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20 de maio de 2010 10h44

Santos vence Grêmio e está na final da Copa do Brasil

Globo Esporte

Foi duro, sofrido, mas os craques fizeram a diferença. Após um primeiro tempo dominado pelo Grêmio, os meninos do Santos acordaram na etapa final. Ganso, Robinho, Wesley: três gols ao melhor estilo santista de jogar futebol nesta temporada. No embalo desse trio, o time da Vila Belmiro fez um segundo tempo impecável e acabou com a imortalidade gremista: 3 a 1.

O Peixe vence quando é preciso. Após três jogos sem um triunfo, o time mostrou maturidade e levou o Alvinegro Praiano à sua primeira final de Copa do Brasil.

O adversário será o Vitória, que derrubou o Atlético-GO (4 a 0) em Salvador. As duas partidas decisivas só serão disputadas depois da Copa do Mundo, nos dias 28 de julho e 4 de agosto. A ordem dos confrontos será definida em sorteio na CBF, nesta quinta-feira, às 14h.

Grêmio assusta os meninos


O Grêmio entrou marcando forte, mas saindo rápido, criando chances, controlando o jogo e enervando o Santos. Adílson colou em Paulo Henrique Ganso. Ozeia grudou em Neymar. Rodriguinho, que entrou no lugar de Arouca, suspenso, é apenas marcador. Não sai para o jogo. Aí, pronto. O Peixe parou e começou a tentar a ligação direta, o que, definitivamente, não é o seu jogo. Ficou claro que Arouca faz muita falta. Sem ele, o time alvinegro não soube sair de trás.

O Grêmio, que não tem nada com isso, já havia criado as melhores chances de gol até os 30 minutos. A principal delas, aos 22, quando Ganso perdeu a bola no meio. Borges se lançou pela ponta esquerda, ganhou de Pará na corrida e chutou cruzado. A bola bateu na rede pelo lado de fora.

O Grêmio marcava implacavelmente. Adilson e William Magrão dominavam a entrada da área. Ganso, lento, apagado, parecia não ter entrado em campo. Ele foi a medida do fraco futebol santista no primeiro tempo. Foi engolido por Adílson. O jogo era todo dos gaúchos, que se lançavam em contra-ataques, encurralando o Santos e cavando faltas perto da área. Se Ganso dormiu, Douglas estava muito bem acordado. Tomou posse do meio de campo e ditou o ritmo.

Perdidos, os meninos da Vila batiam cabeça e o Tricolor, mais bem postado em campo, se multiplicava. Para onde se olhasse no gramado, havia um tricolor.

Ao fim do primeiro tempo, a Vila Belmiro respirou um ar pesado, com um murmúrio preocupado, só quebrado pelos cantos otimistas do pequeno grupo de torcedores gremistas.

Jogo dramático


Ganso voltou ao normal logo aos seis minutos do segundo tempo. Provou que craque, mesmo não estando bem, resolve num lance. O time alvinegro voltou aceso, adiantou sua marcação e encurralou o Grêmio. Ainda assim, a defesa gremista estava bem fechada. Eis que o camisa 10 recebe na meia esquerda e manda uma bomba de canhota. Ela viajou e morreu no ângulo esquerdo de Victor. Um golaço, que fez explodir a Vila: 1 a 0

Com a vantagem, o Santos colocou os nervos no lugar, passou a controlar a bola. O Grêmio, na tentativa de sair em busca do empate, abriu espaços. Era tudo o que o Peixe queria. Dessa vez, a multiplicação foi de camisas brancas. O segundo gol era questão de tempo. Aos 25, André foi lançado e tocou de lado para Robinho, que entrava livre. O Rei das Pedaladas teve a calma para esperar Victor sair. Com um lindo toque, encobriu o goleiro. Outro golaço.

Mas jogo do Santos é sempre emocionante. Mesmo com 2 a 0, o time alvinegro continuou indo para cima, dando espaços. O técnico Silas colocou mais dois atacantes em campo, William e Leandro, nos lugares de William Magrão e Hugo, respectivamente, e o jogo se tornou totalmente aberto. Aos 30, falta na meia direita. Douglas cobrou, Jonas cabeceou livre. Felipe espalmou no pé de Rafael Marques, que impedido, empurrou para o gol. Ecos de imortalidade no ar.

Os minutos finais ganharam contornos dramáticos. Dorival Júnior não quis saber de se precaver. Quando André e Neymar saíram, o treinador não abriu mão de atacar, lançando o centroavante Marcel e o meia Madson. A pressão do Grêmio era intensa, mas os espaços para o Peixe contra-atacar eram enormes. E foi assim que, aos 40, Wesley, o talismã alvivnegro, tirou a equipe do sufoco. Ele recebeu de Marcel, arrancou, deu o drible da vaca em Adilson, passou por Victor e, de pé esquerdo, mandou para a rede.

Perto do fim do jogo, mais tensão. Jonas se desentendeu com Edu Dracena. Ambos foram expulsos. Nos acréscimos. Rafael Marques fez falta dura em Marcel e também levou o vermelho. Com um a menos, o Tricolor, cansado, já nao podia fazer nada. Pelo contrário, estava mais perto de levar o quarto. Wesley apareceu livre pela direita e cruzou para Marcel. Sozinho, debaixo da trave, o atacante conseguiu mandar a bola no travessão.

Mas não houve tempo para lamentação. Aos gritos de "olé, olé", o Peixe garantiu, a seu modo, a classificação à grande final.

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