um Comando de Greve. A greve pode afetar ainda alguns servidores do HU (Hospital Universitário) da Capital, incluindo até mesmo os médicos, entretanto, a adesão deles à greve só será definida em reunião nesta segunda-feira em reunião com a diretoria do hospital.

Segundo o coordenador-geral do Sista (Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais do Estado de Mato Grosso do Sul), Lucivaldo Alves dos Santos, no total são cerca de dois mil servidores, incluindo os que trabalham na UFMS e no HU. A greve pode afetar vários setores do hospital, incluindo técnicos de apoio, funcionários da lavanderia e até mesmo profissionais da saúde como médicos.

Na UFMS, a greve atinge a biblioteca , setor administrativo e de segurança, sendo que todos já iniciam a greve a partir desta segunda-feira. “Cerca de 140 médicos são filiados ao Sista, mas não há como todos entrarem em greve, por isso faremos uma reunião antes de decidir sobre a situação dos funcionários do hospital”, explica Lucivaldo, informando que outros médicos do HU fazem parte do Sindicato de Docentes da UFMS e, por isso, não vão aderir ao movimento.

O reitor da UFMS, Manoel Catarino Paes Peró, informou que apóia a greve dos servidores, contanto que os serviços essenciais de atendimento à população sejam mantidos. Ele afirmou que apóia qualquer movimento democrático que esteja dentro das determinações previstas em lei.

No HU, o protesto é principalmente contra a mudança na forma de pagamento dos profissionais, já que hoje eles são pagos pelo Ministério da Educação, mas há uma proposta em discussão para que eles sejam pagos pela Fundação Estatal de Direito Privado. “Com isso, diminui as garantias dos servidores”, afirma.

Além dos servidores de Campo Grande, a greve pode atingir ainda os trabalhadores de Aquidauana, Corumbá e Três Lagoas. A coordenadora Jurídica do Sista, Márcia Cristina Gonçalves Freitas, os servidores não conseguem reajuste salarial há cerca de oito anos. Ela explica que em 2003 eles receberam uma antecipação de carreira no valor de 15% do salário, além de um vencimento complementar concedido a 26% da categoria em 2005. “Mas, não tivemos aumento de reajuste salarial para todos os servidores”, afirma, completando que as categorias mais afetadas são a C e E, que atende respectivamente os servidores intermediários e os de nível superior.

Eles reivindicam equiparação salarial com outros servidores, já que hoje o piso salarial da categoria é de R$ 763,00, além de aumento no valor do vale-alimentação, que hoje é de R$ 126, e do pagamento do auxílio-doença. Assim como outros servidores públicos federais que já estão em greve, os funcionários querem a derrubada do PLP 01/2007, projeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que prevê que até 2016 todas as despesas da União com pessoal e encargos poderão aumentar, no máximo, a correção da inflação mais 1,5% ao ano.

No dia 17 do mês passado, os servidores do setor-administrativo da UFMS fizeram uma paralisação de 24 horas, entretanto, como não tiveram as reivindicações atendidas decidiram entrar em greve. Os servidores públicos federais do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), iniciaram, no dia 21 deste mês, greve por tempo indeterminado, exigindo correção salarial e equiparação de salários servidores ativos e aposentados.

Já os servidores do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) entraram em greve no dia 14 deste mês numa tentativa de forçar o governo federal a revogar a Medida Provisória 366, que dividiu o órgão em dois. O movimento atinge todos os departamentos do Ibama, inclusive o setor responsável pelo licenciamento ambiental, o que deverá trazer mais dor de cabeça para o governo, empenhado em fazer deslanchar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Ainda os servidores da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) realizaram no dia 21 paralisação por 24 horas em Campo Grande e devem decidir se vão realizar nova paralisação. Eles protestam contra a PLP-01 e reivindicam aumento salarial e prometem entrar em greve a partir da próxima semana, caso não sejam atendidos.

Marco Ribeiro

Os servidores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) também já fizeram um dia de paralisação, enquanto os policiais federais do Estado acataram proposta do Governo e encerraram ontem paralisação de 72 horas, sendo a terceira paralisação realizada pela categoria somente neste ano. Os policiais reivindicavam o pagamento de 30% referente a segunda parcela da recomposição salarial e aceitaram a proposta do Governo de pagar em três vezes, sendo a primeira parcela em 2007 e a última em 2009.

 

 

 

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