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Brasil

Prefeito de Cassilândia usava empresa para encobrir esquema

4 Mai 2007 - 10h44

O prefeito de Cassilândia, José Donizete Ferreira de Freitas (PT), que foi afastado por 30 dias, teria solicitado a comerciante que abrisse empresa para realizar limpeza pública na cidade para encobrir o esquema de desvio de dinheiro da Prefeitura através da emissão de notas frias, conforme informou hoje ao Midiamax o delegado Paulo Henrique Rosseto de Souza, da Polícia Civil de Cassilândia. O nome da empresa não foi revelado.

O dono da empresa confirmou ao delegado que o prefeito solicitou que ele abrisse a empresa, garantindo que a Prefeitura iria realizar os serviços e a contrataria até mesmo em caso da abertura de licitações. Outras testemunhas, inclusive servidores, informaram que Donizete retirava dinheiro do caixa da Prefeitura e compensava estes valores com notas frias.

O prefeito ainda não foi ouvido, mas, segundo o delegado, já foi intimado e não compareceu, pois estava viajando. A Polícia Civil vai remarcar o depoimento, mas entregará ainda hoje ao Judiciário o inquérito com apurações realizadas juntamente com o MPE (Ministério Público Estadual) contendo pelo menos 1,2 mil laudas. Esta será apenas a primeira parte das investigações que correm em segredo de Justiça.

Testemunhas citaram que o vice-prefeito Sebastião Pereira da Silva (PSB), o “Tião da Marieta”, também afastado do cargo, solicitava notas frias a comerciantes da cidade. Pelo menos cinco empresários confirmaram o fato, além de outras testemunhas e servidores da própria Prefeitura. O dinheiro retirado dos cofres municipais era utilizado para gastos pessoais, sendo que alguns servidores são acusados de usar os recursos da Prefeitura para fazer empréstimos cobrando taxas de juros, o que caracteriza crime de agiotagem.

Os comerciantes que confessaram a emissão de notas frias também devem ser indiciados no inquérito, mas, segundo o delegado, não foram detidos, pois estão colaborando com as investigações. Na segunda fase das investigações, a Polícia Civil e o MPE deve apurar indícios que apontam a participação de alguns vereadores no esquema, conforme foi citado por algumas testemunhas durante os depoimentos.

Por enquanto, as investigações apontam que o esquema já teria desviado R$ 967 mil dos cofres públicos municipais, mas o promotor de Justiça Fábio Goldfinger afirmou que este valor deve ser bem superior. Já foram indiciados os servidores Jorge Yoshishilo Kobayashi (contador da Prefeitura), Waldimiro José Cotrim Moreira, Ivete Vargas Rocha de Souza, Ana Regina Arantes, Orange Rezende e Silva e Luceni Quintana Corrêa (tesoureira da Prefeitura), além do marido dela, Eugênio Luiz Azambuja, sendo ele e a esposa foram soltos por colaborarem com as investigações.

 

 

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