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Saiba mais sobre o oxigênio e o envelhecimento

16 Ago 2004 - 14h39

Harriet é uma tartaruga de 170 anos de idade, um dos mais velhos animais do planeta. Harriet é a maior prova de que alguns seres vivos resistem muito melhor à passagem do tempo do que nós, humanos. Mas por quê?

As tartarugas, assim como os homens, precisam de oxigênio para viver. Mas o mesmo oxigênio que nos dá vida também é perigoso: ele é altamente inflamável.

O especialista em pirotecnia Malcolm Armstrong explica o motivo: "O oxigênio é um dos gases mais reativos que existem. Explosões, para acontecer, exigem dois ingredientes básicos: combustível e oxigênio".

Ele enche um tubo com uma certa quantidade de combustível e apenas um pouco de oxigênio. Quando ele detona a mistura o efeito não impressiona.
 
Mas quando ele usa a mesma quantidade de combustível, mas aumenta 300 vezes a dose de oxigênio, ocorre uma grande explosão.

O oxigênio não é apenas explosivo, é também corrosivo. Quando ele entra em contato com ferro puro, o que acontece? O material enferruja.

Se o oxigênio é capaz de fazer isso com o seu carro imagine o que ele provoca dentro do seu corpo.

Ou seja: o mesmo oxigênio que nos garante a vida também é capaz de causar danos. Cada vez que respiramos, envelhecemos um pouco.

Mas por que isso acontece? Dentro das células, depois que é consumido para produzir energia, o oxigênio libera subprodutos, da mesma forma que um cano de descarga: são os famosos radicais livres.

Ao ser liberados, alguns radicais livres podem danificar as células, especialmente quando atacam o núcleo, que contém o DNA, o código de instruções para a fabricação de um ser humano.

Diversas outras substâncias e hábitos contribuem para a formação dos radicais livres, como cigarro, drogas e dietas desregradas.

O legista Dick Shepherd observa diariamente em corpos humanos as marcas deixadas pelo oxigênio e outras substâncias agressoras.

Ele nos explica que os pulmões são o primeiro ponto de contato do oxigênio com o organismo. Ele mostra um pulmão que pertenceu a uma pessoa morta prematuramente. O interior está conservado. O tecido é normal. Mas uma vida inteira de exposição aos efeitos oxidantes do oxigênio e de poluentes como o cigarro deixa estragos.

Você se lembra de Harriet? A tartaruga de 170 anos de idade que foi mostrada no começo da reportagem? O que explica, então, uma vida tão longa?

Alguns cientistas acreditam que a razão é que as tartarugas têm um sistema cardiovascular que precisa trabalhar pouco para transportar o oxigênio pelo corpo. Menos de 30 batimentos por minuto. Respirando devagar, a liberação de radicais livres e os danos às células são menores. Por isso as tartarugas viveriam tanto, de acordo com essa teoria.

O coração de um elefante bate, em média, pouco mais do que 30 vezes por minuto. Os elefantes vivem até 80 anos.

Os roedores, que levam uma vida acelerada, e têm até 500 batimentos por minuto vivem, no máximo, quatro anos.

Mas e quanto a nós, humanos? Essa teoria significa que os atletas, acostumados a exigir muito de seus sistemas cardiovasculares, teriam vidas mais curtas? Não necessariamente, por dois motivos: primeiro porque a boa forma física faz com que o coração, quando em repouso, trabalhe menos. E o exercício físico também ajuda a queimar calorias, conseqüentemente, previne a formação de placas de gordura no interior de veias e artérias.

O geriatra Wilson Jacob Filho, da Universidade de São Paulo, acrescenta que nem todos os radicais livres são maléficos: "Os radicais livres são fundamentais nos mecanismos de defesa do ser humano contra os agentes agressores. Se nós não tivéssemos uma boa produção de radicais livres, nós não conseguiríamos dar cabo, dar conta das bactérias que agridem o nosso organismo desde os primeiros momentos de vida".

Na opinião do doutor Wilson, a ingestão excessiva das chamadas substâncias antioxidantes, como as vitaminas A, C e E, não é aconselhável para o combate dos radicais livres: "No indivíduo saudável, em qualquer fase da vida, o uso de substâncias ditas como neutralizadoras de radicais livres não é justificado para perpetuar um estado de juventude".

Portanto, a chave para uma vida longa e saudável, no que diz respeito ao coração e aos pulmões, é equilíbrio.

Domingo que vem: você vai entender por que comer pouco é fundamental para viver mais.

 

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