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Brasil

Sob estiagem, queimadas crescem 46,96% em agosto em MS

6 Set 2004 - 10h21
A quantidade de queimadas em agosto em Mato Grosso do Sul cresceu 46,96% em relação ao mesmo período do ano passado, com a região do Pantanal representando mais da metade dos focos de incêndio. Segundo dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), ocorreram 776 focos de calor no Estado no mês passado contra 528 em agosto de 2003. O crescimento registrado decorre principalmente da prolongada estiagem e da baixa umidade do ar.

Em agosto deste ano, dos 776 focos de calor, que incluem desde queimadas em terrenos a incêndios florestais, 305 focos aconteceram em Corumbá, 51 em Aquidauan e 34 em Porto Murtinho. Isso significa que à região pantaneira corresponde a mais da metade dos focos. Já em agosto de 2003, dos 528 focos, foram registrados 71 em Corumbá e a mesma quantidade em Porto Murtinho.

Neste final de semana, o chefe da Estação Meteorológica da Uniderp, Natálio Abraão Filho, constatou a devastação causada pelas queimadas na região do Pantanal, sobrevoando-a de avião. "Sobrevoamos no sábado e no domingo e o que eu vi dá uma tristeza muito grande", testemunhou ele, citando ainda que o nível os rios está muito baixo. "A região oeste está queimando. Passamos por Terenos, Peraputanga, Aquidauana e vimos muitos focos de queimadas e constatamos uma umidade muito baixa. É uma coisa inóspita, a região está muito quente", contou.

Para Natálio, quem está curtindo a Pantaneta, pulando o carnaval fora de época de Aquidauana, corre mais riscos de contrair problemas respiratórios. "Lá na região de Aquidauana chegou ontem a 38 graus e a umidade estava em 16% e sem vento", constatou.

Segundo ele, os focos de incêndio também podem ser observados em Jardim, Nioaque, Terenos, Dois Irmãos do Buriti. "Nessa região tem até matas queimando", afirmou.

Agrava essa realidade o fato de Mato Grosso do Sul estar situada entre duas regiões, a Bolivia e vizinho estado do Mato Grosso, que estão com elevadíssimo número de focos de incêndio. Ontem, enquanto em MS houveram 18 focos de incêndio, em MT ocorreram 257 e na Bolívia, 337 focos.

Além disso não há previsão de chuva para o Estado pelo menos até o dia 10. "E não estamos antevendo chuvas favoráveis para setembro e outubro. As chuvas que vierem não vão normalizar a situação. Vamos ter muito espaçamento entre as chuvas", informou Natálio.
 
 
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