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Brasil

Polícia investiga denúncia de racismo na Uems

25 Set 2004 - 07h23
Um professor universitário que ilustrava suas aulas com piadas sobre pessoas obesas, homossexuais e afro-descendentes. Na sala um aluno negro que escuta, do professor, uma frase de cunho racista sobre “um homem que, cansado, após um dia de trabalho, entrava no ônibus e torcia para que quem se sentasse do seu lado fosse uma loira, mas, para seu azar, era um negão que sentaria”.

O fato consta no pedido de processo administrativo disciplinar para apuração de falta grave, com pedido de suspensão preventiva do professor Adriano Manoel dos Santos. A denúncia contra o professor partiu do estudante negro Carlos Lopes dos Santos, que faz Biologia na unidade da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems) em Ivinhema à gerência da instituição naquele município do Sudeste de Mato Grosso do Sul.

Beneficiado pelo sistema de reservas de vagas para negros e índios, instituído pela Lei Estadual 2.605, o aluno, teria ouvido, em sala de aula outra declaração racista de Adriano. Segundo Carlos Lopes, numa explicação sobre roupas pretas, o professor usou a expressão “pretinho básico” relacionada à cor da pele do universitário.

O caso foi parar na Polícia Civil, que instaurou inquérito para apurar o caso. Sete testemunhas ouvidas confirmaram a atitude do professor Adriano. Paralelo à investigação policial, foi pedido à reitoria da Uems abertura de processo administrativo.

Especialista em questões raciais, o advogado Hédio Silva Júnior, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), veio a Mato Grosso do Sul acompanhar o caso e defender o estudante Carlos Lopes. “É uma postura de recusa” às políticas afirmativas, definiu Hédio. O advogado se reuniu hoje com o vice-governador Egon Krakhecke, que prontamente concordou com o pedido de suspensão preventiva do professor.

Nesta sexta-feira, à tarde, numa reunião de representantes do governo e entidades da sociedade civil para discutir o caso, o estudante Carlos Lopes afirmou que seu falecido pai era policial e lembrou um episódio preconceituoso ocorrido em sua infância. “Quando eu era criança, eu e minha mãe íamos ao mercado e um encarregado do estabelecimento nos perseguia, achando que a gente ia roubar.” O acadêmico recordou que, quando estudava no primeiro grau, hoje ensino fundamental, ouvia o professor dizer que os negros foram trazidos para o Brasil para apanhar e servir e que Zumbi dos Palmares não existia; era um mito.

De acordo com o pedido de instauração de processo administrativo, “ o professor fez a seguinte menção: teria que se nivelar o conhecimento por cima e não por baixo". Essa posição do professor Adriano Manoel dos Santos vem sendo apontada pelo movimento negro e pela Coordenadoria de Políticas para Promoção da Igualdade Racial como um combate sistemático à política de cotas na Uems. “A cota, não é ela que gera racismo, mas provoca os racistas”, contestou a coordenadora de Políticas para Promoção da Igualdade Racial, Ana Sena.

Em depoimento na Delegacia de Ivinhema, o professor de Física no curso de Biologia, Adriano Manoel dos Santos, alegou “que em nenhum momento teve a intenção de humilhar gordos, negros e gays e não tem qualquer preconceito, principalmente contra negros, até porque tem origem negra”.

Um dos participantes da reunião de hoje, no auditório da Governadoria, o presidente do Instituto Luther King, Aleixo Paraguassu Netto, encorajou Carlos Lopes, dizendo que o estudante está fazendo história na luta contra o racismo e em defesa das políticas afirmativas. “Dê resposta a esse professor, através de sua performance (desempenho escolar)”, aconselhou Aleixo ao jovem. Carlos Lopes é um dos 267 alunos beneficiados este ano, na Uems, pela política de cotas. O presidente do Conselho Estadual de Desenvolvimento e Defesa dos Direitos do Negro (Cedine), Naércio Ferreira, e o deputado federal João Grandão estiveram na reunião.

 
APn

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