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PT exige dízimo de assessores que têm cargos de confiança

5 Mai 2007 - 08h37

Com uma dívida recorde na praça e um buraco que não pára de crescer, o PT promoverá um duro ajuste fiscal com uma série de medidas polêmicas - como a transformação de vereadores, deputados e senadores em cobradores do "dízimo" do partido entre seus assessores.

Por sugestão do tesoureiro do partido, Paulo Ferreira, e de seus homólogos nos diretórios estaduais, o estatuto seria modificado para obrigar os detentores de mandatos legislativos a recolherem a contribuição, que todo filiado petista deve fazer mensalmente, dos funcionários de seus gabinetes.

"A arrecadação da contribuição em seu gabinete passaria a ser uma responsabilidade do mandatário. Evidentemente que teria um tipo de punição se isso não ocorresse", declarou Ferreira. O "dízimo" é uma contribuição variando entre 2% e 10% sobre o salário que cada detentor de mandato ou cargo de confiança deve recolher ao partido.

Pelas contas do PT, 80% dos cerca de 5.000 filiados em cargos de confiança na administração federal estão inadimplentes. O débito acumulado é de R$ 30 milhões, mais da metade da dívida do partido, de R$ 47 milhões.

O partido hoje já pune esses inadimplentes, proibindo-os, por exemplo de participar de eventos partidários. Isso poderia passar a acontecer também com vereadores, deputados estaduais e federais e senadores que se revelassem maus cobradores. A proposta de mudança no estatuto será discutida no 3º Congresso do partido, marcado para agosto.

Outro item que poderá causar barulho é aplicar o "dízimo" não só sobre os salários dos parlamentares, mas também sobre todas as verbas de gabinete. Ao contrário de salários, que é dinheiro privado, as verbas de gabinete são públicas, com a destinação específica de dar infra-estrutura ao mandato parlamentar. Também seriam "mordidas" pelo partido.

O PT também estuda uma espécie de Refis interno, para estimular devedores a acertar suas contas mediante um desconto no valor total.

Ferreira diz que a dívida total do partido, herança da gestão de Delúbio Soares na tesouraria petista, é administrável. O perfil teria mudado: as centenas de credores de curto prazo foram substituídas por débitos de longo prazo com grandes credores, como bancos, gráficas e indústrias têxteis.

"Tenho perspectiva de negociação com alguns credores importantes até o final do ano. Na próxima prestação de contas, o PT vai seguramente apresentar resultado operacional positivo", prometeu o tesoureiro.

No passado, outras promessas não foram cumpridas. Ao final da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, uma dívida de quase R$ 11 milhões com gráficas acabou assumida pelo partido, que prometeu zerá-la até o final de 2006. A dívida permanece.

Outros credores importantes do partido são a Coteminas, de propriedade da família do vice-presidente, José Alencar, que forneceu camisetas para a campanha municipal de 2004, e bancos como o BMG, o Rural e o Banco do Brasil.

Folha Online

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