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20 de Dezembro de 2004 15h19

Radiação emitida por celular prejudica DNA, diz estudo

Ondas de rádio emitidas por telefones celulares prejudicam as células do corpo e o DNA em condições de laboratório, afirmou um novo estudo financiado pela União Européia (UE).

O chamado estudo Reflexo, conduzido por 12 grupos de pesquisa em sete países europeus, não chegou a comprovar que os celulares são um risco à saúde, mas concluiu que é preciso fazer novas pesquisas para saber se os efeitos prejudiciais se repetem fora do ambiente de laboratório.

A indústria mundial do celular, que movimenta 100 bilhões de dólares ao ano, afirma que não há nenhuma evidência conclusiva sobre efeitos prejudiciais da radiação eletromagnética.

Só este ano, cerca de 650 milhões de aparelhos celulares devem ser vendidos aos consumidores. Mais de 1,5 bilhão de pessoas utilizam celulares no mundo.

O projeto de pesquisa, que levou quatro anos e que foi coordenado pelo grupo alemão Verum, analisou os efeitos da radiação em células humanas e de animais em laboratório.

Depois de serem expostas a campos eletromagnéticos típicos de celulares, as células mostraram um aumento significativo nos rompimentos em uma ou nas duas fitas de DNA. Nem sempre o dano pôde ser reparado pela célula.

O DNA leva o material genético de um organismo e suas diferentes células.

"Houve um dano permanente para as gerações futuras de células", disse o líder do projeto, Franz Adlkofer. Células que sofrem mutação são consideradas uma das possíveis causas do câncer.

A radiação utilizada no estudo estava em níveis de taxa de absorção específica (SAR) entre 0,3 e 2 watts por quilo. A maioria dos celulares emite sinais de rádio em níveis de SAR entre 0,5 e 1 W/kg.

A SAR é a medida da taxa da absorção da radioenergia pelo tecido do corpo, e o limite recomendado pela Comissão Internacional de Proteção à Radiação Não-Ionizante é de 2 W/kg.

O estudo também analisou outros efeitos prejudiciais nas células.

Os pesquisadores afirmaram que o estudo não é comprobatório dos riscos à saúde por causa das condições de laboratório. Mas acrescentaram que "os efeitos genotóxicos e fenotípicos claramente exigem estudos adicionais ... em animais ou em voluntários humanos".

Adlkofer recomendou evitar usar o celular quando há uma alternativa disponível, além da utilização do fone de ouvido sempre que possível.

"Não queremos criar pânico, mas é bom tomar precauções", disse, acrescentando que as novas pesquisas podem levar mais quatro ou cinco anos.

Os estudos anteriores sobre os efeitos da radiação dos celulares à saúde mostraram que ele pode existir. Um exemplos é o aquecimento do tecido, que provocaria dor de cabeça e náusea. Nenhum estudo comprovou, no entanto, que a radiação cause danos permanentes.

Nenhuma das seis maiores indústrias de celular respondeu imediatamente à divulgação do estudo.

Em um outro anúncio em Hong Kong, uma empresa alemã chamada G-Hanz apresentou um novo tipo de celular que, segundo afirma, não emite radiação prejudicial.

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