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Renan: 'Nunca misturei público e privado'

28 Mai 2007 - 15h55

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse em discurso no plenário na tarde desta segunda (28), que "nunca" misturou "o público ao privado".

O discurso durou cerca de 20 minutos. Com a exibição de documentos, Renan procurou demonstrar que não tinha contas pessoais pagas por um lobista de construtora, conforme informou a revista "Veja", em reportagem publicada na edição desta semana.

“Estou aqui para mostrar, provar, reiterar o que se trata de uma questão pessoal. Ninguém teria outro sentimento ao se ver constrangido na sua privacidade. [Questão essa] que só se deveria fazer no confessionário para pedir perdão e fazer penitência. Infelizmente, minha defesa será aqui", declarou, no início.

 

Ele pediu desculpas à mulher Verônica e aos filhos, que, segundo anunciou, estavam presentes ao plenário do Senado.

 

"Confesso que tive uma relação em que tive uma filha. Em casos não programados, episódios como esse geram contendas que terminam na vara de família", afirmou.

 

A referência é à jornalista Mônica Veloso, com a qual Renan Calheiros teve uma filha fora do casamento. A pensão paga à jornalista, segundo a revista "Veja", era quitada mensalmente pelo lobista Cláudio Gontijo, funcionário da construtora Mendes Júnior.

 

O presidente do Senado mostrou documentos (extratos bancários, declarações de imposto de renda) com os quais buscou demonstrar que o dinheiro usado para o pagamento da pensão e do aluguel de um apartamento não eram da construtora - que também negou participação no pagamento -, mas sim recursos próprios.

 

"Nunca misturei o público ao privado. Os recursos estão todos declarados no meu imposto de renda, bem como a própria pensão alimentícia", declarou.

 

Segundo Renan Calheiros, os valores pagos como pensão e aluguel não superam os rendimentos pessoais dele, conforme apontou a revista. "Todas as despesas são absolutamente compatíveis com a minha renda, declarada oficialmente", afirmou.

 

Mas ele admitiu ter pedido a Cláudio Gontijo para que intermediasse os pagamentos. 

"Poucas pessoas compartilhavam de minhas agruras. Uma delas era Cláudio Gontijo, meu amigo há mais de 20 anos, quando nem sequer trabalhava na empresa em questão. Não nego nem renego minhas amizades", declarou.

 

Renan disse que, em razão da amizade pediu a Gontijo que o ajudasse. "Logo que tive conhecimento da gravidez, pedi a um amigo que intermediasse meu apoio", afirmou. Segundo ele, o pedido teve dois objetivos principais: "assumir a paternidade e dar assistência à gestante em suas necessidades".

"Desde então, passei a pagar pensão de R$ 3 mil. Nos dois primeiros meses, o pagamento se deu por cheques nominais no Banco do Brasil", afirmou.

 

"Além disso, honrei com meus próprios recursos o aluguel de uma casa de 14 de março de 2004 a 14 de março de 2005. Também paguei um apartamento entre março e novembro de 2005 para a gestante."

 

De acordo com o presidente do Senado, os documentos "estão à disposição e por si só desmentem que terceiros teriam pago pensão por mim. A partir de 2006, passaram a ser deduzidos dos meus subsídios do Senado Federal".

 

O presidente do Senado classificou os desdobramentos da reportagem da revista "Veja" como um "falso escândalo" e negou ter relações com a construtora Mendes Júnior.

 

"Esse é o falso escândalo que a nação, estarrecida, acompanha. Não se pode avaliar o que significa a divulgação dessas informações sórdidas na vida intima de uma pessoa", afirmou.

 
"Não tenho nenhuma relação com a construtora Mendes Junior e essa ilação que foi feita não indica nenhuma conduta minha que indique apoio ou favorecimento à empresa", declarou.

 

 

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