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15 de Setembro de 2004 15h40

Produção agrícola de 2005 pode estar ameaçada

A possibilidade de se reduzir a área plantada no País em 2005 foi debatida hoje pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, que reuniu produtores e representantes do Governo. Na avaliação do presidente da Comissão, deputado Leonardo Vilela (PP-GO), o setor agrícola precisa de mais crédito e juros mais baixos para elevar a produção no ano que vem, sob o risco de quebra da safra. O temor é de que a produção brasileira de grãos, que vem batendo recordes, fique estagnada nas 120 milhões de toneladas colhidas em 2004. Manter a mesma produção pode significar colheita menor se as condições climáticas não ajudarem. A conseqüência seria um faturamento menor do País no comércio internacional e maior dependência dos investimentos financeiros de curto prazo.
Segundo o parlamentar, os agricultores estão começando a se endividar porque os custos de produção cresceram 25% em média nos últimos meses e os preços dos produtos caíram. "Isso acontece por causa da política econômica do Governo federal, que quer fazer, a qualquer custo, o maior superávit primário possível, sacrificando setores estratégicos como a agricultura", avaliou o parlamentar.
O vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Macel Caixeta, informou que o crédito para a safra deste ano é de R$ 17,700 bilhões, enquanto a necessidade mínima é de R$ 29 bilhões. "Nós já estamos com a possibilidade de quebra da safra de milho. Isso é preocupante porque todos os insumos básicos para a pecuária vêm do milho. Com esses preços e com o agricultor tendo prejuízo, há uma queda significativa", alertou.

Orçamento dobrado
Apesar de reconhecer a insuficiência de recursos, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, ressaltou que o Governo dobrou o volume de recursos destinados para a comercialização no projeto de lei do Orçamento 2005 (PLN 51/04) em relação a 2004. Ele informou que o Banco do Brasil já está liberando mais dinheiro em setembro.
Apesar de o valor ter dobrado, Wedekin pediu apoio dos parlamentares para que sejam destinados mais R$ 300 milhões à agricultura no texto final do Orçamento. "O que há é um quadro rigoroso de ajuste fiscal e demandas crescentes em outras áreas. Portanto, precisamos do apoio do Congresso para termos um poder maior de intervenção e de estabilização da renda e dos preços para o ano que vem", esclareceu.
Para o deputado Leonardo Vilela, além do aumento do crédito, o setor precisa reduzir a tributação sobre insumos e máquinas agrícolas e investimentos em biotecnologia e infra-estrutura de transporte. Segundo o deputado, o Governo tem se mostrado insensível às reclamações.
Os produtores rurais reivindicaram também a destinação de investimentos federais à defesa agropecuária, para combater doenças como a febre aftosa - que atinge o gado bovino - e a ferrugem asiática, que ataca as lavouras de soja.
 
 
Agência Câmara
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