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Polícia Federal prende 20 pessoas por fraude em licitações

10 Ago 2004 - 13h00
A Polícia Federal desencadeou na madrugada desta terça-feira, em Manaus (AM), a operação denominada “Albatroz”. Foram presas 19 pessoas em Manaus e uma em São Paulo suspeitas de envolvimento com o crime de fraude em licitações no estado do Amazonas. De acordo com o delegado Wagner Castilho, porta-voz da PF, com base no Amazonas, a quadrilha também atuava em São Paulo e Rio Grande do Sul. “A quadrilha é ligada ao deputado estadual Antônio do Nascimento Cordeiro (PPS), que não foi preso por ter imunidade parlamentar, mas está sendo indiciado pela PF por formação de quadrilha e fraude em licitações através da Comissão Geral de Licitações do Amazonas”, disse ele.

A Operação “Albatroz” foi detonada a partir de uma investigação dos serviços de inteligência das superintendências do Amazonas e de Brasília, que já estão atuando há dois anos no caso, e com a participação de 174 policiais federais. A PF estima que a quadrilha já agia há quatro anos e, nesse período, já teria movimentado cerca de R$ 500 milhões. Ainda de acordo com a PF, há também a suspeita de que a quadrilha tenha ramificação no Uruguai, local possivelmente utilizado para lavagem do dinheiro desviado. Foram expedidos 20 mandados de prisão temporária e 32 mandados de busca e apreensão nas residências e várias empresas dos envolvidos.

Ainda na manhã de hoje os presos já estavam sendo encaminhados para a sede da PF, em Manaus, juntamente com todo o material que foi apreendido com os envolvidos, entre documentos, computadores e agendas. “Os envolvidos presos na cidade de presidente Figueiredo acabaram de chegar, bem como parte dos documentos que podem comprovar as fraudes”, disse o delegado Castilho.

A Polícia Federal divulgou o nome do empresário e advogado Mário Ricardo Farias Gomes, preso em São Paulo, considerado o segundo na hierarquia da quadrilha e mentor dos arranjos para fraudar as licitações. Nascido em Manaus, Gomes deverá ser encaminhado para a PF do Amazonas nas próximas horas.

Ainda segundo o delegado Wagner Castilho, a Operação “Albatroz” somente alçou vôo agora. “Hoje foi o final da primeira etapa com a prisão de 20 pessoas e o cumprimento de 32 mandados de busca e apreensão”, afirmou, garantindo que “as investigações continuam e várias outras pessoas serão chamadas pela investigação e também poderão ser presas”.

No Amazonas, o crime da quadrilha é de fraude em licitação pública, enquanto em São Paulo e no Rio Grande do Sul, segundo o delegado, cometia-se o crime de evasão fiscal. “Eles usavam esses pontos para saída do dinheiro usurpado em Manaus, ou seja, o aeroporto de Cumbica e a saída para o Uruguai, para que retornasse lavado, através de investimentos estrangeiros, para as mãos do deputado Antonio Cordeiro e sua equipe”.

O delegado Castilho esclareceu ainda que a Operação “Albatroz”, por envolver um deputado estadual, foi realizada com a autorização da Justiça Federal da 1ª Região, de Brasília, com a participação do Ministério Público e da Receita Federal. Indagado se ouve grampo de ligações telefônicas, o delegado salientou que “sempre há monitoramento e processos de investigação que não cabem ser detalhados nessa fase da atuação da Polícia Federal”.

Pela avaliação da Polícia Federal em Brasília, os crimes da quadrilha envolvem lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, sonegação fiscal, tráfico de influência, evasão de divisas, crimes eleitorais, falsidade ideológica e crimes relacionados com a Lei de Licitações. O batismo da operação com o nome de albatroz se deve, segundo explicações da PF, “à facilidade de movimentação da quadrilha”, numa analogia ao vôo da ave do mesmo nome.
 
Agência Brasil

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