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PT e PMDB divergem sobre coligação em Campo Grande

26 Mai 2007 - 11h10
 

Resta ainda um ano para as convenções partidárias e definição das coligações das eleições municipais de 2008. Mas os ensaios das prováveis alianças e rompimentos já começaram. Até o momento, a aliança mais esdrúxula vislumbrada no horizonte – o PMDB do prefeito Nelsinho Trad e o PT da ex-primeira-dama Gilda Gomes dos Santos – não passa de ficção.

Mas, uma frase do deputado Akira Otsubo (PMDB), que mesmo não tendo base eleitoral na Capital, também opinou, diz muito. “Em política tudo é possível”.

De modo geral, o PT parece mais resistente à idéia, sobretudo depois da primeira pesquisa de intenções de voto (Televox/Midiamax) divulgada no dia 5 de maio (leia matéria relacionada abaixo), que indica empate técnico entre o senador Delcídio do Amaral (PT) e Nelsinho, na estimulada, em cenário com a senadora Marisa Serrano (PSDB) e Dagoberto Nogueira (PDT).

“Sou contra a coligação em Campo Grande; o PT estaria renunciando ao projeto de poder”, disse o deputado Pedro Kemp (PT). O parlamentar disse que essa coligação somente fortaleceria o PMDB – Kemp vê ainda mais longe - nas eleições de 2010.

Entretanto, enquanto o PMDB aparentemente não cogita jogar com outro a não ser Nelsinho Trad, e que, por sua vez, já deve ter garantido o apoio dos tucanos, o Partido dos Trabalhadores não equacionou ainda a questão. Delcídio, o petista melhor colocado na pesquisa espontânea, em segundo lugar, já declarou que pretende permanecer no Senado e vai tentar viabilizar a sua reeleição numa queda-de-braço com o ex-governador Zeca.

Para o prático governador André Puccinelli (PMDB), a hipótese terá de ser julgada com base em pesquisas, esse é conselho dele para o prefeito Nelsinho. Bastaria que houvesse aprovação popular.

O “boato” de que o PMDB estaria negociando com o PT aliança para o ano que vem foi negado pelo deputado federal Vander Loubet (PT). “Primeiro, não aconteceu nada na ida a Vila Vargas, para inauguração de obras na BR-163”, disse Vander. O parlamentar acompanhou o governador Puccinelli em Vila Vargas (distrito de Dourados) na segunda-feira (21). “Não houve conversa de Gilda [dos Santos] ser vice”, completou.

O deputado defende que o PT aguarde maior proximidade das eleições para decidir. “Devemos esperar o momento para ver o tamanho do PT, se houver chance de vencer não vai haver coligação”. Vander usou uma metáfora intrigante para rebater a coligação, segundo ele, a população não pode pôr os ovos num só lugar – governo do Estado e Prefeitura de Campo Grande.

Entretanto, o petista não nega que o PT possa dar “um gesto de aproximação” do PMDB para retribuir o apoio de André ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O deputado estadual Marquinhos Trad (PMDB) vê uma possível coligação PT-PMDB com menos rigidez. Para ele, já que o regime é democrático e a legislação autoriza, por que não? Marquinhos disse que os responsáveis pela aproximação (não disse quem) “deixam de lado ataques pessoais e pensam na coletividade”.

Marquinhos também defende, como Puccinelli, o critério popular-eleitoral, “se eles tiverem o nome aprovado por instituto de pesquisa...”.

Diante da resistência dos petistas, que não querem ser coadjuvantes, Marquinhos desabafa: “é triste, é lamentável, eles pedem o apoio de todo mundo, mas na hora de apoiar não querem”.

“É ruim para os eleitores, é ruim para a democracia”, declarou o deputado Pedro Teruel (PT), que é postulante da candidatura petista. “Com chances reais de vencer, não podemos abdicar [de candidatura própria]”, lembrou também Kemp.

Enfim, se PT e PMDB se coligarem é pouco provável que encontrem rivais a altura, do contrário, PT ainda precisa convencer Delcídio ou “criar” outra liderança e o PMDB precisa administrar melhor insurreições dos atuais aliados.

 

 

 

Mídia Max

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