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28 de Setembro de 2004 14h06

Sem chuva há 3 meses, fogo castiga Pantanal de MS

Há três meses sem chuva, o fogo toma conta da vegetação do Pantanal Sul-Mato-Grossense, na região de Corumbá. Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), analisados pela Embrapa Pantanal, mostram que o número de focos de calor identificados na área, só nas primeiras três semanas de setembro, já supera em três vezes o registrado no ano passado, saltando de 595 focos em setembro de 2003 para 1.900 no mesmo período deste ano, principalmente na região do Paiaguás.

A quantidade de focos de calor nas primeiras semanas de setembro também já é maior que o número total registrado nos anos de 2002 e 2003, quando foram computados 1.715 e 1.395 focos, respectivamente. O pesquisador da Embrapa Pantanal, Carlos Roberto Padovani, explica que as analises consideram o período classificado como crítico para a região, que vai de julho a outubro.

A influência das nuvens, segundo ele, mascara a detecção de focos de calor nos demais meses do ano. “Esse critério nos permite enfatizar o número de queimadas no período crítico e ter um cenário mais abrangente dos impactos do problema na região”, reforça Padovani. A falta de chuva muda a paisagem no Pantanal criando um ambiente favorável à ocorrência das queimadas.

A precipitação registrada no mês de setembro desse ano foi de apenas 10,6 milímetros, muito abaixo da média histórica para esse período, que é de 50 milímetros. Em setembro do ano passado, as chuvas totalizaram 60,2 milímetros, no entanto, de janeiro a agosto foram registrados índices de chuva abaixo do esperado.

Com base em dados coletados na estação Nhumirim, monitorada pela Embrapa Pantanal, na sub-região da Nhecolândia, a pesquisadora Balbina Soriano salienta que o Pantanal neste ano está há praticamente três meses sem chuvas. “Ao analisar os dados coletados neste ano, observamos uma má distribuição das chuvas. Só os meses de fevereiro e maio tiveram totais pluviométricos acima da média histórica, os demais meses estão bem abaixo do esperado, trazendo conseqüências danosas para o meio ambiente”, avalia a pesquisador.

Durante sobrevôo na região, o pesquisador Walfrido Moraes Thomás pode constatar a dimensão do problema. O levantamento aéreo da equipe de vida selvagem mais uma vez coincidiu com o período de maior incidência de queimadas no Pantanal. A equipe pode observar a grande extensão de áreas já queimadas e áreas ainda pegando fogo em quase todo o Pantanal, especialmente Nabileque, Paiaguás e Nhecolândia.

“A fumaça, apesar de não chegar a impedir os vôos, tornou o trabalho bastante arriscado, devido à baixa altitude em que as contagens são realizadas”, ressaltou o pesquisador, informando que foram vistos animais cercados pelo fogo, bem como um ninho de tuiuiú em chamas. Todos os tipos de vegetação do Pantanal sofreram efeitos dos incêndios, com exceção das áreas ainda inundadas ao longo do rio Paraguai e seus tributários.


 

 

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