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Quer conhecer o povão...? Saia candidato...!, por Waldemar Russo

29 Set 2010 - 13h20Por Waldemar Russo

Em 2000, ou seja, há dez anos à trás, o idiota aqui, estimulado por um grupo de supostos amigos, muitos deles ligados a imprensa, que garantiam total apoio a minha pessoa, decidi na época, disputar uma das 17 vagas para a Câmara de Vereadores de Dourados.

 

Na época, a tão disputada eleição, que nos dias de hoje, após a operação “Uragano” desenvolvida por vários agentes federais, mandaram nove dos 12 para a cadeia e dois deles foram apenas indiciados, os candidatos teriam de lutar para conquistar uma das famigeradas 17 vagas, e a partir dali, já na guerra concorrendo pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro) sucumbi nas urnas, vindo a ter apenas 121 votos (Alias, 121 no código penal é homicídio doloso, hehehehe), e após o pleito eleitoral, aprendi que para a pessoa conhecer o povo verdadeiramente, ela tem que fazer que nem esta besta aqui, sair candidato a vereador.

Tendo como candidato a prefeito o empresário Mardonio Alencar -os concorrentes eram Laerte Tetila (PT); Murilo Zauith (PFL na época) e George Takimoto pelo PDT), á “besta aqui” com nenhum tostão furado nos bolsos, passou a percorrer ruas, avenidas, bairros e área central da cidade em busca de votos para a tão sonhada conquista de uma das 17 vagas para representar o povão no tal “Palácio do Jaguaribe” e naquelas caminhadas em vão, porém proveitosa, pude conhecer a identidade do povo, ou melhor, do eleitorado douradense.

Morador no Jardim Canaã I desde o início de sua implantação, tinha na época como principal objetivo lutar por melhorias no bairro, na segurança pública, enfim, tinha um projeto que levei ao conhecimento dos moradores, porém eles optaram em votar no “feito presidente” da Associação dos Moradores, Ari Valdecir Artuzi, que usando o nome do Dioclécio Artuzi, vereador que infelizmente havia falecido.

Vale ressaltar que Dioclécio Artuzi que era muito meu amigo, além de bom caráter e desportista, tanto que em 92 votei nele para vereador.

Na vereança, Dioclécio Artuzi fez o sobrinho Ari Artuzi ser muito conhecido na cidade, uma vez que este atuava como motorista do já falecido tio e “herdou” naquela época, os serviços assistenciais do tio, que na oportunidade, era um verdadeiro digamos assim, homem do povo, sem contar que o sobrenome da família, independente dos problemas atuais causados na cidade, pela operação “Uragano” .

Ari Artuzi, eleito posteriormente deputado estadual, ascendeu e dez anos depois foi conduzido ao cargo de prefeito, e o outro Artuzi, o tio Júlio, substituiu o irmão e o sobrinho, ao ser eleito vereador de primeiro mandato, no entanto, também acabou indo para trás das grades na mesma operação acima citada, acusado de estar envolvido na quadrilha que resultou em um dos maiores escândalos da política da história da cidade.

É sabido e público que o sobrenome “Artuzi” é muito forte no contexto social da cidade, em especial na periferia da cidade, como por exemplo, na região da Vila Índio, Rosa e adjacências e essa conquista foram atribuídas principalmente pela lisura de Dioclésio Artuzi, que ninguém jamais vai tirar, mais daí apagar as manchas que Ari Artuzi e Júlio Artuzi causaram com o envolvimento deles no escândalo que os “federais” desvendaram, contando é claro, com o apoio da delação premiada do jornalista Eleandro Passaia, até então braço direito do prefeito “salvador da pátria”, jamais limparão.

Mais esquecendo a análise acima sobre os Artuzi e de volta a minha campanha, em todos os lugares que passava pedindo meu voto e tendo como única promessa, a de trabalhar e muito pela nossa gente, aos poucos fui sentindo que o “calor do povo, do eleitorado” era mais “gelado que cheque de pobre” devido aos mais variados pedidos em troca de seus votos, tais como dentaduras; passagem para viajar para este ou aquele lugar; vale gasolina para colar meus adesivos nas bicicletas, carros, e até nas casas, enfim, era um variado tipo de pedidos, que devido a minha filosofia de não se sujeitar a este tipo de manobra pra se eleger, jamais aceitei e mesmo se tivesse dinheiro, com certeza também não daria.

Como um dos exemplos de como é duro lidar com o povo, vou contar uma das muitas histórias que guardo até hoje de minhas caminhadas pela cidade em busca dos votos.

No Jardim Maipu havia uma família que tinha - e tem até hoje- nove votos, e o chefe dela, que se dizia meu amigo, falava que todos iriam apoiar-me nas urnas, inclusive, por dois meses ficou lá estampado no vitrô da janela da casa deles, um adesivo de minha candidatura, com o slogan “tá russo, mais vai melhorar” e claro, o número e a legenda de meu partido, que repito, era o PSB de Mardônio Alencar e companhia.

Faltando três dias para as eleições, resolvi visitar a família e quando lá cheguei levei um susto, pois em cima de meu adesivo, havia um outro candidato rival, e claro, muito rico, tanto que ele se elegeu.
O chefe da família ao ver que percebi a troca dos adesivos, imediatamente justificou. “Olha seu Russo, esse adesivo aí é só migué tá, pois ele deu 300 reais para nós em troca de nossos votos, mais pode ficar tranqüilo que vamos todos aqui de casa votar no senhor, tá”, e após ele concluir a sua justificativa, agradeci o então suposto apoio e fui em busca de mais votos, pois ainda faltava três dias para o pleito.

Com o término das eleições, passados cerca de dois meses, em uma conversa de “boteco” fiquei sabendo o que já desconfiava, de que aquela até então “amiga família” havia sim, votado no candidato que deu a ela os 300tão para colocar o seu adesivo sobre o meu.

Vai daí que, conhecedor desta história oficialmente da “família amiga”, limitei-me apenas a dar um sorriso, e desde então, não sei por que, eles nunca mais conversaram comigo, talvez seja por causa da traição que fizeram quando das eleições.

Resultado: “Perdi os votos e a amizade daquela família, que até então se dizia minha amiga”.
Ao entrar como candidato a vereador, enquanto eu labutava em busca de votos puros e dados de coração pelos eleitores, esperava é claro, contar também com o apoio dos amigos jornalistas e de seus familiares, e também aos meninos que trabalhavam -e muitos até hoje trabalham- nos parques gráficos dos jornais impressos, porém não fui bem sucedido com eles, bem como, com o povão, e claro, no dia 3 de outubro daquele ano, fui literalmente para a braquearia, ou melhor, para o espaço.

Com o fim das eleições, Laerte Tetila foi eleito e foi feita a composição das 17 vagas para a Câmara de Dourados, e um dos vereadores eleito foi justamente Ari Artuzi, que na época se fez valer do nome da família; de dinheiro de terceiros e o pior, de votos de pessoas, os chamados nos dias de hoje de “manos”, que pediam dinheiro para mim e eu não dava, pois sabia que com certeza elas não iriam comprar coca-cola; guaraná, lanche ou algo de positivo parecido, mais sim, iriam comprar...!, bem, deixe pra lá o que eles comprariam -e compraram- não é mesmo...!

Findando as eleições, cansado por ter feito tanto pedido de votos em vão, apreendi que para se conhecer o povo ou seria eleitor, a pessoa tem de sair candidato a vereador ou a qualquer cargo eletivo...!

Digo para muitos quando estou discutindo política...! “Quer mesmo conhecer o povo, saia candidato a vereador e depois me conta, ok !!!” e dou uma sonora gargalhada, como dei agora há poucos dias atrás, após a denominada operação “Uragano” que desmontou o maior escândalo político da história da cidade e mandou um monte de “gente boa” para trás das grades, e agora quando me perguntam como estou, respondo na bucha: “Graças a Deus eu estou aqui, vivo e solto, graças a Deus mesmo...!.

Depois desta, parei e fui, mais volto, acho né...!.

 

*** Waldemar Gonçalves, o Russo, é jornalista e membro do Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados

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