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Sem-terra se negam a desocupar fazenda do irmão de Renan

27 Jul 2007 - 14h10

O prazo dado pela Justiça estadual para a desocupação da fazenda Boa Vista, do deputado federal Olavo Calheiros (PMDB-AL), termina nesta sexta-feira, às 15 horas, mas os manifestantes se recusam a deixar a propriedade.

Os manifestantes se negaram a receber o termo de reintegração de posse do oficial de Justiça e exigiram documentos que provem que a propriedade pertence a Olavo Calheiros, irmão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). 

O prazo de 24 horas foi estipulado na quinta, pelo juiz da Comarca de União dos Palmares, José Lopes Neto, ao decretar a reintegração de posse da fazenda, que tem 528 hectares e está ocupada por cerca de 400 famílias de sem-terra, desde terça-feira. Os sem-terra ocupam também a casa-grande e já mataram onze bois da fazenda para comer.

As lideranças dos sem-terra dizem que a fazenda Boa Vista foi adquirida de forma fraudulenta.

Já os advogados do deputado, alegam que a área é produtiva e não poderia ser invadida. Para eles, a ação dos sem-terra "é vandalismo" e fere a lei da propriedade privada.

Uma equipe de policiais do Centro de Gerenciamento de Crise da Polícia Militar de Alagoas, já está na fazenda, que fica em Murici, a 59 quilômetros de Maceió, para acompanhar a desocupação. O comando da PM quer a desocupação pacífica, mas não descarta o uso da força. Segundo informações extra-oficiais, pelos menos oito viaturas do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope), com cerca de 40 homens fortemente armados, já estariam de prontidão, para a operação despejo.

No entanto, os sem-terra se negam a desocupar a fazenda de 528 hectares. As lideranças dos quatro movimentos sociais que organizaram a ocupação da fazenda - MST, MTL, MLST e CPT - alegam que a desocupação está condicionada a negociação de uma pauta de reivindicações com a presidência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Na pauta das reivindicações estão os pedidos de investigação sobre a violência no campo e a grilagem de terras na região.

Documentos falsos 

O coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Carlos Lima, acusa a dona do cartório de Murici, Lourdes Ferreira, de falsificar documentos, certidões e escrituras para "legalizar" pelo menos cinco fazendas adquiridas pela família Calheiros, na região. O município de Murici é o principal reduto político do presidente do Senado, senador Renan Calheiros, cujo filho (Renan Filho - também do PMDB de Alagoas) é o prefeito do município, eleito em 2004, com a ajuda do pai. 

Antes dele, Murici foi administrado por Remi Calheiros, irmão do presidente do Senado, que esteve à frente da Prefeitura por dois mandatos seguidos. Os sem-terra acusam Remi de ter contratado jagunços para expulsá-los, em 2005, da Fazenda São Bernardo, que pertence a família Calheiros.

"Eles usaram jagunços encapuzados para expulsar nossos companheiros sem-terra dessa área, fazendo uso da força, ameaças de morte e espancamento", lembra o coordenador da CPT em Alagoas.

Agência Estado

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