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Praça do Transbordo é o mais novo "point" do crack em Dourados

25 Ago 2010 - 10h54Por Waldemar Golsavem - Russo
Depois da suposta desativação da “cracolândia” que existia na região onde estava instalado o hoje extinto Hotel Denise, na área central de Dourados, cuja intervenção policial militar acabou por levar algumas pessoas, inclusive um funcionário da “espelunca” que servia como abrigo de traficantes e usuários de drogas, em especial a terrível pedra de crack para a cadeia, a reportagem apurou que nas imediações da antiga praça Mário Correia, hoje Praça “Antonio Alves Duarte”, mas também conhecida como “praça do Transbordo”, em frente ao Hospital Evangélico e anexo ao Terminal de Transbordo, passou a ser o ponto de encontro de pessoas envolvidas com os mesmos ilícitos acima citados.

Localizada no quadrilátero das ruas Hilda Bergo Duarte, Camilo Ermelindo da Silva, Joaquim Teixeira Alves e Antônio Emílio de Figueiredo, recentemente, nas imediações da praça, foi registrado um episódio violento, onde um adolescente de 17 anos, conhecido nos meios policiais por “Cachopa”, foi apreendido pela equipe do SIG (Serviço de Investigações Gerais) da Polícia Civil depois de ter sido apontado como o autor das pauladas que resultaram na morte de Jair Pirota Belmut, de 50 anos, fato ocorrido na madrugada do dia 17 de agosto.

O adolescente também teria agredido, com tijolos, a Jorge Andrei Paes da Silva, de 27 anos, quando a vítima estava nas proximidades do Terminal de Transbordo, local próximo de onde Jair Belmut foi assassinado. "Cachopa", segundo a polícia, já havia cumprido pena na Unei (Unidade Educacional de Internação), acusado de assalto e furto.

CORRERIA NA PRAÇA

O crime cometido pelo adolescente fez com que algumas pessoas, que pediram para não serem identificadas por temerem pela segurança, procurassem a reportagem para denunciar o estado de abandono da praça e nas imediações a ela, e principalmente o aumento sucessivo do tráfico e consumo de drogas na região, principalmente no período noturno, com maior freqüência nos finais de semana e feriados prolongados. “A correria aqui é grande nas noites. É moleque, garotas, travestis, muitos deles aparentando serem menores e até mesmo pessoas com idade avançada, enfim, eles aparecem do nada, de repente de bicicletas, mobyletes, motos e até carrões de luxos em busca de drogas”, disse Maria da Silva (nome fictício), uma das moradoras da região, acrescentando que depois das 19 horas não sai mais para a calçada de sua casa por temer ser atacadas pelos usuários de drogas ou coisa parecida. “Antes eu levava meus cachorros para passear na praça, meus netos, até eu gostava de dar uma volta por lá, hoje eu evito fazer isso, pois ela está infestada de mendigos, desocupados, muitos deles embriagados, e principalmente de drogados, sem contar que tem uma cadeirante que anda com um rapaz, que tenho quase a certeza de que ela e seu companheiro ou vende ou aparece na praça para consumir drogas”, disse a mulher.

ZUMBIS

Contando com o estado de abandono, iluminação precária e uma total falta de policiamento na região, Paula Rodrigues (também nome fictício) relata que trabalha no Hospital Evangélico há anos, e que nos últimos três passou a ter medo de passar pela praça em horário noturno para pegar o ônibus no Terminal de Transbordo. “De repente a praça passou a ser habitada somente por pessoas mal encaradas. Um final de meu plantão, quando estava indo para pegar o ônibus, fui abordada por uma garota bastante exaltada que exigiu de mim a quantia de dois reais. Veja bem, ela não pediu o dinheiro, ela exigiu, e eu, temendo por uma reação dela, acabei dando cinco reais e desde então jurei nunca mais passar pelo meio da praça”, desabafou a funcionária, para quem já é hora das autoridades competentes fazer alguma coisa para que a praça volte a ser freqüentada por pessoas idôneas e serias e não por usuários e traficantes de drogas, assim como por mendigos.

Já Roberto dos Santos (nome fictício), morador há anos na região, conta que já fez denúncia dos problemas da praça Antonio Alves Duarte e adjacências para a polícia. Entretanto, segundo ele, em nada teria adiantado. “A praça hoje é a base dos usuários de drogas, porém os traficantes ficam perambulando pela área em busca deles, como nas proximidades dos bares e “tunguetes” [local onde, segundo ele, as pessoas passam o dia e parte da noite jogando baralho], que existem próximos à esquina da Camilo Ermelindo da Silva com a Joaquim Teixeira Alves. “A correria deles, que acredito serem os fornecedores de drogas, envolve motoqueiros, travestis, adolescentes, enfim, a gente percebe que eles estão fazendo algo ilícito, principalmente vendendo suas drogas, mas a polícia não vê, fazer o que!”, resumiu o morador, finalizando que no período noturno e até mesmo parte da madrugada é possível ver grupos de jovens usando drogas ao lado das árvores. “Seria muito bom se as autoridades investissem aqui na nossa região, que de uns tempos pra cá passou a ser reduto de viciados em drogas e de traficantes”, disse ele, lembrando do episódio em que um homem foi morto recentemente, após sair em defesa de uma pessoa que estava sendo espancada dentro da praça. “Tá na hora desse lugar voltar a ser do povo que paga religiosamente em dia os seus impostos”.

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