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Polícia prende 455 em protestos no Chile

30 Mar 2007 - 10h35
A polícia do Chile prendeu 455 pessoas durante protestos no centro da capital, Santiago, na quinta-feira, 29. As manifestações já eram esperadas porque marcam, anualmente, há mais de dez anos, o chamado "dia do jovem combatente", em homenagem a dois irmãos mortos, Rafael e Eduardo Vergara Toledo, em março de 1985, num confronto com policiais.

Mas os protestos do "dia do jovem combatente" este ano foram engrossadas pelas manifestações contra o novo sistema de transportes de Santiago, que já vêm ocorrendo há vários dias. Os protestos também incluíram ataques contra os pontos dos ônibus.

No fim da noite de quinta-feira, 29, o governo informou que, do total das pessoas detidas em todo o Chile, 375 foram presas em Santiago. Foram registradas 42 manifestações em 21 cidades do país.

Transantiago

Muitos dos manifestantes estavam de uniforme escolar ou com rostos cobertos. A maioria dos detidos participava dos protestos pelo dia do "jovem combatente" e de manifestações de usuários do novo sistema de transportes, batizado de Transantiago - que, há quase dois meses, mudou o mapa do percurso do transporte público e incluiu uma frota de ônibus mais moderna, mas em pouca quantidade, provocando filas, confusão e a queda da popularidade da presidente Michelle Bachelet.

Durante o dia, foram registrados vários incidentes entre a polícia e os estudantes, que foram reprimidos com jatos d´água e gás lacrimogêneo.

Pela manhã, distúrbios levaram à interrupção do trânsito em diversos pontos de Santiago.

Grupos isolados, ainda segundo informações da imprensa chilena, como o jornal La Tercera, apedrejaram supermercados e o Hospital do Trabalhador.

Até o início da tarde de quinta-feira, a "Intendencia Metropolitana" (equivalente à administração regional) informava que 106 "carabineros" saíram feridos dos primeiros protestos, quando jovens reagiram com pedras contra eles.

Os "carabineros" são a segurança ligada diretamente ao governo federal e que ficou conhecida por ser violenta nos tempos em que o Chile era governado, com mão-de-ferro, por Augusto Pinochet.

Reforço policial

O clima de tensão no Chile culminou na quinta-feira, mas desde a última segunda-feira, 26, o policiamento vinha sendo reforçado nas ruas, devido ao tumulto e protestos de usuários (a maioria dos bairros mais pobres) com as falhas do Transantiago, e por causa da explosão de bombas caseiras, em lugares diferentes da cidade, que não deixaram feridos.

A ineficiência do sistema de ônibus - combinado com o metrô - levou a presidente Bachelet a realizar uma reforma ministerial, anunciada no início da semana.

Na quinta-feira, as manifestações começaram cedo, e a maioria com a participação de estudantes de nível secundário, nas primeiras passeatas do dia.

 

 

Estadão

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