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CANTINA BAH
Brasil

PT e PMDB duelam por bancos federais e estatais

20 Abr 2007 - 08h53
Preenchido pelo novelo policial da Operação Furacão, o noticiário político tem reservado os pés de página para um duelo que opõe os dois maiores partidos do consórcio governista. Saciados os seus apetites ministeriais, PMDB e PT se engalfinham agora pelos mais vistosos postos da administração pública. E pelos menos chamativos também.

Nesta quinta-feira (19), a cúpula do PMDB entregou ao ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) uma lista de cerca de 30 nomes que gostaria de ver nomeados por Lula. Parece muito. Mas vira café pequeno se confrontada com a relação do PT: algo como 1.100 apadrinhados.

Lula disse que não quer saber de “porteira fechada” na composição do segundo escalão. Significa dizer que ministros de um partido terão de engolir indicados de outras legendas. Pois bem, PMDB e PT levaram a coisa a sério. Os peemedebistas, por exemplo, colocaram o pé na cancela da Fazenda do petista Guido Mantega.

O PMDB mirou alto. Incluiu em sua lista apadrinhados para diretorias do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, duas casas bancárias federais que pendem do organograma da Fazenda e que vêm sendo controladas pelo PT desde o início do primeiro mandato.

Desnecessário lembrar que, mercê da ingerência política a que foram submetidos, BB e CEF estrelaram alguns dos principais escândalos do primeiro reinado. Para citar dois exemplos: o BB firmou contratos inquinados de irregulares com as agências de Marcos Valério, o provedor da mala do mensalão. A CEF entregou a Antonio Palocci, ex-czar da economia, os extratos do caseiro Francenildo Costa.

As duas legendas travam também uma queda de braço pelo porto de Santos, maior instalação portuária do país, gerida pela o maior do país, gerido pela Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo). Pertence ao organograma dos Transportes de Alfredo Nascimento (PR). O PT deseja plantar no comando da Codesp o ex-deputado Fausto Figueira (PT-SP), amigão do deputado cassado José Dirceu (SP). O PMDB quer o cargo para o ex-vereador Miguel Colassuono, um chegado de Orestes Quércia. Há, por ora, leve vantagem para Figueira. Mas Colassuono deve ganhar uma diretoria da empresa.

PMDB e PT disputam ainda cargos na Petrobras, na Eletronorte e em Furnas. Há indicações esquisitas. Deseja-se, por exemplo, acomodar no comando da estratégica BR Distribuidora o ex-deputado Moreira Franco (PMDB-RJ), cuja afinidade com a área petrolífera é nenhuma.

Cabe a pergunta: o que move um partido a pleitear cargos em estatais? A resposta, por óbvia, dispensa explicitações. Diga-se apenas, em benefício da memória histórica, que Furnas, para cuja presidência o PMDB deseja emplacar o ex-prefeito carioca Luiz Paulo Conde, compôs o contencioso que levou o deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) a se indi$por com o governo Lula.

Diferentemente do PMDB, que já jogou os seus nomes sobre o pano verde, o PT só acomodará as suas cartas sobre o mesão do Planalto na próxima semana. O tema deve ser objetivo de debate em reunião do diretório do partido, que começa sexta-feira (20) e vai até sábado (21). Afora os contenciosos com o PMDB, o petismo tenta equacionar disputas com outras legendas da coalizão e apaziguar as suas próprias diferenças internas.

O ministério das Cidades, por exemplo, embora chefiado por Márcio Fortes, do PP, está apinhado de petistas. O PP quer livrar-se de todos eles. O PT deseja preservar o espaço conquistado, mas não se entende quanto aos nomes. Parte da bancada quer trocar os sobreviventes do primeiro reinado. Outra parte sente-se sub-representada no governo e quer promover um grande troca-troca.

Lula delegou a quatro ministros a tarefa de gerir a encrenca dos cargos. Além de Mares Guia, o tema está submetido à análise de Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Paulo Bernardo (Planejamento). O presidente informou aos seus prepostos que deseja definir pessoalmente as nomeações para os bancos federais e para estatais como a Petrobras. É bom mesmo. Doravante, a velha desculpa do “eu não sabia” talvez não cole mais.

 

 

 

Folha Online

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