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FÁTIMA DO SUL 47 ANOS

Porto Ubatuba, Vila Brasil e Fátima do Sul: Três Nomes uma só História

9 Jul 2010 - 06h33

PORTO UBATUBA, VILA BRASIL E FÁTIMA DO SUL: TRÊS NOMES, UMA SÓ HISTÓRIA

 

 

Wagner Cordeiro Chagas*

 

Localizada na região sul do Estado de Mato Grosso do Sul, pertencente a micro-região da Grande Dourados, a cidade de Fátima do Sul completará no próximo dia 9 de julho, 47 anos de emancipação político-administrativa. Sua história está diretamente ligada ao contexto político-econômico dos anos de 1940, quando o então presidente da República Getúlio Vargas lançou o programa Marcha para Oeste, com objetivo de colonizar as áreas pouco povoadas do Brasil.

 

 

Formado por uma miscigenação cultural de pessoas esperançosas que vieram principalmente da região Nordeste do país, a “Cidade Favo de Mel”, como é carinhosamente conhecida, possuiu no início de sua formação duas denominações, as quais até hoje se encontra na memória dos primeiros colonos: Porto Ubatuba e Vila Brasil.

 

 

Conforme a autora Cláudia Capilé, a primeira denominação era utilizada na fase em que o vilarejo se localizava a margem esquerda do rio Dourados, num momento em que muitas famílias ainda chegavam por aqui. Pouco tempo depois, por sugestão do frei Frederico Miés, que havia realizado a primeira missa nesta localidade no dia 8 de novembro de 1953, adotou-se o nome Vila Brasil. Esta denominação relacionava-se ao motivo desta localidade ser formada por cidadãos vindos de varias origens do país.

 

 

Com o passar dos anos, a vila experimentou uma fase de crescimento populacional, o que obrigou alguns de seus habitantes a desejar as terras do outro lado do rio. Assim, na madrugada do dia 9 de julho, uma sexta-feira, um grupo de 450 homens resolveu atravessar as águas do Dourados e dar início à outra parte da cidade.

 

 

As travessias de uma margem a outra do rio eram realizadas por meio de embarcações improvisadas e muitas vezes inseguras, tanto é que numa dessas travessias ocorreu um naufrágio que causou a morte de 15 pessoas. Devido a essa tragédia, surgiu a necessidade da construção de uma ponte para que as pessoas pudessem cruzar o rio com maior segurança. No final de 1954 foi inaugurada a primeira ponte, feita de madeira.

 

Em 12 de novembro de 1958, outro fato sem dúvida alegrou os corações da população de Vila Brasil, a elevação desta à categoria de distrito do município de Dourados, por intermédio do deputado estadual Wilson Dias Pinho.

 

O distrito se despontava a cada dia. Nessa época a instrução educacional das crianças e jovens era responsabilidade de três instituições: o Grupo Escolar Izabel Mesquita, a Escola Batista e a Escola Paroquial (origem do Ginásio Dom Pedro II e da Escola Vicente Pallotti).

 

A 11 de dezembro de 1963, o governador Fernando Corrêa da Costa promulgou a Lei nº 2057, que emancipou Vila Brasil, nasceu assim um novo município no Estado de Mato Grosso.

 

Os anos de 1964 e 1965 foram relevantes para Vila Brasil. No primeiro, ocorreu a escolha do prefeito, Antônio Gabriel Moreira, e a formação da primeira Câmara de Vereadores. No outro, a população escolheu a nova denominação da cidade, já que o título de vila não era mais bem aceito para uma região que figurava como emancipada.

 

Assim, autorizado pelo prefeito Reinaldo dos Santos Morais, a recém formada Câmara de Vereadores votou o Projeto nº 01/65 que criou uma comissão responsável por coletar os nomes sugeridos pela população. Deste ato surgiu uma relação de nomes que seriam escolhidos pela via democrática (plebiscito). Entre Porto Vitória, Marechal Rondon, Campinas do Sul, Novo Planalto, Rio Brasil, Brasiporã, Novo Brasil, Culturama e Fátima do Sul, optou-se por este último. A partir de 11 de fevereiro, o nome Vila Brasil ficaria somente na lembrança dos bravos colonizadores que formaram essa cidade, o nome oficial seria Fátima do Sul.

 

É válido destacar aqui, uma curiosidade no que diz respeito a essa denominação: a questão religiosa. De acordo com o historiador Nilton Ponciano, o nome Fátima, para os católicos relacionava-se à santa Nossa Senhora de Fátima. Já os protestantes preferiam o nome Culturama. Por compreender a maioria da população, os católicos venceram. Inicialmente, a cidade chamar-se-ia Fátima, contudo, como já existia um município com o mesmo nome, foi necessário acrescentar o termo “do Sul”.

 

O tempo passou, e lá se vão 56 anos de fundação e 47 de emancipação. Terra de povo hospitaleiro, Fátima do Sul tem se destacado no cenário estadual, seja na representatividade política, seja na questão das manifestações culturais, através das festas populares que são desenvolvidas pela atual administração municipal. Entretanto, é necessário relembrarmos o passado para refletirmos sobre o presente. Nos últimos anos a Cidade Favo de Mel viu partir muitos de seus filhos e filhas, que por falta de oportunidades, foram obrigados a procurar em outras cidades ou estados, meios de sobrevivência. Devido a uma série de fatores, nesse período a população fatimassulense reduziu significativamente. Hoje somos pouco mais de 19 mil habitantes, uma quantidade muito baixa, se compararmos com os mais de 60 mil que existiam na década de 1970. Com um povo ordeiro e trabalhador, Fátima do Sul possui as condições necessárias para se reencontrar com os caminhos do desenvolvimento social e econômico sustentável. Que os irmãos e irmãs fatimassulenses possam refletir a esse respeito. E que nossas autoridades constituídas se empenhem cada vez mais para que isso se torne realidade.

 

PARABÉNS FÁTIMA DO SUL. PARABÉNS AQUELES QUE AJUDARAM E AJUDAM A CONSTRUIR NOSSA HISTÓRIA: OS FATIMASSULENSES.    

 

 

 

* Professor de História em Fátima do Sul-MS, licenciado pela UFGD E FILHO DESTA QUERIDA TERRA. E-mail: wc-chagas@hotmail.com

 

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