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Propaganda perde protagonismo para imprensa e internet

30 Out 2010 - 11h48Por Folha Online

A estratégia autônoma das campanhas presidenciais para o horário eleitoral, neste ano, durou duas semanas.

Começou com a onipresença de Lula, vinculado nos programas tanto a Dilma Rousseff quanto a José Serra.

Em pouco tempo se evidenciou a ampla transferência de votos para a primeira, e o jogo mudou. O tucano passou a vincular a petista a José Dirceu e ao mensalão.

A partir de setembro, as duas campanhas foram levadas a reboque pela cobertura dos escândalos, a primeira procurando responder, a segunda buscando potencializar. A quebra do sigilo fiscal da filha de Serra marcou a mudança. E a resposta de Dilma veio por meio de Lula.

Mas foi limitado o efeito desta primeira "bala de prata", com as pesquisas apontando alta da petista.

A segunda não demorou, com o escândalo da Casa Civil, que facilitou a vinculação com Dilma, em inserção tucana que a associava a Erenice Guerra e Dirceu.

Já era evidente que tanto na cobertura como na propaganda a campanha passaria ao largo de propostas de governo, temas econômicos etc. O conflito passou a ser aberto, entre tucanos e petistas, e caracterizado por choques dramáticos medidos em pesquisas qualitativas.

De sua parte, correndo em raia própria e com pouco tempo de TV, Marina Silva atravessou o primeiro mês de propaganda sem sair do lugar. Até que a queda de Erenice, no dia 17 de setembro, rompeu as defesas de Dilma, e ela começou a cair nas pesquisas. E Marina a subir.

Entrou em cena, para além dos escândalos, da cobertura tradicional e do próprio horário eleitoral, o movimento evangélico não identificado em pesquisas quantitativas e qualitativas, impulsionando a candidata evangélica e trazendo à tona o temor de liberalização do aborto.

Em pouco tempo, Marina ultrapassou o tucano em intenções de voto no Rio. E este respondeu na TV com o pastor Silas Malafaia, que mudou de lado e passou a atacar a ex-petista violentamente, procurando vinculá-la ao aborto e defendendo o voto evangélico em Serra.

Mas era Dilma quem mais perdia com o tema. E o aborto, que marcou o final do primeiro turno, avançou pelo segundo, como prioridade maior nos programas dos dois candidatos que avançaram --e com a entrada em cena da Igreja Católica, buscando disputar a bandeira com os evangélicos.

A pausa na artilharia tucana, após reportagem sobre relatos de que Mônica Serra teria feito aborto no Chile, durou pouco. E ontem, encerrando a propaganda no rádio, o próprio José Serra voltou à carga, explorando a "palavra de amor à vida" lançada pelo papa Bento 16 a três dias da eleição.

Na campanha, o horário eleitoral perdeu protagonismo, primeiro para a cobertura, depois para a religião, com voz própria na internet.

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